A 5ª Vara Cível de Caxias do Sul enviou ofícios à OAB e à Corregedoria-Geral da Justiça após identificar a inserção de comandos ocultos em um dos documentos de um processo contra uma instituição. Basicamente, a irregularidade dava “ordens” a um possível programa de Inteligência Artificial (IA) que pudesse estar analisando a petição. O caso não é isolado: esse padrão vem sendo percebido em diversas comarcas Brasil afora. Uma rápida pesquisa no Google entrega diversas histórias que vieram a público. E as que não vieram?
Se a inteligência artificial veio para ficar, e para facilitar processos antes maçantes, ela também já serve de muleta para fraudes e crimes. O judiciário valeu-se muito bem dela para dar agilidade a processos, mas não pode ficar à mercê única e exclusivamente da tecnologia. Recentemente, por exemplo, um magistrado de Minas Gerais assinou uma sentença com fundamentação em processos que sequer existiam. Um servidor pesquisou no ChatGPT, que alucinou, e a ação percorreu toda a cadeia de processo até que, após já assinada, um advogado notou. Ou seja, não houve um olhar humano atencioso. Existiu apenas a IA como muleta para profissionais que ganham uma fortuna dos cofres públicos apenas rodarem um prompt e valerem-se dele. Quem trabalhou, portanto, foi a IA. Não a pessoa.
A história mostra que não adianta ir contra as tecnologias. A Inteligência Artificial é mais um braço que veio para ficar. Mas ela não pode, de maneira alguma, substituir o olhar crítico do ser humano, sobretudo em temas estritamente técnicos. O profissional que terceiriza sua atuação para ela deixa de pensar e deixa de fazer valer seu diploma ou seu nome de mercado, além de expor certa incompetência. Valer-se do facilitador operacional, sim, faz sentido. Quem deixa seu raciocínio e senso crítico ser substituído pela máquina é a pessoa que, aí sim, perderá espaço para a máquina no mercado de trabalho. Além do mais, é fundamental pensar em mecanismos para lidar com fraudes, já que é sabido: toda vez que alguém pensa no desenvolvimento, há uma mente, do outro lado, avaliando como usá-la para fazer o mal.