Banco de Alimentos de Pelotas completa 20 anos no combate à fome

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Banco de Alimentos de Pelotas completa 20 anos no combate à fome

Organização abastece, com mantimentos, 33 instituições filantrópicas

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Banco de Alimentos de Pelotas completa 20 anos no combate à fome
(Foto: Jô Folha)

Com o propósito de garantir segurança alimentar para pessoas em vulnerabilidade social, o Banco de Alimentos de Pelotas completou, em março, 20 anos de atuação. A partir do trabalho de voluntários, a organização arrecada e fornece mantimentos básicos para o preparo de cerca de sete mil refeições mensais em 33 instituições filantrópicas da cidade e região.

Todos os segundos sábados de cada mês, dez voluntários se distribuem entre supermercados e ficam mobilizados das 9h às 18h para sensibilizar a solidariedade dos clientes e pedir doações de alimentos não perecíveis. Dessa forma, o Banco de Alimentos consegue arrecadar, em média, dois mil quilos de gêneros alimentícios básicos, como arroz, feijão, óleo de soja, farinha, leite e açúcar.

A próxima etapa do trabalho consiste em classificar, armazenar e, por último, distribuir as doações. Dessa forma, a organização assegura a alimentação de crianças e idosos carentes, assim como de pacientes em hospitais, pessoas em situação de rua e, inclusive, dependentes químicos em recuperação.

“A instituição nos procura. Nós temos determinados pré-requisitos. Eles preenchem os pré-requisitos. E, a partir dali, nós vemos o que podemos entregar por mês para essa instituição”, explica a presidente do Banco de Alimentos de Pelotas, Sônia Mara Cardoso, sobre o processo de seleção das entidades beneficiadas.

Há quatro anos, Sônia Cardoso se dedica ao voluntariado na organização. (Foto: Jô Folha)

O Banco de Alimentos de Pelotas faz parte de uma rede de bancos com atuação em várias cidades do Rio Grande do Sul. A organização nasceu vinculada ao sistema Fiergs, a partir da união de um grupo de empresários, e a primeira unidade fundada foi em Porto Alegre. Atualmente, são 25 Bancos de Alimentos associados no Estado, abrangendo 31 municípios e seguindo a mesma sistemática de trabalho: levar alimento, saúde e segurança alimentar para as comunidades carentes.

A presidente da entidade assistencial ressalta que os alimentos que chegam às instituições são a base para o fornecimento das refeições, que, na maioria das vezes, são as únicas a que os beneficiários terão acesso no dia.

“É um trabalho essencial para a nossa cidade, do ponto de vista social. Os pais colocam as crianças nas creches para trabalhar, e muitos não têm condições de fornecer à criança todas as refeições durante o dia. Então, durante aquela estadia, elas estão sendo cuidadas e alimentadas”, diz.

Conforme Sônia, após a pandemia, a atuação do Banco de Alimentos se tornou ainda mais necessária devido ao aumento no número de assistidos pelas entidades sociais. A presidente aponta que o crescimento do desemprego colocou famílias que já viviam em situação de vulnerabilidade em um cenário de insegurança alimentar.

“Tem muita gente desempregada ou pessoas empregadas recebendo bem menos, mas a necessidade do corpo permanece a mesma. A necessidade de alimentação, algo tão básico, continua a mesma”, ressalta.

Rede de colaboração

Atualmente, a instituição conta com dez voluntários. No entanto, a rede de solidariedade é bem maior. Entre as entidades que frequentemente contribuem com o trabalho estão as universidades Federal e Católica de Pelotas. Os trotes universitários, geralmente brincadeiras para recepcionar os calouros, foram substituídos por ações de arrecadação de alimentos para o Banco.

Segundo a presidente Sônia Cardoso, quando os estudantes se envolvem, o volume de alimentos dá um salto. “Eles vão conosco para as portas do supermercado para pedir doações de alimentos. É um trabalho muito bonito, porque a gente vê o universitário já tomando consciência da importância da solidariedade na vida das pessoas”, conta.

Seguindo a mesma proposta, a Corrida do Sesi, promovida em diversas cidades do Estado, destina integralmente o valor arrecadado com as inscrições aos bancos de alimentos. Em Pelotas, o evento será realizado no dia 1º de maio. “É gente que contribui para a nossa cidade, contribui para essas pessoas que tanto precisam de algo tão básico”, diz a presidente.

A cooperação dos próprios beneficiados

Para além da contribuição externa, as instituições contempladas com as arrecadações também contribuem para o funcionamento da organização. Na quinta-feira, foi o dia de distribuição do estoque arrecadado durante o mês aos beneficiados. E o trabalho braçal de carregar os veículos com dezenas de fardos de alimentos foi realizado por assistidos da Comunidade Terapêutica Santa Fé Maria de Nazaré.

A instituição, que acolhe pessoas em situação de rua e realiza a reabilitação de dependentes químicos, localizada no interior de Pelotas, fornece todas as refeições aos mais de 60 acolhidos a partir das doações do Banco e, como forma de retribuir, ajuda na logística e em campanhas de arrecadação da organização.

Diretor-presidente da Santa Fé Maria de Nazaré, Domício Mendes Sobrinho explica que os homens que estavam contribuindo são reabilitados. “Eles já têm um tratamento concluído, podem sair na rua e podem nos ajudar. Porque, sem a ajuda do Banco de Alimentos, nós não conseguimos manter a casa. Lá fora, 90% do nosso grupo, do pessoal que está lá, todos são carentes”, explica.

Uma das pessoas que foi receber a doação para sua instituição era Warley Matias da Silva. Auxiliar administrativo do Instituto Espírita Nosso Lar, ele conta que o Banco de Alimentos fornece a base de todas as quatro refeições que são oferecidas diariamente às crianças acolhidas em tempo integral no local. “Nós atendemos crianças de um a cinco anos completos, das 7h30min às 17h. Então, elas têm praticamente todas as refeições do dia lá. E temos mantido essa relação proveitosa com o Banco desde o início”, diz.

Como ajudar

Além de alimentos e das doações feitas nos pontos onde os voluntários atuam, também é possível contribuir de outras formas, como por meio de doações em dinheiro.

Interessados em ajudar podem entrar em contato pelo (53) 2123-8055 ou pelo e-mail [email protected].

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