Uma pesquisa realizada pelo Serasa aponta que mulheres têm menos reserva de emergência e menos folga no orçamento do que os homens. O levantamento, realizado em parceria com o Instituto Opinion Box, revela que, enquanto 32% dos homens afirmam ter algum tipo de reserva, entre as mulheres, o índice cai para apenas 19%.
Considerada um dos pilares da educação financeira, a reserva de emergência se tornou um desafio especial para o público feminino, onde apenas 17% conseguem manter as contas em dia. Ainda segundo o levantamento, as mulheres representam 50,5% do total de consumidores inadimplentes no país. Na comparação com o mesmo período do ano anterior, a inadimplência feminina cresceu 9,2%, enquanto entre os homens o avanço foi de 7,8%.
Segundo o especialista em Educação Financeira do Serasa, Rodrigo Costa, a renda da mulher é mais comprimida, não necessariamente por gastos excessivos, mas sobretudo por questões estruturais, sobrecarga de responsabilidades e vulnerabilidade econômica. “Chega a ser um estereótipo da mulher que por muitos anos foi tratada na sociedade como aquela figura que gasta compulsivamente. São as mulheres que chefiam a maior parte dos lares. Também são as mulheres que precisam em algum momento abrir mão de suas carreiras para cuidar de seus filhos ou idosos. Quando a gente olha para a fotografia da mulher, tem esse agravante dessa questão estrutural na sociedade onde a mulher brasileira se encontra.”
A importância da reserva
A preocupação de não ter uma reserva financeira de emergência passa, principalmente, pelo uso excessivo do cartão de crédito ou empréstimos em caso de necessidade. “Você fica à mercê das linhas de crédito. Fatalmente vai recorrer ao cartão de crédito, a um empréstimo”, explica.
Para criá-la, segundo Costa, pequenas quantias guardadas mensalmente já possibilitam a criação de uma reserva a médio prazo, o que na maioria das vezes resolve as maiores urgências. “O consumidor tende a acreditar que a reserva de emergência precisa de um grande valor, mas não. Separar uma grana, R$ 50, R$ 100, o menor que seja, num dado momento ele vai ter uma reserva.”
Regra 50-30-20
Uma organização financeira saudável segue a tradicional regra 50-30-20, que divide a renda líquida em três categorias: 50% para necessidades básicas, 30% para desejos e estilo de vida e 20% para prioridades financeiras. “Separar 50% para as contas obrigatórias do mês, 30% para aquilo que entende que é necessário e uma reserva de emergência numa ordem de 20% no mínimo.”
Crédito pode gerar inadimplência
A facilidade de acesso ao cartão de crédito é um dos principais motivos do endividamento. Em muitos casos, segundo Costa, o trabalhador gasta até mais do que recebe. “Considero, sim, que o cartão de crédito captura uma boa parte do dinheiro que seria investido, que seria guardado nessa reserva de emergência.”
Costa avalia que as gerações mais jovens, que concentram uma fatia menor nos índices de inadimplência, tendem a ter um comportamento mais cauteloso financeiramente. “É uma população que tem mais acesso à informação. Também tem a vivência de terem vivido em lares desestabilizados financeiramente e não querem repetir esse comportamento.”
Segundo Costa, a forma mais rápida de sair da inadimplência é observar a saúde financeira com clareza. A avaliação periódica de dívidas pode ser feita gratuitamente no site do Serasa e, o quanto antes for realizado, mais possível pode ser uma renegociação. “ Essa é uma oportunidade que o consumidor pode aproveitar para quitar os seus débitos com descontos diferenciados e voltar mais rapidamente ao cenário de adimplência”, conclui.
