Retirada de asfalto da rua Lobo da Costa gera questionamentos

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Retirada de asfalto da rua Lobo da Costa gera questionamentos

Trecho no Centro de Pelotas passa por intervenção após deterioração do pavimento

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Retirada de asfalto da rua Lobo da Costa gera questionamentos
Segunda fase prevê nivelamento e recuperação do calçamento (Foto: Júnior Ebersol)

A retirada do asfalto da rua Lobo da Costa, entre a Marechal Deodoro e a General Osório, no centro de Pelotas, reacendeu o debate sobre a utilização de recursos públicos e a preservação do patrimônio urbano. O trecho, que havia recebido pavimentação asfáltica nos últimos anos, voltou a expor o calçamento original em paralelepípedos por decisão da Prefeitura.

Em entrevista à Rádio Pelotense, o secretário de Obras e Pavimentação, Rogério Salazar, afirmou que a medida foi motivada pelo estado de deterioração do asfalto e pela intenção de preservar a pavimentação histórica da região central.

Segundo ele, o pavimento asfáltico apresentava problemas havia bastante tempo, especialmente nas proximidades da agência do Banco do Brasil. “O asfalto não iria comportar muito tempo, mesmo com tapa-buracos. Verificamos que o paralelepípedo que estava embaixo é de boa qualidade e, pela localização no Centro Histórico, a melhor solução foi retirar o asfalto”, explica.

A intervenção será concluída em duas etapas. A primeira consistiu na remoção do revestimento asfáltico. A segunda prevê o nivelamento e a recuperação do calçamento para melhorar a trafegabilidade e o aspecto visual da via.

Investimento

O asfalto retirado havia sido executado com recursos públicos oriundos de emenda parlamentar em 2023, juntamente com obras na rua Visconde de Ouro Preto. O secretário, ao ser questionado sobre a possibilidade de responsabilização da empresa responsável pela obra, diz que os contratos são administrados pela Secretaria de Urbanismo (Seurb).

A Secretaria de Obras concentrou sua atuação na solução técnica do problema. “A valorização correta seria não ter asfaltado aquele trecho. Quando retiramos o revestimento, percebemos que ele praticamente já estava se soltando sozinho, sem aderência sobre a pedra”, observa.

Nova lei fortalece preservação

Salazar destacou que a decisão também está respaldada por uma legislação municipal recentemente aprovada, que restringe a substituição de pavimentos em paralelepípedo por asfalto. De acordo com ele, a orientação da administração é preservar esse tipo de pavimentação sempre que possível.

“O correto é preservar ao máximo o paralelepípedo. Além do valor histórico, é um pavimento extremamente durável”, afirma. O secretário ressalta, porém, que cada situação será analisada individualmente. Segundo ele, apenas locais onde o asfalto esteja bastante deteriorado poderão receber tratamento semelhante. Como exemplo, citou estudos na rua Antônio dos Anjos, entre Gonçalves Chaves e Anchieta, onde o pavimento apresenta deformações provocadas pelo intenso tráfego de ônibus.

Centro histórico é prioridade

O secretário afirmou que a atual gestão pretende ampliar a valorização do Centro Histórico e recuperar outros pavimentos tradicionais no entorno da Praça Coronel Pedro Osório. Ele ressaltou que a nova política busca diferenciar os paralelepípedos históricos das chamadas pedras irregulares, que apresentam maior desconforto para circulação de veículos. Segundo Salazar, a intenção não é eliminar o asfalto da cidade, mas definir tecnicamente qual tipo de pavimento oferece melhor desempenho em cada situação.

Desafios da pasta

Além da polêmica envolvendo a Lobo da Costa, Salazar afirmou que a Secretaria enfrenta desafios estruturais para recuperar a malha viária de Pelotas. Ele destacou que a pasta precisou recuperar a frota de máquinas e equipamentos, sendo que 70% tinha problemas e alguns foi preciso adquirir novos. Além disso, foi possível reorganizar a usina de asfalto e ampliar o orçamento para manutenção das ruas.

Outro problema enfrentado atualmente é a falta de cimento asfáltico. A empresa vencedora da licitação rompeu o contrato após a alta do preço do insumo, influenciada pelo cenário internacional. “Estamos sem produzir asfalto”. O secretário afirmou que o foco da Secretaria de Obras é retomar o funcionamento da usina de asfalto, o que depende da contratação de cimento asfáltico, insumo essencial para a produção. Enquanto isso, as quatro equipes atuam diariamente na recuperação de diferentes tipos de pavimentos, como ocorreu recentemente na ciclovia da Domingos de Almeida.

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