À frente de um setor que movimenta quase R$ 700 milhões por ano e representa 8,1% do Produto Interno Bruto (PIB) de Pelotas, Marcos Fontoura, que foi reconduzido à presidência do Sindicato da Indústria da Construção e Mobiliário de Pelotas (Sinduscon), aponta desafios globais e locais do setor e aposta no diálogo como ferramenta de construção em questões como judicialização urbanística e decretos que restringem construções em áreas baixas.
“O que precisamos é de uma agenda mais propositiva e permanente. Não existe distanciamento entre o sindicato e a prefeitura, mas podemos ampliar esse diálogo para antecipar problemas e construir soluções conjuntas”, avalia. Um exemplo, considerado injusto na visão do presidente, é colocar a culpa das enchentes e outros problemas urbanos nas construções. “Todos os empreendimentos passam por rigorosos processos de licenciamento baseados em legislações municipais, estaduais e federais.” Segundo ele, o verdadeiro problema está no déficit histórico de infraestrutura urbana, que não acompanhou o crescimento das cidades ao longo dos anos.
Geração de emprego e renda
Vista como fundamental para manter a atratividade da cidade para novos investimentos, a segurança jurídica é um dos pontos mais trabalhados dentro do Sindicato. “A construção civil movimenta quase R$ 700 milhões por ano em Pelotas. Precisamos garantir um ambiente seguro para quem investe, sem deixar de lado a preservação ambiental e o desenvolvimento sustentável.” O presidente reforça que a construção civil possui um dos maiores efeitos multiplicadores da economia. “Para cada unidade investida na construção civil, outras 18 são geradas, então quando um empreendimento é lançado, ele gera empregos imediatos, movimenta fornecedores, impulsiona o comércio e transforma o entorno”, afirma.
Deficit habitacional
Diante de um cenário habitacional aparentemente crescente, Fontoura diz que, apesar do crescimento de novos bairros e empreendimentos nos últimos anos, Pelotas ainda apresenta um déficit habitacional significativo. Levantamento realizado pelo Sinduscon em parceria com o Instituto Brain Inteligência Estratégica aponta que a principal demanda está concentrada nas famílias de baixa renda. “A capacidade produtiva das empresas locais é suficiente para atender à demanda. O principal entrave está na ampliação das políticas públicas, no acesso a recursos e na agilidade dos processos de licenciamento”, ressalta.
Atuação
O Sinduscon Pelotas reúne 85 empresas associadas que precisam estar permanentemente atualizadas. Com o compromisso de fortalecer o ambiente empresarial, ampliar a qualificação dos associados e aproximar as empresas locais das principais tendências do mercado da construção civil, a nova gestão dará continuidade do SindusTech, evento que reúne especialistas nacionais e internacionais para discutir inovação, tecnologia e tendências da construção civil.
A terceira edição está prevista para o segundo semestre. “O SindusTech já se consolidou como um dos principais eventos do setor na região. É um espaço de conhecimento, atualização e networking, essencial para preparar as empresas para os desafios do futuro”, destaca Fontoura.
