Conselho Gestor traz à tona debate sobre governança da praça CEU

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Conselho Gestor traz à tona debate sobre governança da praça CEU

Entidades que representam a sociedade civil na gestão deste equipamento cultural avaliam que o espaço ainda é subutilizado

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Conselho Gestor traz à tona debate sobre governança da praça CEU
Comunidade reclama da falta de atividades no equipamento cultural (Foto: Ana Cláudia Dias)

Debater a atualização institucional da Praça Centro de Artes e Esportes Unificado (CEU) Dunas, traçar metas para o segundo semestre do ano e retomar a participação do Conselho Gestor na governança deste equipamento cultural foram os principais assuntos que nortearam uma reunião extraordinária, que ocorreu na manhã desta terça-feira (23), no local. A convocação surgiu de representantes do próprio Conselho que têm percebido uma diminuição das atividades e projetos para o local, bem como um distanciamento da própria comunidade do bairro Dunas.

Representantes do Conselho Gestor, formado pelas entidades AMIZ, Uniperiferia e CDD, além de moradores, buscaram dar à reunião um caráter propositivo e colaborativo, reunindo representantes da sociedade civil, que desenvolvem ações no local, e o Executivo Municipal. O objetivo é melhorar as políticas públicas integradas no local.

A prefeitura foi representada pelas Secretarias de Cultura, que faz a coordenação geral da Praça CEU, Assistência Social e Esporte Lazer e Juventude. Porém estiveram ausentes representações das outras pastas que também integram a gestão: Secretarias de Segurança, Educação e de Saúde. O diretor de Projetos da Secult, Alexandre Mattos Meireles, destacou os avanços físicos conquistados pela gestão no último ano e meio, como a finalização do cineteatro e as ações de limpeza do espaço.

O diretor enfatizou as parcerias com o projeto Maristas e com a Central Única das Favelas (CUFA), além de anunciar a aquisição de uma unidade do MovCEU, uma política pública do Ministério da Cultura (MinC) que integra o Novo PAC. O veículo, equipado para cinema e edição de vídeo, tem valor de R$ 610 mil e foi adquirido por meio de edital do MinC. “Vai atender a praça CEU, a quilombos e aldeias indígenas”, comentou.

Meireles também destacou o lançamento de editais da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) voltados à ocupação de espaços da secretaria. “Para cá teremos cinco projetos de R$ 10 mil ocupando esse espaço”, falou.

Gestão compartilhada

No entanto, a condução das políticas públicas foi questionada por membros do conselho e moradores locais, evidenciando um descompasso entre a comunidade e o poder público. “A palavra retomada da gestão, pode ser um pouco forte, mas ela não deixa de ser uma retomada. Houve um investimento, mas a gente pactuou há seis meses várias questões, uma delas, que não está funcionando é a governança, o Conselho não está tendo a participação que deveria. Por exemplo, vai sair um edital da PNAB e a gente não foi consultado sobre a ocupação da Praça CEU. Também foi decidido pelo MovCEU e a gente não sabe nada, então temos um problema de governança, porque a gente é um Conselho aqui e gostaríamos de estar participando”, fala Herbert Mereb, representando a AMIZ.

Desafios de Governança e Transparência

Os conselheiros ainda cobraram a presença de estagiários na organização da Praça, bem como investimentos da própria Secult e das outras secretarias envolvidas no espaço. “A gente não obteve isso, por isso precisamos efetivar essa governança”, diz Mereb.

A moradora Angelita Vieira das Neves, da Uniperiferia, comentou que estava frustrada com a escassez de ações no local. “A gente deu um avanço grande nesse último ano e meio, a casa realmente está com os grandes melhores, mas está longe de ser o que deveria. Ela não consegue ter aquilo que a gente criou de expectativa, que é ter atividades diárias pela manhã, tarde e noite, pelo potencial do bairro, não há esse investimento. As atividades que temos aqui são do Marista ou da Cufa ou de outros, esporadicamente. A comunidade está se afastando”, lamentou.

Demandas estruturais

A segurança pública emergiu como um dos temas mais sensíveis. O grupo relatou a hostilidade do entorno e o medo de famílias em enviar seus filhos para as atividades da praça. A ausência da Guarda Municipal, que antes mantinha presença no local, foi criticada, sendo associada, inclusive, a episódios recentes de furto de fios. O apelo da comunidade é pela presença de monitoramento 24 horas para garantir a integridade dos frequentadores e dos materiais do centro.

Outro ponto crítico levantado foi a barreira de comunicação. Os presentes apontaram a necessidade de estratégias de divulgação adaptadas à realidade local, sugerindo a contratação de estagiários para gerenciar a comunicação e promover o sentimento de pertencimento. Também foi cobrada a reativação do telecentro, cujos computadores encontram-se parados por problemas técnicos.

Ao final da reunião também foi deliberada a troca da Secretaria de Saúde pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Inovação para liderar um Hub de Inovação e geração de renda. A próxima reunião presencial deve acontecer dentro de 15 dias para o Conselho avaliar o andamento das demandas.

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