Há 100 anos
No dia 9 de junho, o calendário marcará os 172 anos de nascimento do Coronel Pedro Luís da Rocha Osório. Conhecido historicamente como o “Rei do Arroz”, o influente ruralista, político e benemérito transformou as terras da região em um império produtivo. Mas as páginas dos jornais mostravam que ninguém constrói nada sozinho. Mais especificamente nos registros da safra de 1926, a história revelava que a grandiosidade daquela lavoura não se sustentava apenas pelo pioneirismo de seu líder, também pela força monumental de seus trabalhadores rurais.
Há exatos cem anos, as famosas seções do Retiro e do Cotovelo brilhavam como uma empresa rizícola invejável, assinalavam os editoriais. Eram 1,2 mil hectares cultivados, alimentados por um sistema de irrigação que captava mais de 100 mil litros de água por minuto do Arroio Pelotas.
Mas quando o grão atingia a maturação perfeita, a tecnologia da época falhava: as máquinas ceifadoras ainda não ofereciam um trabalho rápido, econômico e muito menos eficaz. A solução estava na força humana.
A epopeia dos 800 da Safra de 1926
Para salvar o grão antes que o vento causasse a debulha e o prejuízo, os rizicultores dependiam exclusivamente da ceifa manual. Em fins de março daquele ano, após o ciclo vegetativo considerado perfeito, uma verdadeira força-tarefa foi montada. Mesmo interrompidos por chuvas e neblinas, oitocentos trabalhadores rurais enfrentaram o duro trabalho na lavoura.
O trabalho foi concluído em tempo recorde em maio, segundo a imprensa local, após 24 dias de esforço intenso. Essa eficiência cirúrgica era feita pelo sistema de empreitadas, pagas a 160$000 (cento e sessenta mil réis) por quadra quadrada – um valor considerado muito bom para a época, que atraiu uma abundância de braços dispostos ao rito do corte e da emendação.
Legado de trabalho
Relembrar Pedro Osório é também compreender a formação econômica do município de Pelotas. Entretanto, na época, era impossível manter aquele sistema sem a força dos milhares de trabalhadores anônimos que, com foices nas mãos e sob o sol da várzea, garantiram o sustento e a fama da região.
Como funcionavam as empreitadas:
- Parceria Coletiva: Trabalhadores, por vezes famílias inteiras, agrupavam-se como sócios sob a liderança de um chefe, que assumia a responsabilidade técnica pelo asseio e perfeição do corte, garantindo total independência na execução.
- Diárias por Produtividade: Outros empreiteiros contratavam ajudantes pagando salários diários proporcionais ao que conseguiam produzir, onde a experiência e a prática ditavam o ganho financeiro.
Fonte: Acervo Bibliotheca Pública Pelotense
Há 50 anos
Direção do Iphan estuda a possibilidade de tombar prédios históricos

Conjunto só recebeu a proteção nacional em 1977 (Foto: Divulgação)
Após intensa campanha de valorização do patrimônio arquitetônico de Pelotas, junto aos órgãos federais, em junho de 1976, a direção do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) acenava com a possibilidade de tombamento dos casarões, construídos no século 19 no entorno da praça Coronel Pedro Osório. O reconhecimento como patrimônio nacional se estenderia ao Theatro Sete de Abril.
Um ano antes, em maio de 1975, o prefeito, Ary Alcântara, apelou para o Iphan providências que evitassem a demolição do casarão número 2 da praça Coronel Pedro Osório. Na época o imóvel estava um pouco descaracterizado pela instalação de placas de estabelecimentos comerciais e havia a indicação de que a Aplub instalaria uma sede no local.
Em junho de 1976, o diretor de Patrimônio Histórico, Renato Soeira, disse ao prefeito que havia um grupo de estudos trabalhando no caso e que em breve teria uma resposta sobre a viabilidade do tombamento. Na época, o professor Adail Bento Costa levantou a possibilidade de se construir um museu no Casarão 2, que esteve ameaçado de demolição.
Data
Os Casarões 2, 6 e 8, localizados na Praça Coronel Pedro Osório, foram tombados a nível federal pelo Iphan no dia 15 de dezembro de 1977. O conjunto arquitetônico neoclássico também é tombado a nível estadual pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (Iphae).
Fontes: Acervo Bibliotheca Pública Pelotense; site ipatrimônio.org