A movimentação de turistas durante a 32ª Fenadoce trouxe novamente à tona dúvidas sobre a preparação de Pelotas para receber visitantes. Ao perceberem a chegada de excursões e o movimento em pontos turísticos, dúvidas sobre o funcionamento de serviços e atrativos surgiram, principalmente aos finais de semana.
Um dos relatos aponta desafios no Centro Histórico. Segundo Jefferson Dieckmann, no último fim de semana, turistas não conseguiram acessar alguns serviços durante na cidade. “Os turistas não encontraram sequer um caixa eletrônico para fazer saques no centro da cidade, além de se depararem com museus, cafés e restaurantes fechados”, relata.
No Laranjal, Nilmar Santos chama atenção para a recepção aos visitantes. Segundo ele, ônibus de excursões estavam no trapiche, mas faltavam opções para aproveitar a viagem. “Era para ter um café na praia, com os doces de Pelotas, com um grande outdoor na entrada do Laranjal saudando os visitantes”, cita ideias.
Ele também conta que alguns estabelecimentos não estavam funcionando no momento da visita. “A antiga Padaria Aveiro, as lojas do Shopping Mar de Dentro e até os food trucks do trapiche [estavam fechados]”, comentou.
História atrai, mas falta explorar
O potencial turístico da cidade foi o motivo que fez Fernando da Silva, 60 anos, dirigir por 430 quilômetros entre Nova Prata e Pelotas. Ele trouxe a família para conhecer o patrimônio histórico, a arquitetura e demais atrativos. “A gente valoriza esses aspectos culturais e antigos que Pelotas tem”, conta.
No entanto, na leitura dele, a cidade poderia aproveitar melhor essa característica. “A gente vê muitos dos prédios sem a manutenção. Poderiam receber cuidados mais adequados. Eu acho que isso atrapalha o potencial turístico da região”, avalia Fernando, que considera o turismo uma alternativa econômica para o município.
Sebrae defende planejamento conjunto
Para a gestora de projetos do Sebrae RS, Jussara Argoud, que também integra o Conselho Municipal de Turismo, o desafio é organizar a recepção aos visitantes. “Não adianta a gente atrair o fluxo de turistas para cá, fazer uma promoção da cidade, e as pessoas chegarem aqui e não conseguirem entrar nos atrativos”, afirma.
A solução, segundo Jussara, passa por uma articulação entre diferentes setores envolvidos no turismo. “As lideranças têm que sentar, conversar e buscar resolver”, avalia. “Ninguém quer passar só na frente. As pessoas querem ter experiências diferentes quando chegam num destino”, ressalta.
Mercado Central tem dificuldades
Um dos espaços mais procurados pelos visitantes é o Mercado Central. O presidente da Associação dos Permissionários, Guilherme Fiss, explica que o local tem funcionado aos domingos, mas boa parte das bancas permanece fechada, o que frustra os turistas. “O mercado não está fechado. As lojas que estão abertas estão trabalhando. Dá a impressão de que está fechado porque tem 23 lojas fechadas”, explica.

Parte das bancas do Mercado Central não abrem aos domingos. (Foto: João Pedro Goulart)
Fiss diz que a abertura aos domingos envolve questões como escala de funcionários e custos. “Tem gente que tem muitos funcionários. Domingo se paga dobrado, então geralmente o pessoal opta por não abrir”, relata.
Os permissionários têm buscado soluções para melhorar a chegada dos turistas. Para esta Fenadoce, foram estruturadas áreas para embarque, desembarque e estacionamento de ônibus de turismo no entorno do Centro Histórico.
Prefeitura diz trabalhar na estruturação
Em nota, a prefeitura reconhece a demanda e considera a situação uma oportunidade de melhoria. O município informou que mantém diálogo com entidades do comércio para estimular a ampliação dos horários de funcionamento, especialmente em períodos de maior movimento, como eventos e feriados.
A prefeitura também destaca que utiliza a Fenadoce como uma oportunidade para divulgar outros pontos turísticos da cidade. Durante a feira, são distribuídos mapas, roteiros integrados e materiais informativos para incentivar os visitantes a conhecerem o Centro Histórico, o Laranjal e outros atrativos.
Além disso, durante a Fenadoce, foi instalado no Mercado Central um Centro de Apoio ao Turista (CAT), voltado principalmente para guias e motoristas de ônibus, com informações e suporte aos visitantes. O atendimento ocorre de segunda a sábado, das 9h às 18h, e aos domingos, das 10h às 15h.
