Os dados da Serasa, referentes ao mês de junho deste ano, expõem um número estarrecedor: nunca antes o Brasil teve tantos inadimplentes. São 83,7 milhões de negativados, número que vem subindo mês após mês, com 18 altas consecutivas. A maioria das pessoas com nomes restritos estão em plena idade produtiva, entre 41 e 60 anos. Na sequência, aparecem aquelas com idade entre 26 e 40 anos. Juntas, essas duas faixas etárias representam 69% dos devedores brasileiros. .
Isso significa que, na prática, metade dos brasileiros adultos está endividada. Os fatores são muitos, passando pelo baixo poder aquisitivo, dificuldades no mercado de trabalho, aumento do custo de vida, entre outros. Mas há um ponto que é crucial nisso: há falta de educação financeira, e isso se transforma em uma bola de neve que está colocando as finanças da nossa sociedade na beira de um abismo. Os impactos são sentidos em todos os segmentos da economia e, obviamente, dentro dos lares. Famílias endividadas passam mais necessidade, consomem menos e enfrentam perrengues. Onde isso vai parar?
O tema, que deve ser um dos principais nos debates eleitorais que se avizinham, precisa ser encarado de frente. Ou o Brasil encontra um jeito de estancar a sangria, recuperar o fôlego econômico da população e fazer a economia voltar a circular, ou o futuro é nebuloso. O problema, que se amplia ano após ano, não pode se limitar a discursos e críticas. Precisa ser enfrentado com um projeto estruturado de gestão, seja quem for o próximo presidente. Um país que consome pouco e se endivida muito está fadado à falência e ao aumento da pobreza.
Mas tudo isso precisa vir com educação. A matéria da página 14 da edição deste final de semana do A Hora do Sul é assustadora. Os boletos estão voltando em muitas lojas, não como um modelo de negócio, mas como uma maneira de facilitar a venda para negativados. Por outro lado, as financeiras “bancam” a compra, a bola de neve de dívidas aumenta e o buraco da economia vai ficando ainda maior. Se isso não for estancado, o futuro é muito temerário.