Sob o lema “Petróleo Gaúcho Acelera Nosso Futuro”, foi instalada, na Assembleia Legislativa gaúcha, a Frente Parlamentar em Apoio à Exploração de Petróleo na Bacia de Pelotas. A partir de abril de 2028, estão previstas perfurações de poços na bacia, para verificar a presença de petróleo ou gás. O trecho compreende a costa marítima do Rio Grande do Sul até o sul de Santa Catarina, e terá a base operacional da Petrobrás instalada em Pelotas.
O projeto, que está em fase de estudos, poderá se tornar o maior ativo econômico da história do Rio Grande do Sul, com potencial de exploração de cerca de 15 bilhões de barris. “Nós estamos falando em uma riqueza de até R$ 6 trilhões. Vamos dizer que seja uma estimativa menor de um terço, que sejam 5 bilhões de barris, que já seria fantástico. Nós estamos falando de uma riqueza de R$ 2 trilhões. É possível estimar que os municípios da nossa região Sul possam ganhar, como royalty, algo em até R$ 180 bilhões”, projeta o proponente da Frente Parlamentar e, agora, presidente da mesma, deputado estadual Halley Lino de Souza (PT).
A Bacia Pelotas é uma área de aproximadamente 40 mil quilômetros quadrados, localizada no Oceano Atlântico com potencial para exploração de gás e petróleo. Apesar do potencial elevado, não há confirmação de reservas comercialmente viáveis até o momento. O processo atual envolve estudos para mapear o subsolo marinho e identificar possíveis reservatórios.
A próxima etapa, considerada mais cara e arriscada, é a perfuração de poços exploratórios, que pode confirmar ou não a existência de petróleo em quantidade economicamente viável. “Não vai só mudar a realidade da nossa região Sul, que tanto precisa de novos investimentos, de uma ação econômica potente, ele vai mudar a realidade do estado do Rio Grande do Sul”, defende Halley.
Sobre a possibilidade de encontrar petróleo na Bacia de Pelotas, o deputado cita outros contextos de sucesso no mundo, que teriam similaridades com a área de exploração na Zona Sul. “Nós temos a certeza que vai se confirmar a existência do petróleo, porque sabe-se da coincidência geológica aqui da nossa bacia com a Namíbia, em frente ao continente africano. Lá se encontrou petróleo e, portanto, há muita possibilidade concreta por aqui”, afirma.
Atuação da Frente Parlamentar
A Frente Parlamentar funcionará como um espaço de diálogo e articulação política, para criar um ambiente institucional favorável aos investimentos na Bacia de Pelotas, e facilitar o diálogo com órgãos reguladores federais.
O grupo defende que os recursos gerados pela exploração da Bacia de Pelotas devem financiar uma transição energética justa, garantindo investimentos em energias renováveis, qualificação profissional e programas de apoio às comunidades afetadas. “Buscamos estabelecer nesta Frente Parlamentar a ideia de que também é necessário que este dinheiro financie a necessária transição energética, porque os combustíveis fósseis têm tempo para terminar e o dinheiro, que é volumoso, precisa subsidiar a transição energética para as novas matrizes”, projeta o deputado.
A Frente Parlamentar foi autorizada por 20 deputados e pretende iniciar o debate do planejamento estratégico da riqueza que poderá chegar para a região Sul. “Queremos despertar a necessidade de discutirmos este grande ativo que nós temos, que não é apenas de Rio Grande, de Pelotas ou da nossa região, é uma riqueza do povo brasileiro”, diz.
Desafios
Para o planejamento de consolidação de um investimento desta magnitude, o presidente da Frente Parlamentar em Apoio à Exploração de Petróleo na Bacia de Pelotas, defende que seja elaborado um projeto estratégico que pense especificamente na estruturação e aplicação dos recursos na região Sul e no Estado. “Talvez essa seja uma oportunidade de compreender esse processo. É muito volume [de dinheiro], nós temos que adensar cadeias econômicas, preparar as estruturas de serviços públicos, temos que trabalhar com a capacidade dos modais de transporte e melhorar aeroportos”, afirma Halley.
Oportunidade
Um dos aspectos mais significativos de uma possível exploração de petróleo em Pelotas é o potencial de geração de 300 mil empregos diretos e indiretos. Esses postos de trabalho abrangeriam desde operações de exploração até serviços correlatos, infraestrutura, logística e setores de suporte.
A exploração na região é vista como uma oportunidade histórica para o aumento da arrecadação tributária, fortalecimento da cadeia produtiva local e posicionamento do Rio Grande do Sul como protagonista na matriz energética nacional.
