O estudo que indica Rio Grande como o eixo central para nortear as rodovias gaúchas é em certo grau positivo para a região, mas ainda insuficiente. É natural priorizar a ligação com o Porto como o destino central das cargas, só que é preciso muito mais. As pouquíssimas rotas vistas como prioritárias na avaliação indicam que o modal ferroviário não será novamente fomentado ao nível que deveria no país. E isso não tem explicação lógica.
O Brasil é um país excessivamente dependente das rodovias e isso deveria ser mudado, mas nunca é observado pelos governos, há décadas. Uma greve de caminhoneiros, crise climática, desastre estrutural ou falta de combustíveis pode parar todo o país a qualquer momento. Quando não há alternativas, ficamos mais suscetíveis a problemas. Fomentar o transporte pelos trilhos traria diversas vantagens, sobretudo logísticas. É um modal que alivia o tráfego nas estradas, possibilita a movimentação de maiores volumes e torna-se mais barato.
O Rio Grande do Sul, pela força produtiva do agronegócio e da indústria, tem como necessidade gritante olhar para os trilhos. O mapa exposto na página 3 de ontem, que mostra algumas poucas linhas cortando o Estado, indica que o uso de trens seguirá voltado a apenas alguns poucos setores, quando poderíamos muito bem estar movimentando até a maior parte da nossa economia de exportação através deste modal. Não é positivo só para a Zona Sul, que teria o Porto ainda mais fortalecido e ganharia competitividade contra outros estados, sobretudo Santa Catarina. Seria bom para todas as demais áreas que conseguiriam alternativa para escoar sua produção.
Uma das grandes forças da economia da região passa pela logística e fortalecer todas as frentes é fundamental para ganhar argumento e competitividade diante de um mercado tão complexo. Quando perdemos força nas ferrovias, toda a nossa economia perde. Por isso, é de extrema necessidade que se esgote a discussão sobre a próxima concessão ferroviária e se lute até o fim por projetos realmente fortes para os trilhos.
