Nesta sexta-feira (26), às 20h, o público de Pelotas terá a oportunidade de embarcar em uma jornada poética e provocadora com o espetáculo Sancho Pança – O Fiel Escudeiro. Integrante do projeto de circulação Palco Giratório Sesc, a apresentação acontece na Fábrica Cultural – Sociedade Pelotense Música Pela Música e os ingressos estão à venda por R$ 15,00 clicando aqui.
A montagem, dirigida pelo argentino Walter Velasquez, traz ao palco o ator e palhaço potiguar Rodrigo Bruggemann na pele do Palhaço Piruá. Na trama, o personagem encontra-se internado em um manicômio por afirmar ser o fiel escudeiro de Dom Quixote. A partir desse cenário, a peça costura memórias, delírios e sonhos, usando a clássica obra de Miguel de Cervantes como uma potente metáfora para os tempos atuais.
O direito de sonhar
Rodrigo Bruggemann conta que a parceria com Velasquez começou com um questionamento feito pelo diretor: o que ele gostaria de falar para o mundo? Ao se questionar, o artista percebeu que são várias as suas inquietações e que a lista do que ele gostaria de dizer é muito grande.
Mas uma das inquietações mais urgentes de Bruggemann se relaciona com a própria arte que ele desenvolve e a forma como ele se expressa através dela. “É a questão de como nós, que somos um pouco fora dos padrões organizados pelos sistemas, somos tratados como os loucos?”, questiona.
E o espetáculo vai bem ao encontro dessa incômoda pergunta ao refletir sobre a linha tênue entre a sanidade e a imaginação na sociedade contemporânea, questionando como o sistema pune aqueles que fogem das normas vigentes. “Eu acho que a loucura caminha junto com a liberdade de sonhar, no ponto de vista que nós que sonhamos somos os loucos. E a história de Dom Quixote caiu como uma luva nessa questão, porque Dom Quixote era um sonhador, ele sonhava em ser um cavaleiro, o sonho dele era tão forte que ele era um cavaleiro. Acho que sonhar é essencial para que a gente crie a nossa realidade”, fala.
Para o artista, a figura de Sancho Pança transcende o clássico literário de 400 anos e se transforma em um símbolo de sobrevivência em um mundo hiperconectado e consumista. O “manicômio” da ficção, afinal, dialoga diretamente com a realidade do público. “A possibilidade de sonhar caminha, infelizmente, (…) para um ato de resistência, que não, eu acho que não deveria ser uma resistência. O direito de sonhar, a possibilidade de sonhar, deveria ser um ato de existência.”
O riso abre corações
Cruzar o Brasil do Rio Grande do Norte até o Rio Grande do Sul é um dos desafios proporcionados pelo circuito do Palco Giratório. Segundo Bruggemann, a palhaçaria tem o poder universal de conectar realidades distintas por focar justamente nas imperfeições humanas: os erros, os tombos e as diferenças.
Questionado sobre como equilibrar a leveza do palhaço com temas profundos — como a luta de classes, o machismo e a desigualdade social —, o ator revela a estratégia poética que conduz os 60 minutos de espetáculo. “Com o riso, eu abro o coração e, abrindo o coração, consigo entrar com essas reflexões de forma mais… não é a espada dolorosa, é uma espada que consegue penetrar em locais impenetráveis ou mais difíceis de serem penetrados no coração das pessoas.”
Arte sem barreiras
Com classificação livre, o espetáculo foi construído para dialogar com todas as idades, evitando simplificações ao falar com os mais jovens. Bruggemann comenta que o texto tem uma dramaturgia bastante complexa, que aborda questões como as relações humanas, a luta de classes, o machismo, assuntos que fazem parte do universo do adulto, mas que reverberam no universo infanto-juvenil. “A criança está inserida nesse universo, ela pode não ter a mesma visão de um adulto, mas ela está vivendo isso, está absorvendo tudo isso, não é um texto fácil de compreender”, fala.
Porém, o espetáculo traz muitos artifícios visuais que contemplam bastante o universo infantil, o que faz o palhaço acreditar que a criança absorve toda e qualquer informação que passa por ela. Para o artista a linguagem para uma criança não precisa ser “abestalhada”. “Eu acho que é isso, a palavra boa é essa abestalhada, menosprezando a inteligência da criança”, argumenta. A sessão em Pelotas reforça seu compromisso com a democratização do acesso à cultura ao contar com interpretação simultânea em Libras.
Agende-se
- O quê: Sancho Pança – O Fiel Escudeiro (Palco Giratório Sesc)
- Quando: Sexta-feira (26), às 20h
- Onde: Fábrica Cultural – Sociedade Pelotense Música Pela Música
- Duração: 60 minutos (Com acessibilidade em Libras)
- Ingressos: a partir de R$15,00 à venda no site oficial do Sesc-RS.
