“Não vamos fazer o Leite 3”, afirma Gabriel Souza

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“Não vamos fazer o Leite 3”, afirma Gabriel Souza

Atual vice-governador e pré-candidato pelo MDB foi o terceiro sabatinado pelo Grupo A Hora

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Atualizado domingo,
21 de Junho de 2026 às 17:57

“Não vamos fazer o Leite 3”, afirma Gabriel Souza
Gabriel Souza diz que projeto é de evolução e avalia que experiência é um dos seus diferenciais na disputa pelo Palácio Piratini. (Foto: Nátalli Bonow)

Gabriel Souza (MDB) foi o convidado da terceira sabatina promovida pelo Grupo A Hora com pré-candidatos ao governo do Rio Grande do Sul em 2026. A agenda, que ocorreu no último sábado, teve apresentação no auditório do grupo e respostas para os questionamentos de jornalistas, representantes de entidades locais e lideranças regionais.

Atual vice-governador, Souza defendeu a continuidade do modelo de gestão dos governos Eduardo Leite e José Ivo Sartori, mas tentou se afastar da ideia de um eventual “governo Eduardo Leite 3”. Ao ser questionado sobre o vínculo com a atual administração estadual, rebateu adversários ao lembrar que partidos ligados a pré-candidaturas concorrentes também participaram ou ainda participam da base governista.

Um dos temas mais locais da sabatina foi a proposta de Parcerias Público-Privadas na rede estadual de ensino. Em Pelotas, a Escola Estadual Dom João Braga é tratada como uma das referências do modelo, que prevê repassar a parceiros privados a manutenção, a zeladoria e a estrutura física das escolas, sem transferência do projeto pedagógico ou dos professores. Gabriel classificou como ideológica a oposição do CPERS, que tem protestado contra a medida.

Na pauta econômica, o emedebista afirmou que não faria “promessas vazias” para a Zona Sul e defendeu políticas concretas para atrair investimentos. Nesse ponto, citou a Invest RS, agência criada pelo governo estadual para prospectar empresas, facilitar novos empreendimentos e organizar a relação do Estado com investidores. Segundo ele, parte dessa atuação pode ser mais direcionada à Metade Sul.

Ao longo da conversa, Gabriel também tratou de infraestrutura, saúde, agronegócio, universidades e segurança jurídica no campo. Garantiu a representantes do setor agropecuário que “o Estado não vai permitir invasões” de propriedades rurais em um eventual governo seu e destacou o papel das universidades no desenvolvimento de Pelotas. Ao responder à reitora da UFPel, Úrsula da Silva, afirmou que “o potencial de Pelotas está nas universidades” e que negar isso seria “uma estupidez”.

Apresentação

“Eu sou Gabriel Souza, tenho 42 anos de idade, sou médico veterinário, tenho especialização em gestão pública, mestrado em Direito empresarial e estou cursando doutorado em administração pública. Comecei na vida pública no grêmio estudantil, com 14 anos. Depois me filiei ao PMDB, hoje MDB, onde estou há 27 anos. Fui líder da juventude do partido, deputado estadual, líder do governo Sartori na Assembleia e posteriormente presidente da Assembleia Legislativa.

Hoje sou vice-governador do Estado e coordeno o Gabinete de Projetos Especiais. Tenho muito orgulho do governo que estamos fazendo, sabendo ao mesmo tempo que ainda há muita coisa para avançar. Compõe essa chapa comigo o Ernani Polo (PSD). Também estão conosco Frederico Antunes (PSD) e Germano Rigotto (MDB) para o Senado. E nosso pré-candidato à Presidência da República é Ronaldo Caiado (PSD).”

Metade Sul

“De mim nunca vai vir proposta que parece mais uma carta de intenções, como muitos adversários fazem. Eu gosto de debater os assuntos com profundidade. O Rio Grande do Sul tem desigualdades regionais. Inclusive por isso defendemos um fundo constitucional federal para o Estado. O Brasil muitas vezes não percebe que nós temos pobreza, subdesenvolvimento e dificuldades de desenvolvimento em algumas regiões. Hoje existe mais um motivo para isso: a questão climática. Nós somos mais atingidos pelas estiagens que a média brasileira. No tocante à Metade Sul, eu não vou criar secretarias. Quero um governo cada vez mais enxuto. Eu prefiro ter a política pública do que a secretaria. Em geral, para ter política pública, não preciso criar uma estrutura nova.”

Novos investimentos

“Tenho muita convicção de que nós vamos desenvolver a região Sul. Temos os investimentos da CMPC, os investimentos portuários em Rio Grande e Pelotas, mas principalmente o crescimento da silvicultura no Rio Grande do Sul. A silvicultura vai aumentar de tamanho e isso representa um potencial de aproximadamente R$ 7 bilhões em investimentos, impactando diretamente os municípios da Zona Sul.

