E se, no mundo da imaginação, os tradicionais doces de Pelotas ganhassem vida, como eles seriam? No universo da literatura, quindim, ninho, olho de sogra, bombom de morango e figo cristalizado, contam a história da cidade e dos prédios históricos ao lado de Dona Quindinha e da formiga Docília. Responsável por dar vida a esses personagens, Jorge Braga é autor de literatura infantojuvenil e um entusiasta na formação de novos leitores.
Contar de forma lúdica e acessível a história de Pelotas, dos doces e ser a inspiração do tema da 32ª Fenadoce foi mais um incentivo para que ‘Doces Aventuras de Pelotas’ chegasse, de forma gratuita, a crianças e jovens das escolas que visitam a feira nesta edição. O livro serviu de inspiração para uma apresentação dos personagens que encanta o público no Centro de Eventos.
Como surgiu a ideia da concepção do livro?
Na feira do ano passado a CDL me procurou para fazer este convite porque queriam trazer um lado lúdico para esta edição. Depois de muitas reuniões e ideias junto com a Mariana Pouey, que fez as ilustrações, e com o Valder Valerão, o diretor de arte, chegamos na edição final do ‘Doces Aventuras de Pelotas’.
O livro foi adaptado para o palco. Como está sendo a repercussão?
Tanto o livro quanto a peça estão fazendo o maior sucesso. O depoimento das crianças com o colorido dos personagens no palco e também das poucas frases no livro, que era uma das ideias porque infelizmente hoje perdemos a atenção das crianças para o celular. Então a ideia era ser lúdico, colorido, com pouco texto e estou muito feliz com o resultado.
Como autor infantojuvenil, qual o maior desafio em tirar as crianças da frente das telas?
Fazer uma narrativa lúdica e mágica voltada para um público infantil e encontrar uma maneira de captar a atenção e também oferecer conhecimento. Em 2004, no ‘Dedé Buscapé e os Morangos’ havia muito mais texto do que ilustração e deu certo na época porque não éramos tão dependentes da tecnologia. Hoje penso o livro diferente, com pouco texto e mais ilustrações, infelizmente.
Qual a percepção dos adultos com a história que é voltada ao público jovem?
Ela tem envolvido todas as idades, o livro caiu no encanto do público. Nesses primeiros dias de feira, algumas professoras sinalizaram que desejam levar a peça para a escola. Sempre fui um defensor de que os ensinamentos que são transmitidos em sala de aula a criança leva para o convívio dentro de casa. Por meio dos livros conseguimos pincelar valores para as futuras gerações. Serão 11 mil exemplares com distribuição gratuita na Fenadoce, isso não tem preço.
Qual o sentimento de se dedicar há quase 30 anos à literatura infantil?
É muito gratificante. Eu não tenho filhos e me identifico muito com as crianças. Desde sempre existe uma identidade muito bacana entre ambos e saber que as histórias ganham vida além dos livros, é um incentivo a mais na minha trajetória. Na Fenadoce o sentimento é um pouco diferente porque, como autor, sempre imaginei que o reconhecimento ao meu trabalho viria por conta de prêmios ou homenagens, o que nessa caminhada acabou acontecendo.
Porém, ver o teu livro ganhar vida em um palco como peça de teatro é algo extremamente emocionante. Me emociono na plateia como expectador e ainda mais ao ver a reação das crianças e dos adultos. Além disso, acredito que isso é um grande legado também que a feira deixa para os adultos, para entender e respeitar cada vez mais o nosso legado, a história dos doces, a história das pessoas que trouxeram as receitas e quem mantém tudo isso, que são as doceiras.