“Um jardim bem planejado é pensado para os 12 meses do ano, não apenas para o verão”

Abre aspas

“Um jardim bem planejado é pensado para os 12 meses do ano, não apenas para o verão”

Frederico Silveira de Oliveira - Arquiteto

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“Um jardim bem planejado é pensado para os 12 meses do ano, não apenas para o verão”
(Foto: Reprodução/Pelotense FM)

O inverno costuma ser associado a jardins sem flores e paisagens acinzentadas, mas o paisagismo pode transformar essa estação em uma oportunidade para valorizar texturas, formas e elementos naturais. Planejar áreas verdes que permaneçam bonitas ao longo de todo o ano é uma das propostas defendidas pelo arquiteto Frederico Silveira de Oliveira, do escritório Visarch, especialista em arquitetura, design de interiores e paisagismo. Nesta entrevista ao Abre Aspas, ele explica como adaptar jardins ao clima de Pelotas, a importância de pensar o projeto de forma integrada e como a natureza pode tornar os ambientes mais acolhedores em qualquer estação.

Muita gente associa jardins ao verão. O inverno também pode ser uma boa época para valorizar o paisagismo?
Com certeza. No verão as cores chamam mais atenção por causa das floradas e da própria estação, mas no inverno o jardim ganha outro tipo de beleza. É um período em que valorizamos mais as texturas, os galhos, as pedras e as plantas que mudam ao longo do ano. O jardim acompanha as estações e pode ser bonito em todas elas quando é bem planejado.

Quem já tem um jardim em casa precisa fazer grandes mudanças durante o inverno?
Não. O principal é pensar o jardim para funcionar durante os 12 meses do ano. Algumas espécies mantêm a folhagem o ano inteiro, outras perdem as folhas, e isso faz parte do ciclo natural. O inverno exige alguns cuidados, como recolher folhas, fazer podas e acompanhar a irrigação, mas tudo depende das escolhas feitas no projeto e também do nível de manutenção que o cliente deseja.

Hoje é cada vez mais comum integrar áreas verdes aos ambientes internos. O que deve ser considerado nesse tipo de projeto?
O mais importante é analisar as condições do espaço, principalmente a entrada de luz natural. Cada planta precisa de uma quantidade diferente de luminosidade, e isso influencia diretamente na escolha das espécies. Além da vegetação, o paisagismo trabalha com iluminação, pedras, caminhos, água e outros elementos que ajudam a criar ambientes mais confortáveis e acolhedores.

O paisagismo já começa a ser pensado junto com o projeto arquitetônico?
Sim. Quando fazemos um projeto completo, tudo é pensado em conjunto. O estudo da incidência solar, da ventilação e da orientação da casa serve tanto para o conforto térmico quanto para definir quais espécies serão utilizadas. Depois, na etapa específica do paisagismo, detalhamos os caminhos, os elementos decorativos e a vegetação, sempre considerando o comportamento do jardim ao longo das estações.

Depois da pandemia, a relação das pessoas com a casa e com o verde mudou?
Mudou bastante. As pessoas passaram mais tempo dentro de casa e sentiram necessidade de trazer a natureza para perto. O verde transmite vida, conforto e aconchego. Hoje vemos muito mais plantas integradas aos ambientes internos e uma preocupação maior em criar espaços agradáveis para permanecer. No fim, o que mais me motiva na profissão é justamente isso: transformar ambientes e melhorar a qualidade de vida das pessoas.

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