A Estação Ecológica (Esec) do Taim, em seus cerca de 34 mil hectares, abriga cerca de 200 espécies de plantas e mais de 300 animais, compondo um ecossistema diverso. Além do trabalho dedicado à preservação da biodiversidade, a unidade é fonte de geração de emprego na região, com 120 servidores que realizam suas atividades por três anos e, depois, um novo edital é aberto pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
São cerca de 100 servidores concursados e 20 terceirizados. “De equipamento e pessoal a Esec Taim está bem servida. Fechamos agora três editais para contratação de 10 agentes temporários ambientais e mais brigadistas”, detalha o chefe da estação ecológica, Fernando Weber.
O local, que é administrado pelo ICMBio, recebeu recentemente um incremento em equipamentos para auxiliar no trabalho realizado ininterruptamente. Foram quatro viaturas novas, além de duas embarcações e computadores.
Atuação
O chefe da Esec menciona o olhar atento que os ambientalistas estão tendo em relação à formação do El Niño e a possibilidade de agravamento do cenário de chuvas na região a partir do final do inverno. Weber menciona o caso da enchente histórica em 2024, onde o banhado do Taim chegou à níveis históricos e que a água persistia elevada até este o último verão. “O Taim precisa dessa regulação entre regime de seca e cheia, o banhado vive disso”, destaca.
Sobre a extinção de espécies, Weber afirma que é uma situação normal de ser registrada em estações ecológicas e que o fenômeno vem acontecendo de modo mais acelerado nos últimos anos. No entanto, a Esec do Taim registra um movimento inverso, onde as equipes não registraram a extinção de nenhuma espécie, ainda que tenha enfrentado duas situações críticas com a influenza aviária.
O primeiro registro de gripe aviária aconteceu em 2023 e outro neste ano. “O surto de gripe aviária deste ano conseguimos controlar bem rapidamente, em 40 dias conseguimos erradicar, mas a outra [gripe aviária] foi seis meses de duração e afetou centenas de aves e mamíferos marinhos”, diz.
Meio Ambiente
Sobre a preservação do meio ambiente, o chefe da Estação Ecológica do Taim, cita que o Brasil ainda está atrasado, onde somente a parte acadêmica se preocupa com o meio ambiente. “Lógico que tem várias pessoas que se preocupam, mas a maioria da população, talvez por falta de informação, ainda não leva em consideração que a preservação do meio ambiente é fundamental para evitar essas catástrofes climáticas”, reforça. Weber destaca que tudo passa pelo ambiente sadio, e que a saída para mudar este cenário é o investimento em educação ambiental.
Para ele, a legislação ambiental brasileira é bastante moderna, mas que, ainda há atividades ilegais que acontecem dentro em todo o país. “Até dentro de unidade de conservação, que era pra ser as áreas mais protegidas do Brasil, desmatamentos e caças ilegais acontecem. A gente tem que avançar nisso para permitir que as gerações futuras e até a nossa geração tenha um futuro mais digno”, afirma.
A relação agronegócio e meio ambiente não precisa ser de antagonismo, na visão do chefe da Esec, onde a adoção de modos de produção mais sustentáveis pode auxiliar nas áreas cultiváveis sem precisar, necessariamente, aumentar desordenadamente a ocupação de território. “Acaba que eles [produtores] sofrem na pele, essa mudança climática que afeta totalmente o meio de produção. Isso tudo voltando contra eles, então já estão vendo que preservar é melhor”, destaca Fernando Weber.
