Depois de 20 anos de espera, finalmente o morador da rua General Bacelar, Claudiomar Duarte, 62, pode ver as valetas da sua rua, no Jardim Europa, bairro Areal, sendo limpas. Ele já havia feito algo parecido na vala da esquina, com sua enxada, mas a retroescavadeira da prefeitura foi bem mais eficiente e assim, a água da rua, que acumulou depois de três dias de chuva, foi escoando aos poucos.
No local, a equipe que atuava na desobstrução dos canos e teve trabalho para retirar terra, lama e até garrafas PET. “Tá ótimo o trabalho. Estão recolocando alguns canos quebrados, mas aqui vai ficar a valeta aberta. Assim já está bom, porque a água tem por onde sair”, comemora o morador.
Assim como no Jardim Europa, equipes da prefeitura atuaram em diferentes bairros de Pelotas para minimizar os impactos do grande volume de chuva registrado entre sábado e segunda-feira. Segundo a Secretaria Municipal de Defesa Civil, somente no dia 20 foram cerca de 58 milímetros de precipitação, concentrados em poucas horas, volume suficiente para provocar alagamentos pontuais e colocar à prova o sistema de drenagem do município.
Na avaliação do secretário municipal de Defesa Civil, Milton Martins, o desempenho da cidade durante o período foi positivo, principalmente porque a previsão inicial indicava um acumulado ainda maior. “A sensação foi de alívio porque o volume esperado acabou não se confirmando. Além disso, os canais de microdrenagem responderam bem. Houve problemas internos em alguns bairros, mas estamos corrigindo essas situações”, afirma.
Entre as localidades que exigiram maior atenção estiveram Vila Princesa, Jardim do Prado, Jardim Europa, Vasco Pires, Fernando Osório, Sítio Floresta e trechos da região da São Paulo e Toussaint. Conforme o secretário, os trabalhos realizados nos últimos meses reduziram significativamente os impactos em áreas historicamente afetadas por alagamentos, embora ainda existam pontos que dependem da continuidade das obras de drenagem e da substituição de tubulações.
Relatório elaborado pela Defesa Civil aponta que, antes mesmo do pico da chuva, equipes realizaram uma ronda em oito pontos considerados críticos para identificar necessidades e definir intervenções. O documento conclui que as frentes de limpeza executadas ao longo do ano contribuíram para melhorar o escoamento da água em diversos bairros, mas destaca a necessidade de manter obras em andamento na Vila Princesa, Jardim do Prado, Getúlio Vargas Leste e região da São Paulo/Toussaint.
O levantamento também chama atenção para problemas provocados por ocupações irregulares próximas aos canais de macrodrenagem, especialmente na região da Manduca Rodrigues e do antigo arroio Santa Bárbara. Segundo a Defesa Civil, essas ocupações podem dificultar o acesso das equipes de manutenção e comprometer o funcionamento do sistema de drenagem no futuro.
Outro desafio apontado pelas equipes é a obstrução frequente da rede por lixo descartado de forma inadequada. Durante as operações de limpeza, servidores retiraram terra, entulho, vegetação e resíduos acumulados nas valetas e tubulações. “É um trabalho permanente. A gente limpa hoje, mas precisa voltar porque o lixo acaba retornando para os canais”, observa Martins.
Enquanto a Defesa Civil mantém o monitoramento 24 horas das áreas de risco, a Secretaria de Serviços Urbanos e Infraestrutura segue nas operações de limpeza e desobstrução de canais, valetas e coletores em bairros como Fragata, Três Vendas, Pântano, Vila Princesa e Sítio Floresta. O Sanep também manteve em funcionamento as sete casas de bombas e equipes de macrodrenagem, responsáveis pelo escoamento das águas durante todo o período de chuva.
Apesar dos transtornos pontuais, o município não registrou desalojados, desabrigados nem ocorrências de vendavais relacionadas ao episódio. A Defesa Civil segue acompanhando os níveis da Lagoa dos Patos e do Canal São Gonçalo, mas, conforme os boletins hidrológicos recebidos pelo órgão, não há indicação de elevação significativa que represente risco imediato para Pelotas.
