Além de sala de aula, o conhecimento e as experiências que transcendem os livros

Raízes & Propósitos

Além de sala de aula, o conhecimento e as experiências que transcendem os livros

A formação dos Anos Finais do Ensino Fundamental II do Gonzaga é uma das etapas essenciais para os estudantes que começam a preparação para a fase do Ensino Médio e as escolhas pessoais do futuro

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Além de sala de aula, o conhecimento e as experiências que transcendem os livros
Gonzaga Fashion é uma das atividades que unem criatividade e uso de tecnologia por parte dos alunos (Foto: Eduardo Benites)

Nas primeiras reportagens da série, a importância da educação infantil como base do desenvolvimento, os estímulos para a autonomia e as competências socioemocionais na formação dos estudantes foram contadas pelos profissionais que atuam diariamente com os alunos. Agora o projeto avança para os Anos Finais do Ensino Fundamental II. No Colégio Gonzaga, essa etapa representa um período decisivo de transição, em que os alunos deixam, aos poucos, a estrutura adquirida nos anos iniciais e passam a assumir um papel mais ativo na própria aprendizagem. É nesse momento que se consolidam hábitos de estudo, responsabilidades e habilidades que serão determinantes não apenas para o Ensino Médio, mas para a vida em sociedade.

Os anos finais do Ensino Fundamental II marcam uma mudança significativa na trajetória escolar. A partir do 6º ao 9º ano, o estudante passa a lidar com uma rotina mais complexa, com diferentes professores, novas disciplinas e um volume considerável de informações. Ao mesmo tempo, os estudantes com idades entre 11 a 14 anos vivem transformações pessoais, próprias da pré-adolescência, o que exige um olhar ainda mais atento da escola.

No Gonzaga, essa transição é cuidadosamente acompanhada pela equipe pedagógica, que atua tanto no aspecto acadêmico quanto emocional. A proposta é oferecer segurança para que o aluno compreenda esse novo momento e desenvolva confiança para enfrentar desafios. “Eles passam a ter mais professores, mais responsabilidades e precisam começar a se organizar de uma forma diferente. É um momento de adaptação importante, mas também de muito crescimento”, explica Adriana Rosinha, supervisora pedagógica. Ela conta que, nessa fase, é possível visualizar o amadurecimento, a autonomia que a coordenação pedagógica trabalha desde a Educação Infantil. “É a fase em que temos todas as dimensões do sujeito: no 6º ano são crianças, depois se tornam pré-adolescentes e, no 9º adolescentes em si, e continuamos trabalhando com as questões éticas, a formação socioemocional, porque eles são sujeitos em transformação”, completa.

Protagonismo em destaque

Nos anos finais do Ensino Fundamental II, o protagonismo estudantil deixa de ser apenas um conceito e passa a fazer parte da rotina dos alunos. Para a coordenadora do Ensino Fundamental II, Carla Santo, o caminho é construído por todos os professores que vieram antes daquela etapa e, no dia a dia, pode ser vivenciado pelo aluno dentro e fora do Gonzaga. “Cada estudante tem seu ritmo, e nosso papel é acompanhar essa evolução para que ele se torne cada vez mais autônomo”. Além disso, conta que o objetivo é que, ao concluir o Ensino Fundamental, o estudante esteja preparado para fazer suas primeiras – e decisivas – escolhas com segurança e responsabilidade. “Todos os projetos desenvolvidos têm ligação com situações reais, porque queremos formar jovens capazes de aplicar o que aprendem na escola, na universidade, no mercado de trabalho e na vida. Mais do que transmitir conhecimento, buscamos lapidar competências que eles levarão para o futuro”, destaca.

Há sete anos, a professora Sabrine Evangelista leciona nas turmas do 6º e 7º ano do Ensino Fundamental II e no Ensino Médio. Entre as iniciativas que acompanha, está um dos projetos mais tradicionais da instituição, o Gonzaga Fashion, desenvolvido há mais de duas décadas e reconhecido por transformar criatividade em aprendizado.

Muito além da confecção de figurinos, o projeto propõe um desafio interdisciplinar em que os estudantes recebem um tema, realizam pesquisas, constroem argumentos, trabalham em equipe e desenvolvem uma coleção que será apresentada em um desfile no final do ano. “Quando o Gonzaga Fashion começa, muitos alunos se assustam com a dimensão do projeto. Mas é justamente nesse processo que eles descobrem habilidades que nem imaginavam ter. Ao pesquisar, defender uma ideia, trabalhar em equipe e apresentar o resultado, eles amadurecem. No fim, o que vemos é muito além de apenas um desfile, vemos estudantes mais confiantes, protagonistas e felizes com tudo o que conseguiram construir.” Sabrine destaca que ao longo de todo o processo, são estimuladas competências como comunicação, liderança, criatividade, resolução de problemas e conflitos. “Essas e tantas outras habilidades dialogam diretamente com a proposta pedagógica dos Anos Finais e com a formação integral dos estudantes do Gonzaga”, disse.

