Um dos ingredientes principais de uma dieta balanceada está pesando mais no orçamento da família. O preço da carne tem chamado a atenção dos consumidores que buscam alternativas para não deixar faltar a proteína. De acordo com a tabela da Ceasa RS, no comparativo de maio deste ano para o mesmo período em 2025, a média de aumento ficou entre R$ 4,00 e R$ 6,00 para cortes comuns, sendo que a carne moída de primeira pode chegar a R$ 45,00. Um acúmulo de alta de 5,68% em 12 meses, acima da inflação oficial do país (IPCA de 4,14%). Já a paleta e a agulha, ótimas para carne de panela e sopão custam em média R$ 35,00 o quilo, dependendo do estabelecimento e do dia de oferta.
Especialistas dizem que o aumento em 2026 se deve à pressão, principalmente pela menor oferta de animais para abate, aumento das exportações e custos maiores na cadeia produtiva. Já em alguns levantamentos do setor agropecuário, certos cortes e a arroba do boi registraram aumento ainda mais forte, chegando a mais de 20% em poucos meses. Ainda com base na tabela da Ceasa RS, no comparativo de preços as carnes que tiveram os maiores aumentos foram os cortes ovinos e o filé mignon, com 38% e 24% respectivamente.
O responsável pelo controle de qualidade das carnes La Hacienda, supermercados Guanabara, o veterinário Paulo Fernando Wenzel Ferreira, explica que o aumento no preço da carne é provocado principalmente pela baixa oferta de gado, agravada pela seca que interfere na pastagem e pela redução no envio de animais do Brasil Central para o Rio Grande do Sul. Ele explica que, embora o consumo tenha diminuído um pouco por causa dos preços mais altos, a queda na oferta é ainda maior, dificultando o abastecimento dos frigoríficos. Além disso, o crescimento das exportações também influencia o cenário. “A falta de oferta é muito grande, muito maior que a diminuição na demanda”, destaca Ferreira.
O efeito já aparece nos supermercados e açougues, levando muitos consumidores a trocar cortes bovinos por frango e carne suína. A aposentada Regina Pereira, 73, é consumidora de cortes como a paleta, mas com a alta dos preços, admite substituir o produto. “Eu gostava muito da paleta do sete, parei de usar. Subiu muito”, relata. O frango é a alternativa atual. Até mesmo a carne moída entrou na lista de adaptações. “A de primeira está quase o preço da carne patinho, aí eu vou para a de segunda”, explica.
A agricultora e estudante de artes visuais Maria Rosália dos Santos, 65, se apavorou com o preço do colchão mole e garante que o aumento no preço da carne tem pesado no orçamento das famílias, especialmente para quem vive de salário. “Muito cara, muito cara. Nem parece que a gente cria, que a gente tem criadores aqui”, comenta. Segundo ela, cortes bovinos ficaram praticamente inacessíveis. “Chegar e comprar um colchão mole a R$ 56, R$ 57 quase…, impossível. Eu vou só nas promoções ou opções mais baratas, como carne suína e frango.

(Foto: Jô Folha)
Sopão também está mais caro
O extensionista rural da Emater/RS-Ascar, engenheiro agrônomo, César Roberto Demenech, explica que culturas como tomate, cebola e cenoura sofrem influência tanto do clima quanto da dinâmica nacional do mercado. Segundo ele, o tomate da região entra agora em fim de safra por causa do frio e da geada, que dificultam o amadurecimento. Apesar disso, o preço pode variar porque outras regiões do país seguem produzindo e abastecendo o mercado. Por enquanto, a média do quilo do fruto está entre R$ 10,0 e 12,00.
Ele destaca ainda que a cebola, antes uma grande referência da Zona Sul, perdeu espaço para a produção de outros estados e até da Argentina. Nos últimos anos, houve excesso de plantio em várias regiões do país, o que derrubou os preços e prejudicou os produtores, mesmo em anos de boa safra. Sobre a cenoura, Demenech conta que o calor dificulta a produção no verão, o que ajuda a elevar os preços. Com a chegada do frio, a tendência é melhorar a produção de folhosas, couve, repolho e também da própria cenoura.
Clima
O extensionista afirma ainda que o frio atual prejudica culturas como tomate e pimentão, mas beneficia frutas de clima temperado, como pêssego, ameixa e maçã, que precisam de horas de frio para se desenvolver. Ele também lembra que a produção local hoje depende menos apenas do clima regional e mais da oferta nacional, já que produtos chegam rapidamente de outras regiões do Brasil. Neste cenário, produtos como tomate e cenoura poderão ter uma redução no quilo nos próximos meses.
