A agroindústria Camponês, de Jóia, no Noroeste do Rio Grande do Sul, participa da 32ª Fenadoce levando queijos artesanais produzidos há três gerações pela mesma família. Em entrevista, o produtor Edemir Valsoler falou sobre a história da agroindústria, os prêmios conquistados e o legado da receita criada por sua mãe, dona Maria.
Como surgiu a produção de queijos da família?
É um trabalho bem familiar. Ele não começa agora, começa em 1965, quando a minha mãe casou e já fazia queijos. Naquela época era muito mais moeda de troca, trocava por açúcar, petróleo [combustível] e outras mercadorias. Depois virou fonte de renda. Nos anos 1990 seguimos produzindo, principalmente queijo colonial e temperado, sendo pioneiros nos temperados. Em 2012 legalizamos a agroindústria e começamos a participar de muitas feiras. Hoje estamos na terceira geração, com o nosso filho produzindo queijos autorais e resgatando receitas da avó Maria.
Quais foram as principais premiações conquistadas?
Todos os nossos queijos maturados receberam medalha de ouro no Rio Grande do Sul. O Missioneiro conquistou a medalha Super Ouro no Estado, em homenagem aos 400 anos das Missões. Em nível mundial, o Sete Povos recebeu medalha Super Ouro no Mundial do Queijo realizado em São Paulo, ficando entre os 20 melhores queijos do mundo. E neste fim de semana nosso filho está em Blumenau e participou do Prêmio Queijo Brasil, onde conquistou mais três medalhas de ouro.
O que representa esse reconhecimento para a família?
Isso é muito gratificante para nós, porque reconhece o esforço do trabalho da família em produzir um alimento de ótima qualidade. O nosso objetivo é oferecer um produto saudável para a população. Esse sempre foi o trabalho da família.
Qual é o diferencial dos queijos produzidos pela Camponês?
É um conjunto. Começa lá atrás, no terroir, nos animais, no ambiente onde as vacas são criadas, com sombra e água fresca. Não é simplesmente pegar leite e fazer queijo. Também passa pelo ambiente familiar, por fazer o produto com amor e carinho. Quando clientes voltam todos os anos e dizem que compram nossos queijos desde a primeira vez que vieram à Fenadoce, isso mostra que estamos no caminho certo. Não é só pelo econômico, é pela satisfação de saber que estamos fazendo um produto de qualidade.
Entre tantos premiados, qual é o seu queijo preferido?
Não tem como recusar o da Vó Maria. Tenho 60 anos e ele me lembra exatamente o queijo que ela fazia. Minha mãe está conosco até hoje e isso me dá muito orgulho.
O que torna o queijo Vó Maria especial?
É um queijo amanteigado, com uma picância maior, que lembra aqueles queijos antigos curados na tábua de pinheiro, no porão. Meu filho não só resgatou a receita, mas também a técnica de maturação. Hoje os queijos são curados em tábuas de pinheiro, numa temperatura que lembra os porões das casas dos imigrantes.
Qual o convite para quem ainda não visitou a Fenadoce?
Primeiro, agradecer quem já veio e já comprou nossos produtos. E quem ainda não veio, fica o convite: venha conhecer, provar os queijos e ouvir as histórias. A feira é uma oportunidade de conhecer os produtos e conversar com quem produz. Estaremos de braços abertos para receber cada um de vocês.
