O cenário vivido nesta quarta-feira (22) por quase 150 municípios gaúchos, na primeira onda de chuvas causadas pelo El Niño no Estado, acende diversos alertas. Mesmo quase dois anos depois das enchentes de 2024, mesmo com os avisos desde a semana passada, mesmo com a confirmação do fenômeno climático há semanas, a resposta foi longe do ideal. Pelo menos 200 pessoas foram retiradas de casa, o que expõe, pelo menos, algumas falhas. Seja no preparo prévio, afinal, não foram criadas redes de proteção, seja na identificação da necessidade que, talvez, alguns lugares realmente já não sejam habitáveis no Estado.
O clima raramente traz impactos sem aviso prévio. Por isso, a cada vez que falhamos na proteção e perdemos vidas, ou pessoas têm seus lares destruídos, há essa sensação de que a resposta dos órgãos públicos poderia ter sido melhor. Diante do cenário de El Niño forte ao longo dos próximos meses, é fundamental que sejam fortalecidas essas redes. Todos sabemos que vai chover acima da média, principalmente a partir da primavera. Não fazer nada é uma escolha.
Só que o tema climático, infelizmente, está sendo levado para o debate político-eleitoral neste ano. Naturalmente, é sim um assunto que precisa ser encarado de frente e nortear as políticas públicas do Estado, mas sem leviandade. Apenas por politicagem, alardeando e assustando as pessoas, chega a ser uma canalhice diante do trauma que vivemos recentemente. É preciso de uma avaliação estruturada e que se transforme em ações práticas voltadas à proteção de vidas e das estruturas. Apenas a crítica pela crítica e a cobrança descabida sem muita lógica joga o tema para o esgoto.
O Rio Grande do Sul vive uma nova realidade, mais crítica e lamentavelmente perigosa. Corremos o risco de, mais uma vez, perder vidas para o clima. A resposta efetiva é o único caminho, com adaptações estruturais das comunidades e ações prévias de proteção. Apenas prever e avisar se vai chover e o quanto não é o suficiente. As áreas de risco devem ser reestruturadas.
