A confirmação da manutenção da tarifa adicional de 25% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros atingiu também o arroz, que ficou de fora da lista de exceções anunciada pelo governo norte-americano. O impacto se concentra principalmente no Rio Grande do Sul, porque o Estado responde por cerca de 70% da produção nacional de arroz e abriga praticamente toda a indústria exportadora de arroz beneficiado. A metade Sul concentra aproximadamente 90% dessas exportações, tendo Pelotas como um dos principais polos industriais. O mercado americano é o terceiro maior comprador do arroz beneficiado brasileiro, absorvendo quase 20% das exportações desse produto.
Em 2025, o Rio Grande do Sul exportou US$ 447,7 milhões em arroz para o mercado internacional. Desse total, US$ 15,2 milhões tiveram como destino os Estados Unidos, o equivalente a 3,4% do valor exportado. Em volume, foram embarcadas 18,81 mil toneladas, representando 1,49% das exportações gaúchas.
Segundo o diretor comercial da Expoente Agronegócios, Guilherme Gadret, algumas cadeias foram beneficiadas com exceções tarifárias, mas o arroz permaneceu entre os produtos atingidos. Segundo ele, as empresas que já atuam no mercado americano terão de buscar alternativas para manter presença no país. “As empresas que exportam para os Estados Unidos sofrerão. Agora precisam achar caminhos para tentar manter ao menos parte dos seus negócios. Cortar na ‘carne’ às vezes para manter a marca lá, não sair totalmente do mercado. O importador, por outro lado, precisa também querer manter a origem Brasil e tirar margem para conseguir ainda colocar o produto de forma competitiva no mercado interno. Não é fácil esta equação”, avalia.
O assessor de Relações Internacionais da Farsul, Renan Hein, lembra que os Estados Unidos são concorrentes do Brasil no mercado internacional de arroz e, por isso, não figuram entre os principais compradores do produto brasileiro. Mesmo assim, ele considera que a perda é significativa diante do cenário vivido pelo setor. “É uma perda relevante. Ainda mais para o arroz que precisamos exportar o máximo possível.”
Hein ressalta que o mercado enfrenta uma crise de preços e que ampliar as exportações é uma das principais formas de reduzir a oferta interna e favorecer a recuperação das cotações. “Temos uma crise de preços no arroz, por isso é importante exportar, tirar oferta do mercado interno para melhorar o preço. Então, mesmo não sendo um grande mercado importador de arroz, é um movimento na direção contrária”, explica.
MP autoriza renegociação de dívidas rurais com prazo de até dez anos
Foi publicada nesta quinta-feira a Medida Provisória 1.376/2026, que autoriza a renegociação de dívidas de produtores rurais e substitui o projeto de securitização previsto no PL 5.122. A medida beneficia agricultores que sofreram perdas de safra entre 2019 e 2025. Os produtores terão até 12 de novembro para contratar um novo financiamento destinado à quitação das operações antigas, com taxas de juros entre 5% e 12% ao ano e prazo de pagamento de até oito anos.
As condições variam conforme o perfil do produtor. Agricultores familiares poderão renegociar até R$ 500 mil, com juros a partir de 5% ao ano. Para mini, pequenos e médios produtores, as taxas variam entre 8% e 12%, enquanto os demais produtores poderão contratar até R$ 8 milhões. Nos casos de perdas mais severas, especialmente em regiões atingidas pelas enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul, o prazo de pagamento poderá chegar a dez anos. A expectativa do governo é que mais de R$ 100 bilhões em dívidas rurais sejam renegociados. A MP já está em vigor, mas ainda precisa ser analisada pelo Congresso Nacional, que terá até 120 dias, descontado o período de recesso, para decidir se a transforma em lei.
