O Rio Grande do Sul voltou a viver o drama das enchentes, após as primeiras chuvas volumosas do El Niño, e todas as atenções se voltam para os níveis dos rios em várias regiões do Estado. O Vale do Taquari foi um dos mais atingidos, com ao menos oito municípios impactados diretamente pela elevação do nível dos rios. Até esta quinta-feira (23), mais de 1,6 mil pessoas precisaram sair de suas casas por conta das cheias.
O cenário, que remonta aos gaúchos o princípio das enchentes vividas em 2024, causa preocupação para a população de outras regiões que formam o caminho por onde o excedente das chuvas deverá passar até desaguar no Oceano Atlântico.
Com monitoramento constante das condições de nível e vazão da Lagoa dos Patos, o Centro Interinstitucional de Observação e Previsão de Eventos Extremos (Ciex/Furg), tranquiliza a comunidade da região Sul quanto aos próximos dias.
De acordo com a coordenadora do Ciex/Furg, Elisa Fernandes, as águas da metade norte do Estado demoram cerca de sete a dez dias para chegar até a Zona Sul. No entanto, as condições hidrometeorológicas são favoráveis para o bom escoamento dos excedentes hídricos. “A previsão meteorológica para o norte do Estado indica que não teremos, até domingo, acumulados grandes de chuva. Os rios estão baixando na região dos Vales e Guaíba não deverá atingir a cota de inundação no centro. Não devemos ter impactos significativos na nossa região”, diz.
Rio Grande
A prefeitura do Rio Grande, por meio da Defesa Civil, afirma que está monitorando a situação do alto volume de chuvas registrado no Rio Grande do Sul, e que, até o momento, o cenário não gera preocupação imediata para o município. “Queremos tranquilizar a comunidade, dizer que o município está trabalhando intensamente, e que nossa Defesa Civil está atenta, fazendo todo o monitoramento. Qualquer alteração será informada à comunidade e as medidas necessárias serão tomadas”, afirma a prefeita Darlene Pereira (PT).
De acordo com o secretário-executivo da Defesa Civil, Anderson Montiel, o contexto geográfico do Vale do Taquari favorece a ocorrência de enxurradas, o que é bastante diferente da realidade local. “Existe uma grande diferença entre o Vale do Taquari e a Lagoa dos Patos. O Vale do Taquari é como um canal, que tem elevação e redução de níveis com muita rapidez, caracterizando a enxurrada. Isso não acontece na nossa bacia hidrográfica, que tem um perfil mais espraiado. Nossas equipes estão nas ruas, de prontidão, e estamos monitorando também através do sistema hidrográfico”, explica.
Segundo o vice-prefeito e coordenador da Defesa Civil, Renato Gomes, desde sexta-feira (17), o setor tem observado toda a cidade, bairros e áreas mais suscetíveis a impactos na orla da Lagoa dos Patos. “Todo esse volume de água está sendo vigiado e queremos tranquilizar a nossa comunidade. Sabemos que existem zonas bastante sensíveis e vamos continuar alerta, trabalhando, para informarmos a população caso esse cenário mude”, ressalta.
Situação do Guaíba
Na avaliação da MetSul Meteorologia, a soma da vazão dos rios Gravataí, Taquari, Caí, Sinos e Jacuí fará com que o Guaíba suba mais, após ter iniciado a trajetória de alta na quarta-feira. Com a chegada de maior vazão, o rio pode romper a marca de dois metros no Cais Mauá e seguir subindo até o fim de semana. Há risco de cheias para a região das ilhas de Porto Alegre, mas não de transbordamento no Centro Histórico.
No início da noite de ontem, a Defesa Civil Estadual emitiu um alerta de risco alto para elevação no rio Guaíba e a possibilidade de atingir a região das Ilhas. O alerta é válido até às 17h30min de hoje.
