O mercado está cada vez mais competitivo e exigente. Assim é que o palestrante e consultor, Rafael Belloni, da Belloni Consultoria, definiu o cenário dos negócios na atualidade, em entrevista ao programa Pensar Negócios da Rádio Pelotense. Com um crescimento de mais de 19% no número de empreendimentos, o especialista afirma que o cenário é positivo, mas exige investimento em conhecimento sobre a própria empresa.
Responsável pela empresa pelotense, que está no mercado há dez anos com um trabalho direcionado a auxiliar na gestão organizacional, Belloni explica que a maioria dos empreendedores acaba procurando uma consultoria apenas quando “dói no caixa”. “Quando a pessoa percebe que não está conseguindo ser autossuficiente internamente na gestão da sua empresa, passa a procurar alguém para auxiliar”, diz. Ainda assim, não há casos irreversíveis, apenas de maior necessidade de tomada de consciência por parte das administrações.
O consultor afirma que, com o processo de inclusão das mídias sociais nos negócios e a geração de consciência que esse movimento proporcionou, os empreendedores acabam tendo um acesso muito mais facilitado à insights. Porém, ainda que esteja sendo cada vez mais despertado para essas novas ideias, em alguns momentos não sabe como praticar o que acaba descobrindo, não consegue transformar a sugestão em uma ação prática dentro da empresa.
“O mercado está seletivo, temos uma alta gama de produtos com qualidade, só que as empresas acabam falhando na gestão, por não conseguirem orquestrar essa realidade interna”, afirma Belloni.
Para agir nestes problemas é que o mercado de consultorias tem crescido. Segundo o especialista, o primeiro passo é realizar o mapeamento empresarial, onde o consultor irá entender o cenário atual da empresa, onde ela está inserida, qual o formato de trabalho que existe e qual deveria existir, e compreender a estrutura do negócio, seja organizacional, financeira, administrativa ou comercial. Após este processo, define-se um plano de ação que deverá ser direcionado para as prioridades acordadas entre o mapeamento, a realidade do empresário e suas perspectivas a curto, médio e longo prazo.
Maior erro
Belloni pontua que a gestão ainda é o “calcanhar de Aquiles” dos empreendedores. Segundo ele, no mercado, o que se encontra são pessoas operacional e tecnicamente boas, apaixonadas pelos seus negócios, mas que, quando percebem que precisam de processos internos, por vezes optam por querer solucionar esses problemas de forma reativa, “correndo contra o tempo” para resolver. Após encontrar os profissionais ou terceirizar os serviços, deparam-se com as dificuldades para gerir pessoas e processos. “São pessoas extremamente comprometidas, trabalhadoras. Não é falta de dedicação, mas não tem noção nenhuma de gestão”, complementa.
Na análise do especialista, a falta de gestão e de indicadores para basear as tomada de decisões em um negócio fazem com que o empresário não tenha dimensão da própria empresa.
Maior medo
O medo de falhar em seu negócio, por vezes há gerações na família, em outras sendo um sonho de vida, pressiona o dia a dia do empresariado. Sob esse medo, há casos em que acaba-se criando um empresário centralizador, que considera que concentrar nele mesmo todas as decisões e atividades é melhor que delegar e capacitar. “É mais prático em um curto espaço de tempo, mas quando se tem um processo interno bem definido, ele mesmo faz a gestão das pessoas. O brasileiro é muito trabalhador, mas é pouco gestor”, diz.
Educação Corporativa
É uma estratégia de aprendizado contínuo que alinha o desenvolvimento de habilidades dos colaboradores aos objetivos estratégicos e valores de uma empresa. Ela vai além do treinamento pontual, promovendo uma cultura de aprendizagem, inovação e competitividade através de capacitações internas, o que parte da consultoria e da análise de cenário do empreendimento.
“É transformar ação prática em um resultado ainda melhor. Tem que haver investimento em capital humano, às vezes o empresário está deixando de ganhar por estar investindo pouco”, diz.
