Após 16 anos e meio de portas fechadas, o Theatro Sete de Abril, uma das joias do patrimônio histórico nacional, está prestes a voltar à ativa. A reabertura oficial ocorrerá no dia 7 de julho, coincidindo com o aniversário de 214 anos de Pelotas. Para liderar esta nova e aguardada fase, o cineasta, produtor e gestor cultural Alexandre Mattos Meireles foi anunciado como o novo diretor da instituição pela secretária de Cultura, Carmem Roig.
Mattos, que vinha atuando como diretor de Planejamento e Projetos da Secult desde o início da gestão do prefeito Fernando Marroni (PT), possui uma relação antiga com o espaço.
Há pouco mais de duas décadas, ele circulava pelos bastidores do teatro em uma função bem diferente. “É uma responsabilidade muito grande. Eu trabalhei no Sete há 20 e poucos anos como técnico de som, então eu conheço muito de perto aquele prédio, as suas necessidades, e o compromisso é grande. Eu agradeço muito pela confiança da secretária Carmem Vera, do prefeito Marroni também. E estou pronto pro desafio”, revela o novo diretor.
Perfil multifacetado na cultura
Natural de Pelotas, Alexandre Mattos construiu uma carreira sólida e diversificada no cenário artístico da região Sul. Na juventude, integrou a cena musical local como compositor e membro da banda Auto Retrato.
Expandiu sua atuação para o cinema e a produção cultural: é cofundador da Moviola Filmes e coordenador do Colegiado Setorial do Audiovisual. Meireles também esteve na produção executiva de grandes eventos, como o Festival de Cinema Manoel Padeiro e nas três edições do Festival de Jazz de Pelotas, entre outros projetos.
Como cineasta, assina a direção de obras premiadas como Além da fronteira (2021) e O jogo (2025). Uma bagagem “dos dois lados do balcão”, como ele mesmo fala, que confere ao novo gestor uma visão sensível e prática sobre a cadeia produtiva da arte.
Pilares da nova gestão
Para garantir que o Sete de Abril retome o seu papel de protagonismo, Mattos estruturou seu plano de trabalho em pilares fundamentais: formação de público, geração de trabalho e renda e manutenção preventiva do espaço físico. Destas, a formação de novas plateias é tratada como prioridade absoluta.
Para isso, a professora Mauren Nogueira integrará a equipe na coordenação artística e pedagógica, estreitando os laços com a Secretaria de Educação. “A gente quer o teatro ocupado por uma juventude, por crianças, para a gente conseguir, de alguma forma, devolver para a sociedade o que a gestão pública ficou 16 anos sem oferecer, que é uma formação de público”, enfatizou Mattos.
O diretor também destaca o papel social do teatro na economia criativa local. Por este motivo, a proposta é facilitar o acesso de produtores e artistas locais através de políticas diferenciadas de pauta.
Neste sentido, Meireles destaca que o lema adotado será a valorização de quem milita no fazer artístico da cidade. “Os nossos projetos sempre procuram privilegiar o artista local, com braços abertos para o regional e para o nacional, mas a gente sempre tem que dar um carinho para o artista local”, fala.
Ajustes em andamento
Nos dias que antecedem a reabertura, o trabalho no Sete de Abril está intenso. O diretor conta que estão sendo finalizados detalhes, como uma reestruturação no banheiro de acesso ao público. O foyer também teve 40% do piso trocado. “Tinha partes ali com muita goteira, enfim, sem falar também na manutenção de calhas, tubos de queda d’água e telhado, é uma casa antiga, dá trabalho. Um dos nossos projetos é ter uma equipe de manutenção do Theatro”, comenta Meireles.
Programação intensa
O evento de reabertura, no dia 7 de julho, contará com um show intimista do músico pelotense Vitor Ramil (com participação do músico Ian Ramil, filho do artista) e discotecagem da DJ Helô na Esplanada Berê Fuhro Souto. A quadra da praça Coronel Pedro Osório estará fechada neste dia e um telão transmitirá a cerimônia ao vivo para o público na rua.
Com capacidade para 475 lugares, a metade dos assentos do dia de estreia será destinada a convidados e a outra metade ao público geral, com retirada de ingressos na bilheteria a partir de 6 de julho.
A agenda de julho seguirá ininterrupta até o dia 18, trazendo nomes como o Grupo Tholl (dia 8), Escola de Ballet Diclea Ferreira de Souza (dia 9), Orquestra Jovem do Sesc (dia 15) e o show de Ney Lisboa, que marcará a primeira pauta comercial do Theatro nesta nova fase. Projetos, como o 277, nas segundas-feiras, retornará.