Como escolher entre os serviços de cuidados com idosos?

corpo e mente

Como escolher entre os serviços de cuidados com idosos?

A decisão entre contratar um cuidador, atendimento home care ou uma instituição de longa permanência depende do nível de suporte exigido pelo paciente

Por

Como escolher entre os serviços de cuidados com idosos?
Familiares precisam estar atentos à adaptação do idoso com o cuidador (Foto: Divulgação)

De acordo com o Censo 2022 do IBGE, o Rio Grande do Sul tem 115 idosos para cada 100 crianças, o maior índice de envelhecimento do país. Em Pelotas, 20% da população tem 60 anos ou mais. Com a inversão da pirâmide etária e a queda no número de filhos, o momento em que as famílias precisam buscar apoio para cuidar de seus idosos torna-se cada vez mais frequente. Mas quando e como escolher alguém para zelar por um ente querido?

O envelhecimento costuma trazer impactos à saúde, como o avanço de problemas causados por doenças crônicas, a redução da mobilidade e o comprometimento cognitivo. Diante da série de desafios causados por quadros de debilidade física e mental, a família precisa de preparo psicológico para se adaptar à nova realidade e, muitas vezes, de auxílio profissional para prestar a assistência necessária ao bem-estar do idoso.

Sinais de alerta para a necessidade de cuidados

  • O enfermeiro especialista em geriatria e proprietário de uma empresa de cuidados home care, Pedro Fernandes, elenca um conjunto de fatores que indicam a incapacidade do idoso de se cuidar sozinho ou com pouca assistência em casa. Entre os sinais mais frequentes estão:
  • Dificuldades para executar tarefas simples da rotina (escovar os dentes, tomar banho e se alimentar);
  • Esquecimentos frequentes;
  • Problemas na administração de medicamentos;
  • Perda de flexibilidade e quedas recorrentes.

De acordo com o enfermeiro, os familiares precisam estar atentos a esses indícios para aumentar o nível de cuidado e suporte ao idoso de maneira preventiva. Isso porque quedas com fraturas, falta de alimentação adequada e a evolução de doenças devido à descontinuação dos tratamentos medicamentosos são situações que podem levar à hospitalização.

Profissionais atuam no suporte à atividades diárias da rotina do idoso (Foto: Divulgação)

Com a internação, frequentemente há uma rápida degradação do quadro de saúde do idoso, seja por causa dos vários dias acamado, dos efeitos colaterais de tratamentos e procedimentos ou da exposição a patologias, como as causadas por infecções.

“É aí que eu preciso entrar com o processo de avaliar esse idoso, avaliar o nível de deterioração da saúde e a progressão desses sinais. Porque, se a gente não intervir nesse momento, quando há uma possibilidade de corrigir esses agravos, acaba estendendo ainda mais essas complicações ao idoso”, explica.

Como iniciar a busca por um profissional?

A regulamentação da profissão de cuidador ainda está em tramitação no Congresso Nacional. Por isso, algumas exigências do familiar podem ser importantes para a contratação de um bom profissional. Pedro Fernandes recomenda verificar o histórico do cuidador e se ele possui formação em cursos específicos voltados ao cuidado de idosos, além de buscar referências de outros contratantes ou optar por profissionais vinculados a empresas especializadas nessa área.

A conexão com o idoso

Além das credenciais e da experiência do profissional, outro fator essencial para o bom desempenho da assistência é a conexão entre o cuidador e o idoso. Em casos em que o paciente mantém a capacidade cognitiva preservada, é importante que ele possa opinar ou escolher o profissional. Caso o idoso apresente algum comprometimento mental, os familiares devem acompanhar os primeiros dias de adaptação com o cuidador e ficar atentos a sinais de insatisfação ou à dinâmica de convivência entre ambos.
“Existem muitas questões, como mulheres que não querem ser cuidadas por cuidadores homens e vice-versa. Entra aí essa questão de, além da avaliação, entender o que o idoso quer”, salienta.

