O sonho da piscina da Escola Superior de Educação Física e Fisioterapia (ESEF) da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) está cada vez mais próximo de ser realidade. Foi publicada no Diário Oficial da União a abertura da licitação para a construção da piscina da unidade, uma demanda que atravessa gerações de professores, estudantes e pesquisadores.
A concorrência prevê a contratação integrada para a construção da estrutura em um terreno adquirido pela universidade em 2012, ao lado do ginásio da ESEF. As propostas serão abertas no dia 26 de agosto. A expectativa da instituição é iniciar as obras ainda neste ano e concluir o empreendimento até o final de 2027.
A piscina recebeu investimento de R$ 5 milhões por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Segundo o vice-reitor da UFPel, professor Eraldo Pinheiro, a obra representa uma conquista histórica para a comunidade acadêmica. “É uma estrutura extremamente importante para a nossa comunidade, que há mais de 50 anos luta por ter esse espaço, principalmente para a parte de ensino, pesquisa e extensão”, afirma.
Atualmente, a universidade depende do aluguel de espaços externos para desenvolver atividades aquáticas. Hoje, as aulas e pesquisas utilizam a piscina do Clube Brilhante, o que gera um custo mensal de cerca de R$ 30 mil, além de limitações operacionais. “São recursos que impactam diretamente nas ações e que agora poderão ser aplicados na manutenção da própria piscina e ampliar nossa capacidade de atendimento e desenvolvimento de atividades”, destaca o vice-reitor.
Impacto na formação dos estudantes
A professora da ESEF, Cristine Alberton, pesquisadora reconhecida internacionalmente na área de exercícios aquáticos, explica que a nova estrutura trará mudanças imediatas para a rotina acadêmica. “Vai ser uma grande mudança positiva no nosso dia a dia, no manejo das aulas e na oferta de projetos de extensão e pesquis”, diz.
Segundo ela, a falta de uma piscina própria exige deslocamentos constantes dos estudantes e restringe o acesso a disciplinas e atividades complementares. “Como a prioridade é atender as aulas de graduação, muitos projetos acabam ficando limitados. Ter a piscina dentro da universidade vai facilitar muito o acesso dos alunos e ampliar as possibilidades de formação.”
Atualmente, a estrutura atenderá diretamente disciplinas dos cursos de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional, além de permitir a ampliação de disciplinas optativas, como hidroginástica.
Retomada de projetos para a comunidade
Além dos ganhos acadêmicos, a nova piscina permitirá a retomada de projetos de extensão que foram interrompidos pela falta de espaço próprio. Entre eles estão iniciativas voltadas para crianças com deficiência, pessoas com transtorno do espectro autista, idosos e grupos com necessidades específicas de saúde.
“A gente fazia projetos com crianças com síndrome de Down, autistas e pessoas com deficiência. Também havia atividades de hidroginástica para a terceira idade. Muitos desses projetos foram pausados quando deixamos de ter acesso contínuo a uma estrutura própria”, relembra Cristine.
Com a nova piscina, a expectativa é oferecer aulas de natação, hidroginástica e fisioterapia aquática gratuitamente para a comunidade. “Os projetos de extensão são uma forma de a universidade devolver conhecimento para a população. Agora teremos condições de ampliar muito essa oferta.”
Pesquisa de referência internacional
A nova estrutura também deverá fortalecer uma área em que a UFPel já é destaque nacional e internacional. Cristine está entre os principais pesquisadores do mundo na área de exercícios aquáticos voltados à promoção da saúde.
Ela integra um ranking internacional que reúne os principais nomes da área e desenvolve pesquisas com idosos, sobreviventes de câncer de mama e diferentes grupos que podem se beneficiar da prática de atividades físicas na água. “Hoje fazemos pesquisas importantes, mas dependemos dos horários disponíveis em piscinas alugadas. Com uma estrutura própria, poderemos aumentar significativamente o número de participantes, ampliar os estudos e produzir evidências científicas ainda mais robustas.”
Entre as pesquisas recentes estão estudos com mulheres sobreviventes do câncer de mama e projetos que investigam os efeitos da combinação de exercícios aquáticos com estímulos cognitivos para idosos.
Segundo a professora, o acesso permanente à piscina permitirá ampliar o alcance dessas investigações e fortalecer programas de pós-graduação. “Em todos os pilares da universidade, que são ensino, pesquisa e extensão, nós vamos crescer. Vamos melhorar o que já existe, criar novas iniciativas e reativar projetos que foram interrompidos por não termos uma piscina própria.”
Sonho antigo
A construção da piscina representa a concretização de um projeto aguardado há décadas pela comunidade acadêmica da ESEF. “É uma obra que tem uma importância imensurável para a lógica acadêmica da universidade. Não apenas para os nossos cursos, mas também para inovação, fisioterapia, terapia ocupacional e atendimento à comunidade”, resume Eraldo.
