Assim como o Theatro Sete de Abril, que há 16 anos permanece de portas fechadas, outros dois prédios emblemáticos do patrimônio da arquitetura pelotense também aguardam projetos e recursos para serem restaurados. A reabertura do Grande Hotel e da Escola de Belas Artes (EBA), da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), depende ainda de aprovação de projetos e licitação para execução de obras.
O palacete da rua Marechal Floriano, esquina com a Barão de Santa Tecla, integra o Centro Histórico de Pelotas e chama a atenção de quem passa pela suntuosidade. A EBA tem significado especial para educadores em Arte e está de portas fechadas há 14 anos, à espera do projeto de restauro, iniciado há um ano. De acordo com a pró-reitora de Planejamento e Administração da UFPel, Aline Paliga, a etapa atual é de trâmites de aprovação dos projetos técnicos pelos órgãos competentes.
Neoclássico
A edificação, de 1881, apresenta estilo eclético com influência neoclássica. No hall de entrada, encontra-se a claraboia, que ainda se apresenta em bom estado, e o piso de pedras portuguesas, um revestimento rústico e irregular composto por pequenos cubos de calcário ou basalto. Ao fundo, uma porta entreaberta revela a escadaria em mármore, com corrimão em madeira. Já a fachada apresenta elementos decorativos típicos, com estuque e gradil, parte dele enferrujado.
“O projeto arquitetônico foi aprovado pelo Iphan [Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional]. As demais aprovações obrigatórias junto aos órgãos competentes já foram protocoladas, encontrando-se em tramitação regular”, sinaliza a pró-reitora, que aguarda análise e manifestação desses órgãos. “Após isso, será possível dar sequência aos preparativos para a contratação da empresa responsável pela execução da obra”, finaliza.
Há um ano, a obra estava orçada em R$ 6 milhões, mas o valor poderá sofrer alterações após a aprovação dos projetos, segundo informa Aline. Construído para ser o palacete do comendador espanhol Faustino Trápaga e posteriormente doado por Carmen Trápaga Simões à Escola de Belas Artes, o prédio ainda preserva detalhes originais. A proposta inicial era abrigar projetos de extensão nas áreas da arte, além de espaço para ateliê e salas multiuso destinadas a apresentações de dança, música e exibição de cinema.
Parte final
Como foi anunciado em outubro do ano passado, está prestes a ser iniciado o processo licitatório para a contratação da empresa responsável pela conclusão da reforma do Grande Hotel, orçada em R$ 9 milhões. Até o momento, aproximadamente 40% do total planejado foi concluído, o que representa quase R$ 4,2 milhões investidos. O prédio, inaugurado em 1928, está fechado desde 2019 e deverá ser a futura sede do curso de Tecnologia em Hotelaria e do Hotel-Escola.
“A comunidade de Pelotas aguarda com expectativa a reintegração dessa importante edificação histórica à paisagem urbana da cidade. Nossa comunidade acadêmica, em especial os estudantes do curso de Hotelaria, que recentemente puderam visitar a obra, está cada vez mais próxima de usufruir da estrutura do hotel”, sinaliza Aline.
