O origami entrou na vida de Sofia Nunes Bartz como curiosidade. Hoje, aos 12 anos, as dobraduras de papel são motivo de reconhecimento dentro e fora da escola. Vencedora do concurso do RoboPel em 2025, a estudante voltou para a sua terceira participação no evento com trabalhos mais realistas e diversos modelos para presentear os visitantes.
Aluna da escola Ministro Arthur de Souza Costa, na Cascata, 5º distrito de Pelotas, Sofia apresentou diferentes esculturas em papel. Neste ano, o grande destaque foram os dinossauros feitos com técnicas mais complexas do que as utilizadas em suas produções anteriores.
O interesse da menina começou ainda na infância. Um pequeno tsuru dentro de um recipiente de vidro bastou para que ela decidisse desmontar a peça e pesquisar como reproduzi-la. O que começou com uma única dobradura se transformou em um passatempo diário. Vieram outros tsurus, depois sapos, galinhas e figuras cada vez mais elaboradas.

(Foto: João Pedro Goulart)
Mais do que dobraduras
A mãe, Suézia Nunes, acompanhou todo o processo de aprendizado da filha. Segundo ela, o origami teve um impacto que foi além do desenvolvimento de uma habilidade artística. A atividade ajudou a fortalecer a autoestima de Sofia, especialmente por conta das dificuldades enfrentadas no ambiente escolar. “Ela era muito excluída na escola. O origami ajudou na socialização e na autoestima. Nosso papel foi não deixar ela desistir”, afirma.
O reconhecimento veio aos poucos. Depois de participar do RoboPel com a turma da escola, Sofia passou a expor seus próprios trabalhos. No RoboPel 213, conquistou o primeiro lugar da competição. Ela destaca a sensação de pertencimento proporcionada pela experiência. “É uma coisa libertadora para mim. Um sentimento de que estão me notando, de que eu posso interagir com as pessoas”, diz.
Neste ano, além de expor seus trabalhos, Sofia decidiu compartilhar o que aprendeu. Ao longo do dia, distribuiu origamis feitos a partir de materiais reaproveitados aos visitantes e conversou com jovens interessados em conhecer mais sobre a técnica. “O meu objetivo é que todo mundo saia daqui com pelo menos um origami”, afirma.
Um espaço para mostrar ideias
Para a coordenadora-geral do RoboPel, Kelen Bernardi, histórias como a da Sofia são exemplos de uma mudança observada ao longo das nove edições do evento. Segundo ela, as escolas passaram a investir mais em projetos desenvolvidos pelos próprios alunos e em atividades ligadas à resolução de problemas do dia a dia.
“Hoje a gente vê um crescimento muito grande das escolas que aderiram à aprendizagem baseada em projetos. O RoboPel dá oportunidade para essas instituições mostrarem o trabalho que desenvolvem ao longo do ano com os estudantes”, afirma.
RoboPel segue hoje
O RoboPel 214 continua nesta sexta-feira (10) com exposições, oficinas e atividades interativas no Pelotas Parque Tecnológico. Os horários para visitação são das 8h30min às 11h30min e das 13h30min às 17h30min. O evento chega à nona edição com mais de 60 projetos de ciência, arte e tecnologia, e cerca de 40 escolas e instituições de ensino de Pelotas e região.