Além disso, vejo oportunidades nos biocombustíveis. Nós temos produção de grãos aqui e queremos que o beneficiamento aconteça também aqui. Outra frente importante é a energia renovável, especialmente o hidrogênio verde. O Rio Grande do Sul é o único Estado brasileiro que possui um estudo de viabilidade apontando condições para essa produção.

Nós temos água doce, água salgada, ventos e energia eólica. Em Pelotas também chama atenção o hub da saúde. Há uma estrutura importante já instalada. Quando investimos em hospitais, estamos salvando vidas, mas também fortalecendo uma cadeia econômica ligada à saúde. Passo Fundo vive muito disso. A saúde é uma política pública, mas também uma atividade econômica relevante.”

Continuidade do governo Leite

“Todas as chapas têm algum vínculo com o atual governo. Eu, com muito orgulho, defendo o modelo de gestão que colocou as contas do Estado em dia. Mas é importante esclarecer: eu e o Ernani Polo não estamos aqui para fazer o governo Eduardo Leite 3. Nós queremos fazer o governo Gabriel Souza e Ernani Polo 1. O que defendemos é uma evolução. Uma interrupção desse processo pode gerar retrocessos.

As escolas, por exemplo, levavam cerca de mil dias para executar uma obra. Hoje isso acontece em aproximadamente 90 dias porque mudamos as ferramentas de gestão. Nos hospitais aconteceu algo parecido. O Estado devia cerca de R$ 1 bilhão aos hospitais. Nós quitamos essa dívida, mantivemos os pagamentos em dia, criamos o programa Assistir e ampliamos investimentos. O objetivo agora é continuar avançando e cumprir aquilo que ainda não foi cumprido.”

PPPs nas escolas

“É correto deixar uma diretora e sua equipe mais preocupadas com telha, cano furado e fio de luz do que com a aprendizagem dos alunos? Nós entendemos que não. Por isso defendemos que a manutenção predial possa ser executada por parceiros especializados, permitindo que a direção da escola se concentre naquilo que realmente importa, que é a aprendizagem. Mas é importante esclarecer: isso não significa privatizar a escola. A educação continua 100% pública. O projeto pedagógico continua público. Os professores continuam sendo contratados pelo Estado e concursados.”

Agronegócio e propriedade privada

“Eu estive na Federarroz e já assumi compromisso com essa pauta. É importante ouvir o setor, ouvir suas sugestões e construir soluções em conjunto. O IRGA tem um papel estratégico e precisa continuar sendo fortalecido. E existe uma questão que para mim não é negociável: o direito à propriedade privada. Não há negociação nesse ponto. O Rio Grande do Sul não será palco de invasões de terra em um eventual governo nosso.”

Saúde

“Eu concordo que o ideal é que o paciente não precise chegar ao hospital. Por isso temos programas como a Rede Bem Cuidar, que trabalha prevenção, especialmente com idosos e saúde materno-infantil. Hoje cerca de 20% da população gaúcha tem mais de 60 anos. Até 2030 teremos bilhões de reais adicionais investidos na área da saúde. A prevenção precisa ser cada vez mais valorizada porque ela evita sofrimento e reduz a pressão sobre os hospitais.”

Universidades e pesquisa

“Nós não temos absolutamente nenhum problema com as universidades. Ao contrário, queremos trabalhar próximos delas. A Fapergs recebeu, nos governos Eduardo Leite, o maior aporte da sua história. Pesquisa, ciência e tecnologia receberam investimentos recordes e entendemos que esse é um caminho importante para o desenvolvimento do Estado.”

Mão de obra e qualificação profissional

“Nós queremos fazer o maior programa de ensino técnico da história do Rio Grande do Sul. Vamos utilizar recursos do Propag para comprar vagas no Sistema S, como Senai, Senac e entidades ligadas à agricultura. Também vamos comprar vagas nas universidades comunitárias. Além disso, vamos fortalecer e qualificar as escolas técnicas estaduais. A nossa meta é simples: o jovem gaúcho precisa concluir o Ensino Médio já com uma profissão.”

Novo modelo de incentivos

“Nós criamos a Invest RS e queremos direcionar parte desses investimentos para a Zona Sul. Com a reforma tributária, o ICMS será gradualmente substituído pelo IBS. Isso significa que os incentivos fiscais atuais vão desaparecer. Por isso precisaremos construir um novo modelo de atração de investimentos. A ideia é trabalhar com subvenção econômica, ou seja, apoio direto a setores estratégicos para manter empresas aqui e atrair novos empreendimentos.”

Infraestrutura

“Sobre as ferrovias, nós temos divergências em relação à modelagem que está sendo discutida pelo governo federal. Entendemos que é necessário avaliar melhor o projeto antes de avançar. Em relação às rodovias, sou favorável às concessões, desde que sejam bem feitas. Precisamos buscar modelos modernos, com tarifas adequadas e investimentos compatíveis com a realidade regional. Onde for possível investimento público direto, ele deve acontecer. Onde for necessária a concessão, ela deve ser construída de forma equilibrada.”

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