Médicos paralisam atividades na Santa Casa de Rio Grande por 30 dias

Falta de recurso

Médicos paralisam atividades na Santa Casa de Rio Grande por 30 dias

Profissionais relatam recorrentes atrasos nos pagamentos de salário

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Atualizado sexta-feira,
27 de Março de 2026 às 10:26

Médicos paralisam atividades na Santa Casa de Rio Grande por 30 dias
(Foto: Jô Folha)

Os médicos da Santa Casa de Rio Grande anunciaram paralisação das atividades por 30 dias, após deliberação do corpo clínico em assembleia nessa semana. A decisão se dá pelo atraso no pagamento dos honorários médicos que, segundo a categoria, já se arrastam há meses.

A paralisação irá atingir atendimentos eletivos com manutenção apenas dos casos de urgência e emergência. De acordo com a nota da instituição, assinada pelo presidente Renato Silveira, pelo diretor técnico Wagner Pedrotti e pela diretora clínica Vera Moraes, serão adotadas medidas de reorganização dos fluxos. “Casos de risco de vida terão assistência garantida, em absoluto respeito ao compromisso ético da medicina e do hospital”, diz a nota ao legitimar a reivindicação dos profissionais.

Presidente do Simers considera o cenário crítico

Durante agenda em Rio Grande ontem, o presidente da entidade, Marcelo Matias, afirmou que os atrasos não são um caso isolado, mas reflexo de uma crise estrutural no financiamento da saúde. Segundo ele, o SUS está enfrentando uma crise: “A inflação na saúde é maior do que a inflação global e maior do que o crescimento do PIB. Isso atinge especialmente os hospitais filantrópicos e acaba resultando no não pagamento de médicos e na desassistência da população” explica.

Na cidade, o problema se agravou a ponto de médicos receberem apenas parte dos salários atrasados e em alguns casos, metade dos valores devidos. Matias diz ainda que o sindicato compreende a decisão dos profissionais de romper contratos diante da falta de pagamento, mas alertou para os efeitos na assistência. “Recebemos com compreensão a ruptura dos contratos pelos médicos, mas isso coloca, sem dúvida alguma, a população em risco. O que nós gostaríamos é de uma atuação adequada, com melhor financiamento por parte do município, do Estado e da União”, diz.

Falta de recurso preocupa

O dirigente também relatou preocupação após conversas com a gestão do hospital. De acordo com ele, a direção foi direta ao afirmar que, sem novos aportes de recursos do SUS, a perspectiva é negativa para a continuidade dos serviços. “Se nada acontecer agora, a perspectiva é muito ruim para a saúde da cidade”, relatou.

Diante do quadro, o Simers já iniciou articulações com a prefeitura e a Secretaria de Saúde e pretende levar o caso ao Ministério Público Estadual e Federal, além de buscar apoio junto ao governo federal em Brasília. A possibilidade de judicialização não está descartada. “O município acaba gastando acima do mínimo constitucional de 15% em saúde. Já o governo do Estado não cumpre integralmente os 12% que deveria investir, o que agrava o problema. O crescimento dos repasses não acompanha a inflação da saúde, o que explica o déficit ao longo do tempo. Talvez o caminho seja a judicialização desse processo”, completa.

Prefeitura acredita em resolução antes dos 30 dias

A prefeita de Rio Grande, Darlene Pereira, afirmou que o município acompanha a crise na Santa Casa do Rio Grande desde antes do agravamento recente e que já vinha adotando medidas para tentar garantir a sustentabilidade da instituição.  Segundo ela, há limitações na atuação direta do município, já que Rio Grande não possui gestão plena da saúde. “A média e alta complexidade são contratadas pelo Estado, então o município não tem ação direta sobre a Santa Casa. O que temos é o contrato da porta de entrada, do pronto-socorro”, explica.

Apesar do cenário crítico, Darlene demonstrou expectativa de resolução no curto prazo. “Estamos otimistas que isso vai ser resolvido antes de um mês”, diz.

A principal aposta da gestão municipal, conforme a prefeita, é o aumento do chamado teto MAC, que permite maior destinação de recurso federal para o hospital. “Estamos trabalhando com o governo do Estado e com o governo federal no aumento do teto MAC. Esse é o valor que os hospitais filantrópicos recebem para internações e outros atendimentos de maior complexidade”, afirma. De acordo com ela, a Santa Casa já cumpriu as exigências técnicas: “Tudo que foi pedido pelo Ministério foi apresentado. A Santa Casa vem comprovando a necessidade desse aumento”, completa.

Sem intervenção municipal

A prefeita descartou uma intervenção no hospital, solução que foi aplicada por municípios como Pedro Osório e São Lourenço do Sul. “Não entendemos que seja necessária intervenção, porque não é um problema da gestão atual, mas sim de dívidas acumuladas ao longo do tempo”, disse. Ela acrescenta que, no caso de Rio Grande, uma eventual medida desse tipo dependeria do Estado: “Como não temos gestão plena, seria uma intervenção estadual”.

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