Caminhar pelos corredores de uma escola centenária, por si só, já desperta certa nostalgia, sentimento de boas lembranças e recordações que ficarão para sempre. Para os gonzagueanos, caminhar pelos corredores do local que faz parte de suas vidas desde a primeira infância até a adolescência têm outro significado: carrega memórias, afeto e a sensação de estar em casa, sempre. É dar passos firmes na construção de sua vida. Em uma das fases mais importantes da trajetória escolar, a transição do 9º ano para o Ensino Médio, a continuidade da vida escolar no mesmo ambiente é a garantia de múltiplos fatores que os acompanham desde então como a metodologia pedagógica, apoio emocional para que os estudantes sejam os protagonistas de suas histórias e nas decisões que começam a desenhar seu projeto de vida.
Para a supervisora pedagógica, Adriana Rosinha, a segurança emocional construída ao longo dos anos é um dos principais diferenciais desse processo. Segundo ela, quando o estudante chega ao Ensino Médio em um espaço onde já conhece os professores, a metodologia e onde também é conhecido por toda a equipe pedagógica, a adaptação acontece de forma mais natural. “O adolescente já enfrenta um período de muitas decisões e expectativas. Dar continuidade aos estudos em um ambiente onde ele já criou vínculos e se sente acolhido significa reduzir uma ansiedade desnecessária e fortalecer a parceria entre escola e família. É justamente essa base de confiança que permite ao estudante olhar para o futuro com mais segurança e construir, aos poucos, o seu projeto de vida”, destaca.
A passagem para o Ensino Médio exige do estudante uma adaptação natural. A carga horária de estudos aumenta, os conteúdos conversam cada vez mais com a realidade, em especial com a preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e o Programa de Avaliação da Vida Escolar (PAVE). Nesse cenário, permanecer em uma escola onde o aluno já é conhecido por professores e equipe pedagógica diminuiu a ansiedade, que é característica nesse período de transição, e permite que o foco esteja totalmente voltado ao aprendizado. A coordenadora pedagógica Daniela Cardoso lembra que o Ensino Médio já é, por si só, um período de grandes mudanças. “Quando o estudante permanece na escola, ele enfrenta esse desafio cercado por pessoas que conhecem sua trajetória, suas potencialidades e as dificuldades que ainda precisa superar. Isso faz com que ele possa concentrar sua energia no crescimento e na construção do seu projeto de vida, e não em recomeçar relações e processos de adaptação.”
‘Projeto de Vida’
Escolher uma profissão é apenas uma das etapas da jornada vivida pelos estudantes do Ensino Médio. Antes dessa decisão, existe um processo muito mais profundo: conhecer a si mesmo. É justamente essa a proposta da disciplina Projeto de Vida, incorporada ao currículo a partir da Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
O Colégio Gonzaga estimula, com base pedagógica, os adolescentes a refletirem sobre identidade, interesses, valores, habilidades e sonhos. Em sala de aula, perguntas aparentemente simples ajudam os alunos a compreender quais caminhos fazem sentido para suas histórias e como construir, com autonomia, decisões para o futuro.
O objetivo não é oferecer respostas prontas, mas desenvolver maturidade emocional para que cada escolha seja resultado de um processo consciente de autoconhecimento.
A professora de História, Taiane Taborda, é a responsável por incentivar esse momento de reflexão em que, nas palavras dela, uma pergunta simples como ‘o que desejo realizar daqui para frente’ pode se tornar algo difícil. O objetivo é que cada um identifique os próprios interesses e com as ferramentas que oferecemos, entre elas a segurança, eles tenham mais autonomia em suas escolhas. “O Projeto de Vida não é uma disciplina para dizer qual profissão o aluno deve seguir. É um espaço para que ele se conheça. Quando o estudante entende quem é, quais são seus valores, seus interesses e suas potencialidades, ele consegue fazer escolhas muito mais conscientes para o futuro”, disse.
Em sala de aula, os reflexos entre a conexão das disciplinas com a vida depois do Gonzaga aparecem com sorrisos entre a professora e a aluna. Victoria Rodrigues é gonzagueana desde os oito anos. Chegou no 2º ano do Ensino Fundamental e hoje vive as emoções do ‘terceirão’. Ela conta que a segurança oferecida desde criança, na parte emocional e disciplinar, faz toda diferença nesses últimos meses de convivência com colegas e professores, além de toda preparação de estudos para o Enem. ‘Eles sempre ofereceram iniciativas didáticas para aprendermos um pouco. Inclusive por causa dos meus professores, escolhi ser professora de História, não somente por eles me encorajarem cada vez mais a seguir esse caminho, mas também porque minha mãe também é professora”, destaca a aluna da turma 233.
O afeto como ferramenta de ensino
As palavras de Victoria emocionaram a professora Taiane que destacou que a palavra-chave de tudo que se vive em sala de aula e no ambiente do Colégio Gonzaga é o afeto. ‘É por meio desses vínculos, dessa educação humanista e do acolhimento que conseguimos conduzir o estudante no processo do autoconhecimento. O nosso diferencial é, sem dúvidas, a afetividade”, complementa. Por isso, permanecer na comunidade escolar onde vínculos já foram construídos fortalece a confiança necessária para enfrentar a transição para o Ensino Médio. A continuidade reduz o impacto natural das transformações vividas na adolescência. Além da ampliação da carga horária, da complexidade dos conteúdos e das primeiras decisões relacionadas ao futuro profissional, o estudante que muda de escola precisa lidar simultaneamente com a construção de novas amizades, a adaptação a uma metodologia diferente e o estabelecimento de novos vínculos com professores e colegas. “O Ensino Médio já traz desafios suficientes. Quando o aluno permanece em um ambiente onde já é conhecido e acolhido, ele pode concentrar sua energia no amadurecimento e na construção do seu projeto de vida, sem precisar recomeçar todo o processo de adaptação”, destaca a coordenadora pedagógica Daniela Cardoso.
Construção de memórias
A conexão entre o que se aprende em sala de aula ultrapassa a parte teórica. O carinho dos ex-alunos pode ser revivido no Projeto ‘Egressos’, em que um aluno que já está na universidade traz o seu olhar sobre a nova experiência. “É uma troca maravilhosa. Eles conversam que é normal ficar ansioso nesse período, contam sobre a rotina que tinham de estudos enquanto alunos do Gonzaga. Com isso, propiciamos para nosso aluno que ele tem uma ouvidoria no colégio, que tem colegas que passaram por isso, que é possível passar da melhor maneira possível”, reforça Daniela.
O sentimento de pertencimento segue em outro projeto que atravessa gerações, a Olimpíada das Cores. O evento, em que o Gonzaga foi pioneiro é uma tradição que emociona. A supervisora Adriana Rosinha diz que há uma magia, em que a disputa pelo troféu de campeão simboliza, na verdade, o amor e o vínculo deles com a instituição. “Eles sonham em participar, em liderar a Olimpíada. Assim como tantos outros projetos, algo simples, como uma amostra científica, como a própria quadrilha junina que sempre o Terceirão anseia tanto, isso reforça que o vínculo não é intuitivo. É necessário que haja a intencionalidade pedagógica dentro do planejamento para que haja esse espaço de vínculo”, comenta.