Como dar os primeiros passos no mundo dos investimentos com segurança e sem cair em armadilhas? O economista Eugênio Rosa, sócio-diretor da Garantia Investimentos e pós-graduando pela USP, desmistifica o mercado financeiro e garante que não é difícil e que os investimentos podem começar bem baixos. Com mais de 20 anos de experiência, o especialista orienta quem deseja começar com pouco dinheiro e explica a importância de identificar o perfil de investidor.
Qual é o maior receio das pessoas que querem começar a investir hoje? Ainda é a falta de informação?
Acredito que sim, mas, por outro lado, existe também o excesso dela. Hoje, antes do meio-dia, as pessoas já são bombardeadas com uma enxurrada de ofertas, produtos, recomendações de ações e análises de cenários macroeconômicos. O investidor iniciante pode ficar sem saber para qual lado se direcionar. O celular é uma ferramenta maravilhosa, mas também traz a tentação de clicar em anúncios bem estruturados que, no fundo, podem ser golpes envolvendo dinheiro.
Investir dinheiro é muito complicado para quem está dando os primeiros passos?
Como profissional com mais de 20 anos de experiência, eu diria que começar realmente pode parecer assustador. Por isso existem os profissionais da área. Nós, na Garantia Investimentos, somos associados a grandes corretoras como a Necton e o BTG Pactual, e contamos com times de analistas capacitados para ler o cenário, entender o que influencia as taxas de juros e buscar a informação correta para que o cliente não corra riscos desnecessários.
É preciso ter muito dinheiro para começar a investir ou existe um valor mínimo?
Não existe um valor mínimo. Quem está começando encontra produtos adequados a partir de 50 reais. O planejamento faz parte do nosso trabalho: quando um futuro cliente nos procura, a primeira iniciativa é realizar uma análise do seu perfil de investidor. Isso define se o produto mais adequado é de renda fixa (mais conservador) ou se ele pode investir um pouco em ações e se expor a um risco maior.
Como o investidor deve lidar com a relação entre risco e perda?
É importante salientar que existe uma diferença muito grande entre risco e perda. Da maneira que trabalhamos, focamos em proteger o patrimônio. Antes de olhar o quanto o cliente pode ganhar, nós medimos o que está em risco para evitar surpresas desagradáveis. Não adianta ter 50 reais e aplicar em algo que não trará rendimento positivo ou que fará a pessoa se apertar financeiramente depois. Entender o perfil de risco é a dica número um.
Quais fatores influenciam a escolha do produto certo para cada pessoa?
A análise de perfil é fundamental para direcionarmos os produtos adequados. Precisamos saber se os objetivos do cliente são de curto, médio ou longo prazo. Cada opção do mercado tem fatores específicos que influenciam sua oscilação e variação de preço. Alinhamos isso para direcionar o investimento de acordo com a situação e a expectativa de cada um.
Muitas pessoas buscam o enriquecimento rápido. Qual é o principal erro nesse sentido?
Com o celular, o acesso a ofertas generosas é imenso. É preciso ter em mente que promessas de ganhos muito fáceis e rápidos normalmente embutem riscos altíssimos ou são golpes. Um exemplo atual são as apostas (bets), que são jogos e não têm absolutamente nada a ver com investimentos. O investimento consciente é bem estudado. Para quem tem valores maiores, o ideal é montar uma carteira diversificada com produtos não correlacionados. Se você investe em coisas que sofrem as mesmas influências, quando um perde, todos perdem.
O público atual tem buscado investimentos com foco em prazos maiores ou ainda predomina a busca por rentabilidade rápida?
Hoje, a maioria já pensa no médio e longo prazo; aquela ilusão de enriquecimento rápido diminuiu. Quem investiu em ações no início do ano e precisasse resgatar no meio do ano, por exemplo, perderia dinheiro porque a bolsa oscilou para baixo. O mercado antecipa notícias boas e ruins. Quando tudo parece excelente para investir, geralmente é o momento em que os profissionais estão saindo e retirando os lucros. Nosso papel é dar esse auxílio.