Nesta semana, a atenção volta-se mais uma vez para o clima em todo o Sul do Brasil. A previsão de condições adversas estende-se para territórios da Argentina e Uruguai, com acumulados consideráveis de chuva, temporais acompanhados de rajadas fortes de ventos e possibilidade de queda de granizo.
Na Zona Sul do Estado, órgãos de monitoramento, como as defesas civis, o Centro de Pesquisas e Previsões Meteorológicas (CPPMet/UFPel) e o Centro Interinstitucional de Eventos Extremos (Ciex/Furg), articulam com as prefeituras da região, ações integradas para identificar e mitigar possíveis efeitos adversos de uma condição climática mais severa nos próximos dias.
Esta deve ser considerada a primeira chuva volumosa dentro do período de vigência do El Niño no hemisfério sul. De acordo com o meteorologista do Ciex/Furg, Ricardo Gotuzzo, os padrões atmosféricos estão típicos de quando temos um El Nino ativo.
“Logo, se trata de primeiro episódio de chuva mais volumosa, com um aporte de umidade significativo oriundo da Amazônia, que acaba por ser um ingrediente a mais para que as projeções indiquem chuvas persistente sobre o Estado, por, pelo menos quatro a cinco dias e, com isso, todos os transtornos que vêm acompanhados em episódios de chuva”, afirma.
Dentro das perspectivas iniciais, o meteorologista afirma que, para a região Sul, principalmente Pelotas e Rio Grande, as previsões indicam que a chuva deve se concentrar entre sexta-feira (17) e sábado (18), com valores elevados de precipitação.
Próximos dias
O CPPMet emitiu um aviso de tempestades para esta semana onde as previsões apontam que, a partir desta quarta-feira (15), passará a adentrar sobre o oeste do Estado um fluxo de ar mais quente e úmido, associado a presença de um sistema de baixa pressão atmosférica sobre a Argentina, fator que propiciará elevação nas temperaturas.
Na quinta-feira (16), o escoamento de um ar mais instável se intensifica, desde a região das Missões, passando pelos setores Campanha e se estendendo até a Zona Sul, possibilitando a ocorrência de pancadas de chuva, trovoadas a partir da tarde, acompanhado de rajadas de vento entre 40 e 65 quilômetros por hora, com eventual queda de granizo.
Já na sexta-feira a Zona Sul deve enfrentar a intensificação do escoamento de calor e umidade que possibilita o desenvolvimento de novas áreas de instabilidade, responsáveis pela ocorrência de acentuada nebulosidade, condição persistente de chuva acompanhada de trovoadas esparsas, rajadas de vento de até 65 quilômetros por hora e acumulados de chuva entre 20 mm a 60 mm, com os maiores valores estimados se concentrando sobre o Extremo Sul. A instabilidade atmosférica também pode favorecer a ocorrência de granizo em pontos isolados da região.
De acordo com o CPPMet, no sábado uma frente fria deverá se propagar sobre o Rio Grande do Sul, favorecendo a ampliação da instabilidade, o que poderá resultar em chuvas que expandem sua área de atuação, alcançando outros setores do Estado, e os acumulados diários de chuva podem ficar entre 30 mm e 80 mm sobre a Zona Sul, sendo os registros máximos com maior chance de ocorrência na madrugada.
“Importante ressaltar que esses limiares são decorrentes de rodadas de modelos numéricos de previsão de tempo, os quais sofrem atualizações diárias, podendo ter faixas de precipitação diferenciadas conforme as rodadas forem sendo atualizadas e se aproximando da data do evento em questão”, afirma o órgão em sua nota.
No domingo (19), a atuação conjunta de uma área alongada de baixa pressão atmosférica e o fluxo de ar quente e úmido que se mantém sobre o Estado dão suporte para a formação de novas áreas de instabilidades, mantendo o panorama de mau tempo. Para a Zona Sul, o CPPMet projeta a permanência de muitas nuvens, pancadas de chuva com trovoadas de intensidade moderadas a pontualmente fortes.
Ação conjunta
O coordenador da Defesa Civil Regional (CrepDec4), Márcio Facin, destaca que é projetada uma reunião entre todos os municípios da região Sul com os órgãos de monitoramento das universidades para o compartilhamento das atualizações. “Agora é o trabalho de informar, de preparar todos os municípios para aquilo que nós teremos pela frente”, diz.
Alerta
A Defesa Civil Estadual está, desde a segunda-feira, 13, alertando os órgãos regionais e municipais para a condição adversa que deverá se instalar no Rio Grande do Sul a partir de amanhã.
Diante desse cenário, a orientação é para que a população acompanhe as informações nos canais oficiais da Defesa Civil estadual e das suas cidades.
O risco de chuvas intensas exige atenção às orientações da Defesa Civil e a adoção de medidas preventivas conforme o nível de alerta emitido. Em caso de alerta amarelo (moderado), é importante verificar as condições de calhas, ralos, telhados e árvores; checar, junto à Defesa Civil municipal, se há riscos em sua região; informar-se sobre o histórico de alagamentos, inundações e deslizamentos de terra na área; e acionar a Defesa Civil municipal se identificar bueiros entupidos ou com a tampa danificada.
