Cadê as obras de prevenção?

editorial

Cadê as obras de prevenção?

Cadê as obras de prevenção?
(Foto: Jô Folha)

Há 23 meses, vivíamos o maior extremo climático da história do Estado. A região deu a sorte – sim, foi competência das autoridades, mas também houve o elemento da sorte – de não perder nenhuma vida, mas os prejuízos são incontáveis: milhares de casas alagadas, dezenas de milhares de pessoas que deixaram suas casas naquele período e a constante sensação de insegurança climática. E o pior: a certeza de que se o extremo climático de maio de 2024 se repetir, tudo será basicamente igual novamente.

Nas últimas duas edições, A Hora do Sul trouxe reportagens que mostram as dificuldades de Pelotas para lidar, ainda hoje, com os extremos. A grande preocupação, que fica escancarada na matéria de capa da última terça-feira, é o empurra-empurra entre prefeitura e governo do Estado sobre a demora para liberação de recursos do Funrigs. Esse é o grande problema da política, que desanima o cidadão: o povo está pouco se lixando para a tramitação, quer respostas. Mesmo entre as notas oficiais e as respostas, fica claro que, no fim do dia, o Laranjal, por exemplo, segue sem dique. O da Estrada do Engenho, baqueado, é a única proteção para toda uma área da cidade.

A tristeza é perceber que, mesmo com aparente boa vontade dos gestores públicos, com muitas reuniões e os mais variados projetos, na prática o tempo andou, já são quase dois anos e a nossa proteção segue frágil. E é aí que a coisa aperta: o cidadão das regiões que alagaram no passado, sem dúvida nenhuma, perde o sono e a paz quando há um alerta de ciclone, como o desta semana, ou anúncio de temporada de El Niño e meses chavosos, como anunciam os institutos meteorológicos.

É fundamental que haja maior celeridade nos processos e que as comunidades sejam envolvidas no processo. Estamos com mais um inverno batendo à porta e os prognósticos não são positivos. O tema climático é um dos mais desejados pelo cidadão para o debate eleitoral que se avizinha, segundo pesquisas. Por isso, é importante que sejam feitas cobranças, mas que principalmente a coisa saia do papel e entre na prática.

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