Arte preta para erês se alicerça na narrativa do que é ser preto no Sul

resgate da ancestralidade

Arte preta para erês se alicerça na narrativa do que é ser preto no Sul

Livro será lançado neste sábado (27) em evento aberto no Instituto Hélio D’Angola

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Arte preta para erês se alicerça na narrativa do que é ser preto no Sul
Quatro canções de Eduardo Freda foram ilustradas por Jackeline Nunes (Ilustração: Jackeline Nunes)

O resgate da ancestralidade e a celebração da cultura negra ganham um novo e potente capítulo em Pelotas. Neste sábado, às 15h, o Instituto Hélio D’Angola, rua Alberto Rosa, 1, recebe o lançamento do livro infantil ilustrado Arte preta para erês. Assinada pelo músico Eduardo Freda e pela produtora cultural, cantora e compositora Êmily Passarinho, com ilustrações de Jackeline Nunes, a obra propõe fincar raízes na literatura para ajudar a perenizar a memória afro-gaúcha.

Viabilizado por meio do Edital de Fomento a Projetos Culturais e Áreas Periféricas da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) de 2025, o projeto nasceu de forma coletiva em 2021, em meio ao ambiente criativo do estúdio Batuka Records. Ao conviver com as canções de Freda, conhecido por sua trajetória nos discos Raízes e coração (2012) e Roda do tempo (2017) com o grupo Quintal de Sinhá, Êmily enxergou nas letras uma profunda força narrativa e visual que merecia o registro impresso.

Construção coletiva

O livro costura quatro composições de Freda: Sinhá Maria, Sebastião Ladainha, Porongada (que relembra o Massacre de Porongos, durante a Revolução Farroupilha) e O amor em terras saladeiris. “Eu consegui identificar alguns conceitos nas canções do Dudu e achava aquilo maravilhoso, ele trazia a narrativa do ser negro no Sul, trazia as histórias e alguns pensadores. Pensei que essas canções deveriam ser registradas de outra maneira, tinham que estar num livro. Fui amadurecendo isso até chegar neste edital”, relembra.

A partir das faixas escolhidas e que estão disponíveis no Spotify do músico, Êmily convidou a ilustradora Jackeline Nunes. “A Janu desenvolveu telas exclusivas que retratam os personagens negros como verdadeiros heróis e heroínas”, conta Êmily.

É o caso de Sinhá Maria, doceira que se impõe diante da Igreja Matriz, e Sebastião Ladainha, filho da diáspora africana, nascido nas águas do Canal São Gonçalo. Porongada narra a traição sofrida pelos Lanceiros Negros e O amor em terras saladeiris celebra a diversidade cultural e a união do povo negro em Pelotas.

Desdobramentos

Com tiragem de 2,7 mil exemplares, o projeto vai além das páginas. O evento de lançamento terá entrada gratuita, intérprete de Libras, exposição das telas originais de Jackeline e uma oficina cantada conduzida pelos músicos Freda e Davi Batuka.

No local, haverá distribuição gratuita dos livros para as crianças da comunidade das Doquinhas, mas também terá venda de exemplares. “Esse valor, inclusive isso está no projeto, vai financiar o primeiro EP do Preto de Sapato, projeto musical de Freda e Batuka.”

Serviço

  • O quê: Lançamento do livro Arte Preta para Erês
  • Quando: sábado (27), às 15h
  • Onde: Instituto Hélio D’Angola (Rua Alberto Rosa, 1 -Pelotas/RS)
  • Entrada gratuita (com acessibilidade em Libras)
  • Mais informações: Instagram @arte.preta.para.eres

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