“A Metade Sul tem potencial, mas não teve prioridade”, afirma Zucco

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“A Metade Sul tem potencial, mas não teve prioridade”, afirma Zucco

Pré-candidato do PL ao governo do Estado participou de entrevista e sabatina promovidas pelo Grupo A Hora

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“A Metade Sul tem potencial, mas não teve prioridade”, afirma Zucco
Luciano Zucco foi entrevista nesta sexta-feira (26). (Foto: Nátalli Bonow)

Luciano Zucco (PL) foi o convidado da quarta sabatina promovida pelo Grupo A Hora com pré-candidatos ao governo do Rio Grande do Sul em 2026. A agenda, que ocorreu na última sexta-feira (26), teve entrevista na Rádio Pelotense, apresentação no auditório do grupo e respostas para os questionamentos de jornalistas, representantes de entidades locais e lideranças regionais.

Deputado federal mais votado do Estado em 2022, Zucco se apresentou como uma alternativa aos projetos que, segundo ele, já governaram o Rio Grande do Sul e não entregaram os resultados esperados. Na fala inicial, buscou se diferenciar dos adversários ao dizer que não é “produto da política” nem candidato sustentado por sobrenome ou grupo tradicional. Afirmou que entrou na vida pública por indignação e que vê a política como “missão”, não como profissão.

A Metade Sul ocupou parte central da sabatina. Zucco citou sua relação antiga com a região, especialmente pelo período em que serviu em Jaguarão, e afirmou que Pelotas e o Sul do Estado sofrem com a perda de jovens por falta de oportunidades. O pré-candidato defendeu que o plano de governo seja construído a partir das vocações de cada região, com atenção a infraestrutura, saúde, qualificação profissional, agroindústria, porto, logística e geração de emprego.

Na economia, o pré-candidato relacionou o baixo crescimento do Estado à falta de gestão, excesso de burocracia, problemas de infraestrutura e insegurança jurídica. Defendeu a renegociação da dívida com a União, maior força política em Brasília, redução de secretarias e escolha de secretários por capacidade técnica. Também criticou o aumento de impostos e afirmou que o Estado precisa tratar empresários e produtores como parceiros.

Ao longo da sabatina, Zucco respondeu perguntas sobre pesquisas eleitorais, desenvolvimento da metade Sul, infraestrutura, saúde, educação, segurança pública, agropecuária, industrialização e relação com Brasília. Ao encerrar, repetiu uma frase que tem usado como síntese da pré-campanha: “Eu não quero viver em outro Estado, eu quero viver em outro Rio Grande”.

Apresentação

“Tenho 52 anos, sou oriundo do Exército e servi por 27 anos. Tenho pós-graduação e mestrado na área de inteligência estratégica. Entrei na política em 2018, depois de um convite do Jair Bolsonaro. Fui eleito deputado estadual como o mais votado do Estado e, depois, deputado federal mais votado do Rio Grande do Sul. Eu não sou produto da política. Não venho de sobrenome tradicional nem levanto bandeira partidária desde criança. Sou fruto da indignação com uma política que não entrega resultado.”

Pesquisas eleitorais

“Uma pesquisa precisa ser analisada com cuidado. É preciso ver quem contratou, quando foi feita e em qual região foi aplicada. Na minha leitura, 80% das pesquisas me colocam à frente. Também temos pesquisas internas que não divulgamos e que mostram um cenário positivo. Pesquisa é termômetro de momento. Não muda a responsabilidade da campanha. Temos uma pré-campanha e depois uma campanha inteira até outubro. O que não queremos é transformar a disputa em bate-boca. A sociedade quer saber como vamos resolver saúde, educação e segurança.”

Metade Sul

“Tenho carinho pela região Sul porque servi em Jaguarão e percorri muito esse caminho entre Porto Alegre, Pelotas e a fronteira. A metade Sul tem potencial, mas perdeu prioridade ao longo do tempo. O jovem muitas vezes sai daqui para buscar oportunidade em Porto Alegre, Santa Catarina, Paraná ou São Paulo. Isso precisa mudar com geração de emprego, renda, infraestrutura, qualificação profissional e apoio às vocações da região.”

Força Gaúcha

“O Força Gaúcha é o nosso projeto de escuta regional. A ideia é ouvir empresários, produtores, entidades, prefeitos e lideranças para montar um plano de governo por região. Os problemas da Serra não são os mesmos da metade Sul, das Missões ou da Fronteira. Cada região precisa de uma resposta própria. Esse trabalho vai seguir na campanha e, se vencermos, também durante o governo.”