Envelhecimento populacional aumenta a demanda por serviços de assistência profissional (Foto: Divulgação)

O enfermeiro também cita que bons profissionais buscam se adaptar ao ambiente do idoso e construir uma relação de amizade com esse paciente.

“É muito importante que a família esteja presente e avaliando a aceitação do cuidador pelo idoso, percebendo se ele teve esse cuidado de aproximação.”

Além dos casos em que o cuidado precisa ser contratado com urgência, Fernandes orienta que os familiares conversem com o idoso para explicar por que ele precisará ser assistido por um profissional.

“A gente consegue oferecer um cuidado muito mais qualificado, muito mais humanizado quando a pessoa participa disso. Não quando se impõe esse cuidado. Quando ele é imposto, acaba sendo algo meio punitivo”, diz.

Diferença entre o serviço de cuidador e home care

A função do cuidador é auxiliar nas atividades básicas do dia a dia do assistido, como higiene pessoal (banho, escovação dos dentes e corte de unhas), administração de medicamentos por via oral, acompanhamento em atividades como caminhadas e supervisão do bem-estar. O cuidador não pode executar procedimentos e intervenções de saúde, como administração de medicamentos intravenosos, por exemplo.

Cuidador de idosos

  • Atua no apoio às atividades básicas do dia a dia;
  • Tem foco em higiene, alimentação, mobilidade e companhia;
  • Não realiza procedimentos clínicos complexos;
  • Não substitui equipe médica ou de enfermagem;
  • Pode atuar de forma mais flexível (em casa ou em instituição);
  • É indicado para idosos com maior autonomia ou com limitações leves a moderadas.

O home care oferece, em uma única empresa, tanto os serviços de cuidador quanto os de enfermagem para atender às necessidades de saúde do paciente, sejam elas periódicas ou diárias.

“O que difere de contratar um cuidador para o home care é que, contratando apenas um cuidador, você fica restrito àquele tipo de cuidado. Eventualmente, se o familiar precisar de algo mais invasivo ou que exija maior atribuição técnica, vai precisar contratar outro serviço”, destaca o enfermeiro.

Home care

  • Serviço de saúde mais amplo, realizado em casa;
  • Envolve equipe multidisciplinar (médico, enfermeiro, fisioterapeuta, entre outros);
  • Indicado para pacientes com maior complexidade clínica ou em recuperação;
  • Pode incluir procedimentos de enfermagem (curativos, sondas e medicação injetável).

Instituição de Longa Permanência (ILPIs)

Quando os cuidados em casa não são eficazes, o ambiente não oferece condições adequadas para a mobilidade do idoso ou o familiar não consegue prestar assistência durante parte do dia e não dispõe de recursos para custear cuidadores em tempo integral, as Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs) passam a ser uma opção.

Antigamente chamadas de asilos, essas instituições ainda são vistas como tabu por se tratarem de locais de acolhimento permanente. No entanto, são espaços com infraestrutura preparada para atender às demandas da pessoa idosa e garantir assistência plena a qualquer momento.

“Vale lembrar que elas são serviços de geriatria e gerontologia especializados nisso”, diz Fernandes.

ILPIs

  • Assistência contínua 24 horas;
  • Auxílio nas atividades de vida diária, como higiene pessoal, alimentação e vestuário;
  • Promoção da segurança e prevenção de quedas e acidentes;
  • Acompanhamento multiprofissional (enfermagem, fisioterapia, nutrição, entre outros);
  • Manutenção de ambiente limpo, confortável e adaptado.

O enfermeiro salienta que a decisão sobre a internação ou a escolha por outros tipos de assistência é pessoal da família e do paciente. No entanto, o importante é não negligenciar o cuidado com o idoso.

“Porque eu posso achar que consigo executar ou que dou conta, mas o idoso está sozinho, sem cuidado e, muitas vezes, com quadros de saúde avançando, tornando ainda pior a sua qualidade de vida”, diz.

Acompanhe
nossas
redes sociais