Ensino além de sala de aula

Nas aulas de português e produção textual, a professora Fernanda Pereira Menezes incentiva os alunos dos 5º e 6º anos a fazerem um relato de suas experiências com a escola além de sala de aula. As disciplinas servem como ponte entre as vivências e os conteúdos. “ A nossa proposta pedagógica é justamente para que eles saiam um pouco do ambiente escolar. Como trabalhamos de forma interdisciplinar, cada ação é explorada de uma maneira diferente. Na produção de texto, estão escrevendo o que vivenciaram na viagem ao Museu de Ciências e Tecnologia da PUCRS. Também estamos preparando uma mostra em que, divididos em grupos, terão que criar maquetes e apresentarem ao público o que viram por lá. Com isso conseguimos trabalhar diversas disciplinas, como a oratória, por exemplo”.

Disciplinas servem como ponte entre as vivências práticas e os conteúdos presentes no plano de ensino (Foto: Nátalli Bonow)

As alunas Caterine Prestes e Luísa Bueno Lima, de 12 anos, do no 6º ano do Ensino Fundamental II estão no mesmo grupo para a construção da maquete que será apresentada aos visitantes na mostra. Caterine conta que a experiência com a turma é sempre divertida. “Além da viagem que é muito legal, a gente aprendeu muitas coisas diferentes. Vimos sobre os planetas, o que temos aprendido em geografia. Ver as camadas da Terra foi muito interessante, porque todas são representados em imagens e esculturas”. Luísa completa ao dizer que “é uma experiência nova para terem o melhor aprendizado de coisas que não podem vivenciar na sala de aula”, disse.

Para Fernanda, as memórias e experiências construídas coletivamente no ambiente escolar e fora dele são fundamentais para o crescimento de cada indivíduo. “A nossa proposta pedagógica é que eles tenham o viver com o mundo real. Nos preocupamos muito com as emoções, com a felicidade de cada um dos nossos alunos e, a cada experiência além de sala de aula, é mais uma vivência que ganham individual e coletivamente”.

Ao longo de 13 anos no Colégio Gonzaga, a professora que também leciona inglês, destaca que o avanço tecnológico acrescentou muito no ensino com o uso da pesquisa digital além dos livros. “Vejo a tecnologia como uma aliada, algo que não podemos viver sem, e mostrar para eles que é possível unir o método tradicional de ensino e estarmos conectados”, reforça.

Ensino e a era digital

Disciplinas servem como ponte entre as vivências práticas e os conteúdos presentes no plano de ensino (Foto: Henrique Vetromilla)

O depoimento da professora é o reflexo de como o Colégio Gonzaga trabalha com a tecnologia que traz desafios importantes para a educação, especialmente relacionados ao excesso de estímulos digitais. Crianças e adolescentes estão cada vez mais expostos a conteúdos rápidos e fragmentados, o que exige um trabalho ainda mais focado da escola. Para a supervisora Adriana Rosinha, o desafio não está em negar os avanços tecnológicos, mas em ensinar os estudantes a utilizá-los de forma consciente, sem abrir mão da criatividade e da capacidade de construir conhecimento por conta própria. “A tecnologia é vista como uma das possíveis ferramenta e não o carro-chefe na educação. Temos uma plataforma em que o aluno faz semanalmente atividades de revisão. Por exemplo, terminou o capítulo do livro, ele vai ter questões de todos os componentes curriculares no digital”.

A professora Sabrine observa que essa realidade já transformou o Gonzaga Fashion, em que a inteligência artificial passou a ser utilizada como apoio na pesquisa e na elaboração de ideias, sem substituir o processo criativo dos estudantes. “Um dos pontos do projeto é que o croqui da roupa que vai ser desfilada precisa ser feita à mão e a própria peça em que se utilizam materiais reutilizáveis. Então, ao invés de desenharem primeiro, utilizam a IA que mostra como ficaria a roupa de acordo com as orientações deles. A criatividade vai ser uma das ferramentas para o futuro, é uma habilidade que a tecnologia não vai conseguir substituir”, reforça.

Já para a supervisora Carla, mostrar para o aluno que a inteligência artificial existe para facilitar e não substituir a prática criativa e de estudos é um dos pontos em destaque da metodologia do Gonzaga. “A inteligência artificial não faz a prova pelo aluno, não toma decisões por ele e não substitui o pensamento crítico. Ela é uma ferramenta poderosa, mas o conhecimento, a responsabilidade e o protagonismo precisam continuar sendo humanos”.

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