O Brasil precisa repensar o futebol

editorial

O Brasil precisa repensar o futebol

O Brasil precisa repensar o futebol
(Foto: Fifa)

Das coisas que não importam, o futebol é a mais importante, cravou certa vez o técnico italiano Arrigo Sacchi. Certeiro. Para o brasileiro, é de primeira importância ver a Seleção bem, craques dominando o mundo e, o mais importante: seu time vencendo. Só que hoje o nosso futebol vive uma situação delicada, e isso nem é uma afirmação de desapontamento após a recente derrota em mais uma Copa do Mundo. É o que a desconexão entre o esporte e o país em que vivemos tem trazido. A Copa só expõe isso no maior dos palcos e, em um país que leva o esporte tão a sério, o jogo deveria ao menos servir de exemplo e inspiração.

Na apelidada “Copa dos Protagonistas”, as nossas estrelas se encolheram. Nessa era de digital influencers de chuteiras, temos atletas desconexos da realidade do país. E é este o grande problema. O jogador que serve de exemplo para o jovem tem que, bem, dar exemplo. Com a digitalização da vida, torna-se muito mais fácil se encantar por figuras como o disciplinado Cristiano Ronaldo, o carismático Haaland, o excelente Mbappé ou o inexplicável Messi. Quantos dos futebolistas brasileiros hoje têm comportamento ou postura que servem de exemplo para os jovens? Até os que se escapam, ainda assim escorregam e, por exemplo, promovem casas de apostas.

O jogador brasileiro ganha muito e entrega pouco. Isso se reflete também em salários hiperinflacionados. Na primeira divisão, enquanto os clubes pagam milhões para atletas que não aparentam demonstrar qualquer sentimento com o resultado do jogo, 11 das 20 instituições estão com dívidas na casa do bilhão. Enquanto isso, ingressos caros e justamente essa desconexão da falta de ídolos decentes mantém os estádios vazios, aí em praticamente todos os níveis do futebol brasileiro. Quantas partidas do Xavante assistimos esse ano em que dava para contar pela tela o número de pessoas nas arquibancadas?

Na verdade, o futebol realmente não deveria importar tanto no humor e na autoestima da nossa sociedade. Mas importa. Diante disso, o Brasil precisa de ações que reaproximem o esporte da população e, de quebra, façam com que os jogadores voltem a se conectar minimamente com o torcedor.

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