Desenvolvimento regional

“A Metade Sul precisa de infraestrutura, saúde, educação, qualificação profissional e atração de investimentos. Na região de Pelotas, é preciso olhar para o agro, a indústria do pêssego, a tecnologia, o turismo, os serviços e o porto. O jovem não pode sair do ensino médio apenas com um canudo. Ele precisa sair com oportunidade de trabalho.”

Infraestrutura e logística

“A infraestrutura é uma das maiores travas do Rio Grande do Sul. Precisamos avançar na duplicação da BR-116, na BR-290, nas ferrovias, nas hidrovias, no Porto de Rio Grande e na ponte entre Rio Grande e São José do Norte. O Estado precisa pensar na integração entre rodovia, ferrovia, hidrovia, aeroporto e porto. Também defendo dragagem e desassoreamento como política permanente, não apenas depois da enchente.”

Porto de Rio Grande e hidrovia

“O Porto de Rio Grande é estratégico para o Estado e precisa ser fortalecido. A hidrovia Mercosul também precisa sair do papel, ligando Lagoa Mirim, Lagoa dos Patos e Uruguai.”

“A região Sul não pode ser vista como fim do país. Ela é entrada para o Mercosul e para o Cone Sul.”

Dívida e Brasília

“O próximo governador precisa ter força política em Brasília. A renegociação da dívida, a duplicação de rodovias, as ferrovias, as hidrovias e a tabela SUS passam por Brasília. Eu vou conversar com quem estiver na Presidência da República, seja Flávio, seja Lula ou Caiado. Meu partido será o Rio Grande do Sul.”

Saúde

“A saúde é um dos grandes gargalos da região Sul e do Estado. Temos filas para consultas, exames e cirurgias. Também há dificuldade de financiamento dos hospitais regionais.”

“Defendo revisar os repasses, fortalecer a atenção primária e ampliar a telesaúde. Muitos problemas podem começar a ser resolvidos no próprio município. Não adianta entregar obra, equipamento ou ala nova sem garantir custeio.”

Educação

“O Rio Grande do Sul não pode aceitar estar entre os piores estados em alfabetização.”

“Precisamos reforçar português e matemática, melhorar a merenda, ampliar o contraturno, esporte, ensino integral e cursos técnicos. Não concordo com aprovar aluno que reprovou em várias disciplinas apenas para reduzir evasão. Na metade Sul, a formação técnica pode estar ligada ao agro, à indústria do pêssego, à tecnologia, ao turismo e aos serviços.”

Agropecuária

“O agro precisa ser ouvido por quem entende a realidade do setor. Para escolher secretário da Agricultura ou dirigentes de órgãos ligados ao agro, é preciso ouvir as entidades e as cadeias produtivas. Arroz, pecuária, leite, lã e soja têm dificuldades próprias. O governo precisa ter interlocução direta com quem vive esses problemas.”

Industrialização e CMPC

A região Sul precisa disputar grandes investimentos industriais. O caso da CMPC mostra como um projeto desse porte pode gerar emprego, arrecadação e desenvolvimento regional. Defendo respeito ambiental, mas também segurança jurídica e agilidade no licenciamento. O Estado não pode travar investimentos por demora ou insegurança.”

Segurança pública

“Os números oficiais nem sempre mostram o que os municípios vivem. Cidades antes tranquilas já convivem com avanço de facções, feminicídio, crimes virtuais e problemas no sistema prisional. Defendo valorizar Brigada Militar, Polícia Civil, IGP, Bombeiros e Susepe. Também precisamos separar lideranças criminosas em presídios de segurança máxima. Feminicídio deve ser prioridade número um.”

Gestão e secretariado

“O Estado tem muitas secretarias e pouco resultado. Vamos analisar secretaria por secretaria e reduzir a estrutura. O governo precisa ser menor e mais eficiente. Secretaria não pode ser prêmio de consolação para candidato que não se elegeu. Áreas como Fazenda, Casa Civil, Saúde, Segurança e Desenvolvimento Econômico precisam de nomes técnicos e com capacidade de entrega.”

Relação com prefeitos

“O Estado precisa ser parceiro dos municípios, não apenas cobrar resultados. Na educação, quero fazer um pacto com as prefeituras pela alfabetização. Cada cidade tem uma realidade. É tratar os desiguais com desigualdade. A solução para um município pode não servir para outro. O prefeito conhece a dor local, o governo precisa ouvir mais quem está na ponta.”

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