O município de São Lourenço do Sul será objeto do projeto piloto para mapeamento de áreas de risco de desastres climáticos. A iniciativa, do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), através do Gabinete de Mudanças Climáticas (GabClima) e do Instituto de Ciência e Tecnologia (ICT), irá promover a criação de uma ferramenta para ações de prevenção de eventos climáticos extremos. A formalização da parceria deve ocorrer no POA Climate Action Week (POACAW) 2026, de 20 a 26 de julho, em Porto Alegre.
A produção será realizada através da realização de uma prova de conceito (POC) via startups especializadas no desenvolvimento de soluções inovadoras. Os detalhes foram discutidos em reunião, na última semana, entre a prefeitura e a coordenadora do Gabclima, a procuradora de Justiça Sílvia Cappelli, e a diretora do ICT, Letícia Batistela.
De acordo com Capelli, o case de São Lourenço do Sul vai resultar em um produto tecnológico que ficará à disposição dos municípios de todo o Brasil. “Estamos testando soluções que podem apoiar os municípios na prevenção e resposta aos desafios climáticos, além de gerar referências que possam ser replicadas em outras regiões do Estado”. Segundo Batistela, o Estado possui conhecimento tecnológico suficiente para a produção do sistema. “O Rio Grande do Sul possui um ambiente rico em soluções inovadoras. O papel do ICT é aproximar o Ministério Público desse ecossistema e conectar desafios reais a iniciativas com potencial de impacto para a sociedade”.
A utilização de inteligência artificial será um dos pilares da ferramenta que será produzida com o incentivo do BRDE Lab 2.0. “É uma iniciativa desse banco de fomento para estimular startups a criarem inovações conectadas com a resiliência climática. A startup Harvey vai aplicar em São Lourenço do Sul uma tecnologia ligada com a inteligência artificial que vai oferecer quatro diagnósticos científicos e digitais para colaborar com os instrumentos de planejamento de São Lourenço do Sul”, explica o prefeito Zelmute Marten (PT).
SLS prepara Plano Diretor
O prefeito afirma que, diante da possibilidade, o município já está reformulando o Plano Diretor Municipal com foco na adaptação às mudanças climáticas, atendendo a uma recomendação do próprio Ministério Público para municípios atingidos pela enchente de 2024. Segundo o prefeito, o município tem como característica 80% da área urbana em zona considerada de risco, o que põe a cidade sempre em alerta. “É um município que, de 1983 para cá, segundo estudos da Universidade Federal de Pelotas, todos os anos está em situação de emergência ou calamidade em razão de eventos climáticos extremos, que são enchentes, secas, granizos e vendavais.”
Marten garante que o trabalho desenvolvido no município tem recebido reconhecimento do Ministério Público Estadual e de instituições nacionais, colocando a cidade como um case de sucesso no tema. O prefeito atualmente é vice-presidente da Associação Brasileira de Municípios no tema Cidades Resilientes. “Essa função hoje ganha mais destaque em nível nacional no esforço que lançamos na COP30 do federalismo climático.”
Quatro diagnósticos em 120 dias
O trabalho será realizado em quatro etapas com 120 dias de duração. A primeira será diagnosticar a situação de todas as residências de São Lourenço do Sul que estão nas margens do Arroio São Lourenço, Rio Carahá e Lagoa dos Patos. O segundo, será o diagnóstico da situação atual de todos os prédios públicos do município. No terceiro, será feito um levantamento combinado com o plano de contingência local de todos os prédios públicos que são usados durante os eventos climáticos. O quarto será o diagnóstico de cada uma das 350 pontes do município.
