O empreendedorismo feminino que vem do campo

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O empreendedorismo feminino que vem do campo

Sozinha e teimosa, Denise Igansi transformou a rotina de tirar leite em uma agroindústria de sucesso

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O empreendedorismo feminino que vem do campo
(Foto: Cíntia Piegas)

Uma pesquisa publicada pela Fundação IDH aponta que as mulheres comandam 19% das propriedades rurais no Brasil. O estudo: Mulheres nas Cadeias de Valor do Agronegócio Brasileiro mostra ainda que a presença feminina é mais expressiva na agricultura familiar e em pequenas propriedades de até 20 hectares. Uma dessas mulheres está na colônia rural de Pelotas, que contrariou todas as projeções negativas sobre o seu negócio e hoje é referência de agroindústria na Zona Sul do Estado.

Em plena produção de produtos artesanais vindos do leite para expor na Fenadoce, Denise Igansi dá uma pausa para contar sobre a sua trajetória. Uma história de superação e de luta contra o preconceito e o machismo. À frente da Casa Amarela, legalizada em 2018, ela não esconde a emoção ao falar sobre seu negócio, mas confessa que a batalha é diária. Ao resumir sua própria personalidade em uma palavra, dispara: “teimosa”.

Um sonho

“Eu sempre gostei muito da cozinha e de trabalhar com pessoas. A agroindústria era um sonho antigo, mas ouvi muitas vezes que eu estava fazendo uma loucura. Cheguei a escutar que eu era burra por querer investir nisso. Mesmo assim, nunca deixei de acreditar.” Mesmo com palavras duras, ela seguiu em frente e encontrou na equipe da Emater o apoio que precisava. Eles orientaram sobre a parte burocrática, financiamento e legalização. “Sem esse apoio, talvez eu não tivesse conseguido.”

Criada na zona rural, Denise conta que durante muito tempo viveu uma rotina restrita à colônia e jamais imaginou que seus produtos a levariam para diferentes regiões do Rio Grande do Sul. “Eu era uma pessoa muito protegida, praticamente não saía da colônia. Hoje participo de grandes feiras, conheci lugares que nunca imaginei conhecer e levo meus produtos para todo o Estado. Às vezes me olho no espelho e sinto muito orgulho da mulher que me tornei”, afirma.

(Foto: Cíntia Piegas)

A Casa Amarela, que fica no distrito de Cerrito Alegre, produz queijos, manteiga, doce de leite, ambrosia e outros derivados do leite participa das principais feiras do Estado, como Fenadoce e a Expointer. Para a empreendedora, a Fenadoce funciona como uma vitrine para os produtos regionais e também para a identidade de Pelotas. “É uma vitrine enorme. Ela traz visitantes de várias regiões e ajuda a divulgar não apenas os nossos produtos, mas também Pelotas. Quando as pessoas veem o nome da cidade, logo lembram da tradição dos doces.”

Luta diária

O caminho, no entanto, esteve longe de ser fácil. Em meio às dificuldades enfrentadas após a separação, precisou vender o rebanho leiteiro e reorganizar completamente a produção da agroindústria. Em vez de produzir a própria matéria-prima, passou a comprar leite de produtores da comunidade para manter o negócio funcionando. “Foram tempos difíceis, mas eu nunca parei”, resume.

(Foto: Cíntia Piegas)

A experiência também fortaleceu o espírito de cooperação entre os agricultores da região. Atualmente, ela compra leite de produtores locais e faz questão de valorizar aqueles que investem na qualidade da produção. “Sempre digo que, se eu consigo vender bem, consigo pagar melhor para quem fornece. Todo mundo cresce junto”, destaca. Outro marco importante foi a legalização da agroindústria, que permitiu ampliar a participação em feiras e conquistar novos mercados. Segundo ela, o registro trouxe mais credibilidade para a marca e abriu portas para o crescimento do empreendimento.

Ao olhar para a própria história, ela acredita que o maior aprendizado foi manter a confiança no sonho, mesmo diante das críticas e das dificuldades. “Aprendi que a gente precisa acreditar naquilo que sonha, mesmo quando ninguém acredita. Se eu tivesse desistido por causa das críticas, nada disso existiria hoje.”

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