As merendeiras da rede municipal de Pelotas irão rever a possibilidade de paralisação em cobrança ao pagamento do adicional de insalubridade da categoria. Segundo a presidente do Conselho da Alimentação Escolar e merendeira da Escola Municipal de Ensino Fundamental Dr. Brum Azeredo, Maria de Fátima Furtado, o grupo, após reunião com o Sindicato dos Municipários de Pelotas (Simp), decidiu aguardar o desfecho do assunto na justiça.
Segundo a servidora, o grupo foi desencorajado pela diretoria do Simp a realizar a manifestação porque não teria efeito prático. “A gente queria fazer, mas o SIMP nos orientou que não adianta nada. Optamos por não fazer nada e vamos aguardar. Ainda não tem data prevista”, explica.
O prefeito Fernando Marroni (PT) afirmou compreender a situação enfrentada pelas profissionais e confirmou que o assunto depende de avaliação jurídica e técnica. “Eu fico comovido com a movimentação, principalmente destas profissionais que têm uma tarefa muito digna dentro da escola, que é preparar a merenda dos nossos alunos, mas é uma tarefa muito pesada também. Tem essa controvérsia jurídica, se elas têm direito ou não ao tema da insalubridade. Isso são questões técnicas que a Prefeitura tem que respeitar.”
Prefeito cobra a Câmara
Marroni também relacionou a sobrecarga de trabalho à falta de servidores na rede municipal. Segundo o prefeito, a Prefeitura enfrenta déficit de profissionais em diferentes funções da educação e culpou a Câmara de Vereadores pela situação.
De acordo com o prefeito, a rejeição do projeto que permite contratações emergenciais está sufocando os profissionais nas escolas. “Nós temos um déficit de 90 auxiliares de educação infantil. Temos déficit de merendeira, monitor, secretário de escola, ou seja, um prejuízo para a educação do nosso município. São 192 cargos na educação, ainda que temporários, e a Câmara de Vereadores, sem nenhuma sensibilidade, está interrompendo, principalmente na educação infantil, e enviando as crianças para casa.”
Simp aprova reajuste e aguarda plano de carreira
Em assembleia nesta quarta-feira (8), os servidores municipais aprovaram a segunda proposta da prefeitura para a data-base 2026. Os municipários receberam um reajuste de 5,4% no salário. O vale-refeição chegou a R$ 575,00 sem a 13ª parcela em dezembro.
Segundo Marroni, a negociação foi considerada positiva. “No primeiro ano já tivemos aumento real. Agora no segundo ano aumentamos um pouquinho, 1,63% de aumento real, recuperando a inflação.” Ele afirmou que, somando os dois anos, a recuperação salarial chega a quase 12%.
O prefeito também ressaltou a valorização dos servidores que recebem os menores salários. “Para a base da pirâmide, que é aqueles que têm piso de 800 e poucos reais, nós aplicamos o salário mínimo regional, que dá um valor de R$ 1.864.”
Marroni afirmou que o principal desafio da administração agora é a implantação de um novo plano de carreira para os servidores municipais. Segundo ele, a proposta é criar um modelo que permita ao servidor visualizar sua evolução profissional ao longo da carreira. “Nós pretendemos ter um marco zero na Prefeitura, ter uma carreira onde o servidor possa ingressar e saber como ele vai progredir, até onde ele vai poder chegar, saber como se valoriza o salário a partir das qualificações.”
