Reposição hormonal: o suporte para uma menopausa mais equilibrada

corpo e mente

Reposição hormonal: o suporte para uma menopausa mais equilibrada

Tratamento que busca estabilizar a queda de estrogênio promove mais qualidade de vida e saúde mental durante o climatério e a pós-menopausa

Por

Atualizado sábado,
06 de Junho de 2026 às 17:21

Reposição hormonal: o suporte para uma menopausa mais equilibrada
O principal tratamento para os transtornos provocados pela queda de estrogênio é o manejo dos sintomas clínicos (Foto: Divulgação)

Fogachos incômodos, insônia, névoa mental e alterações de humor são apenas alguns de uma série de sintomas do climatério. A fase de oscilação de estrogênio que antecede a última menstruação dura entre quatro e sete anos. Mas essa longa trajetória pode ter como aliada, para atenuar os sofrimentos físicos e mentais, inclusive no pós-menopausa, a reposição hormonal.

A menopausa ocorre quando a mulher fica 12 meses consecutivos sem menstruar e geralmente acontece por volta dos 51 anos. O fim da menstruação também pode ocorrer aos 45 anos, sendo chamado de menopausa precoce, ou após os 55 anos, quando é classificado como menopausa tardia. No entanto, muito antes desse marco, a mulher começa a escalar um Monte Everest de mudanças sistêmicas que impactam sua qualidade de vida.

A ginecologista e doutora em saúde da mulher Cristine Rodrigues aponta que o climatério, ou perimenopausa, como esse período também é chamado, tem mais de 66 sintomas catalogados na literatura médica. Um dos primeiros sinais e líder de reclamações no consultório são os fogachos.

“Elas sempre chegam se queixando daquele calor que sobe do tórax em direção à face, deixando a pele úmida e transpirando. Muitas vezes, evitam eventos sociais porque se sentem constrangidas em função disso”, cita. Entre as alterações secundárias também estão os esquecimentos frequentes, a irritabilidade, a secura vaginal e do corpo em geral, a queda de cabelo, a perda da libido, além de quadros como infecção urinária.

O organismo feminino inteiro possui receptores de estrogênio. Por isso, quando ocorrem as oscilações e a queda desse hormônio, a mulher é atingida por essa avalanche de sintomas incômodos. Além disso, quando os níveis de estrogênio caem, a propensão a doenças metabólicas aumenta. Entre elas estão diabetes, hipertensão, problemas cardiovasculares e tromboembolismo.

“A gente tem que proteger essa mulher e fazer com que ela se sinta bem consigo mesma. A maioria delas perde completamente a autoestima, sente-se deprimida, muitas vezes o marido custa a entender, e falta um amparo para elas”, diz a ginecologista.

A reposição hormonal

A médica cita que a menopausa só passou a receber mais atenção da ginecologia recentemente, há cerca de 20 anos. Antes, com o fim da menstruação, praticamente também terminava o acompanhamento ginecológico. “Antigamente, quando elas entravam na menopausa, por volta dos 51 anos, já eram consideradas umas vovózinhas. Atualmente, nós temos que entregar a melhor qualidade de vida possível, porque elas estão trabalhando, estão ativas em suas vidas”, afirma.

A principal forma de tratamento, manejo dos sintomas clínicos e promoção de bem-estar na perimenopausa e na pós-menopausa é a reposição hormonal. Cristine Rodrigues explica que, assim como a menopausa era negligenciada, no início dos anos 2000 as terapias de reposição hormonal passaram a ser contraindicadas devido a uma pesquisa amplamente divulgada pela imprensa na época.

A terapia hormonal pode ser realizada por diferente vias, inclusive, transdérmicas (Foto: Divulgação)

“Foi categoricamente proibida porque houve um estudo, que não chegou a ser concluído, dizendo que a reposição hormonal causava câncer. E até hoje temos respingos desse estudo no nosso dia a dia”, ressalta.

Conforme a ginecologista, com o avanço da medicina, a importância da reposição hormonal como aliada no tratamento dos quadros clínicos das mulheres é amplamente conhecida. “A gente vai dar a quantidade mínima necessária para que ela se estabilize e diminua os fogachos e a sintomatologia que venha a apresentar”, explica.

Acompanhamento regular e janela de oportunidade

A reposição hormonal pode ser administrada de diferentes formas: via oral, transdérmica e inclusive por meio do DIU Mirena. O tratamento requer acompanhamento ginecológico regular e possui uma janela de oportunidade para ser iniciado: nos primeiros dez anos após a menopausa ou até os 60 anos da mulher.

“Nesse período, nós temos uma segurança maior para o início da reposição hormonal, tentando manter os níveis hormonais semelhantes aos de antes da menopausa e estabilizá-la pelo maior tempo possível”, explica.

O tratamento é realizado com a menor dosagem necessária de reposição hormonal para reduzir sintomas como os fogachos e alcançar um equilíbrio do organismo. Conforme a evolução do quadro da paciente, a terapia pode ser reduzida com o tempo.

“Mas, se ela se sentir bem, hoje em dia não existe um marco para o fim dessa reposição”, destaca a ginecologista.

Nos primeiros indícios de um possível climatério, como os calorões, ou mesmo quando não há sintomas, mas a idade sugere o início da perimenopausa, é imprescindível buscar acompanhamento ginecológico. O período pré e pós-menopausa é diagnosticado por meio do quadro clínico e de alguns exames simples.

Mesmo no início do climatério, as mulheres já podem iniciar a reposição hormonal e se beneficiar da terapia. “A gente não precisa esperar esses sintomas começarem. Por volta dos 47 anos, é importante observar se alguma coisa mudou: o sono, pequenos calores… Um dos sintomas mais comuns é a oscilação do ciclo menstrual”, diz.

Menopausa precisa de intervenções

A ginecologista é categórica ao afirmar a necessidade de intervenções focadas em aliviar os sintomas da paciente na menopausa e prevenir condições associadas, como depressão, sarcopenia e osteoporose.

“O número de alterações que a menopausa traz é infinito. Então, qualquer restinho de hormônio que pudermos aproveitar aumenta a expectativa de vida dela, e sabe-se que isso pode aumentar essa expectativa em até dois anos. Por isso, tentamos evitar ao máximo essa queda brusca”, aponta.

Cristine destaca os retornos positivos das pacientes em terapia hormonal na recuperação do bem-estar nesse período da vida.

“Começamos com uma pequena reposição e ela se sente melhor. E elas falam: ‘Voltei a ser o que eu era, porque eu não me reconhecia mais’.”

A menopausa pode provocar queda de cabelos, ressecamentos e ganho de peso (Foto: Divulgação)

Embora essa terapia seja eficaz para muitas mulheres, ela não é indicada para todas. Algumas condições de saúde podem elevar os riscos da reposição e, por isso, o acompanhamento com um profissional de saúde é essencial para a busca de alternativas clínicas que promovam bem-estar durante a menopausa.

“A menopausa vai muito além dos ovários e da ausência de menstruação. A gente tem que pensar na saúde do cérebro. Ela tem reflexos cerebrais, pode provocar depressão, ansiedade, insônia, cansaço generalizado, e o avanço disso pode levar às demências”, conclui a ginecologista ao destacar a importância dos cuidados com a saúde nessa fase da vida da mulher.

Acompanhe
nossas
redes sociais