Pesquisa além de perguntas e números

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Pesquisa além de perguntas e números

Nos 30 anos no IPO, a confiabilidade depende de método, tendo a tecnologia como ferramenta de apoio

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Pesquisa além de perguntas e números
Gisele é uma das fundadoras do instituto (Foto: Reprodução)

Em ano eleitoral e diante de um cenário marcado pela velocidade da informação e pelas frequentes mudanças de comportamento da sociedade, a confiabilidade no produto entregue pelo Instituto Pesquisa de Opinião (IPO) continua sendo sustentada pelos mesmos princípios de 1996: metodologia científica, amostragem representativa e rigor na coleta e análise dos dados.

Na avaliação da socióloga Gisele Miura, uma das fundadoras do Instituto, embora a tecnologia tenha transformado a forma de coletar informações, substituindo pranchetas e questionários em papel por sistemas digitais capazes de registrar local, horário e demais informações das entrevistas, a essência da pesquisa permanece a mesma. “O que garante a confiabilidade não é a ferramenta utilizada, mas todo o processo metodológico. Hoje temos mais recursos para controlar e checar cada etapa da pesquisa, o que fortalece ainda mais a qualidade dos resultados”, afirma.

Para a pesquisadora, um dos principais equívocos em relação às pesquisas de opinião é acreditar que qualquer consulta feita pela internet ou pelas redes sociais representa o pensamento da população. Ela explica que uma pesquisa científica exige uma amostra representativa da sociedade, construída a partir de critérios como sexo, idade, renda e distribuição geográfica, garantindo que os entrevistados reflitam o universo pesquisado.

“Uma das pesquisadoras do IPO costuma dizer que não é preciso retirar todo o sangue de uma pessoa para fazer um diagnóstico. Uma amostra representativa é suficiente. Com as pesquisas acontece o mesmo”, compara.

Gisele destaca ainda que os resultados podem sofrer alterações quando ocorrem fatos relevantes entre a realização da pesquisa e o momento em que determinado comportamento é observado e cita o caso de um detergente muito usado, mas apontou problema em um lote.

Tendências

Ao longo de três décadas, o papel das pesquisas também evoluiu, segundo Gisele. Se no início o foco estava em medir índices de intenção de voto ou preferência por produtos, hoje o desafio é compreender as razões que levam as pessoas a determinadas escolhas. Segundo a socióloga, essa evolução ocorreu em diferentes etapas. Primeiro, os levantamentos buscavam identificar apenas os números. Depois, passaram a investigar os motivos por trás dos resultados.

Atualmente, a preocupação é elaborar as perguntas mais adequadas para captar comportamentos cada vez mais complexos. “As pessoas mudam de opinião com muito mais rapidez. Por isso, nosso trabalho não é prever o futuro, mas identificar tendências de mudança que já começam a aparecer durante as entrevistas”, explica. Para ela, as pesquisas deixaram de ser apenas instrumentos de medição e passaram a orientar estratégias, ajudando empresas, instituições e organizações a compreender transformações sociais antes que elas se consolidem. “Nosso papel é entender o comportamento das pessoas e identificar os sinais de mudança que apontam para novas tendências”, conclui.

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