Novo olhar para o vestibular

Editorial

Novo olhar para o vestibular

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Novo olhar para o vestibular
Maioria dos postos são para Rio Grande, mas há também para São Lourenço do Sul e Santo Antônio da Patrulha (Foto: Altemir Vianna)

Depois de 16 anos, a Universidade Federal do Rio Grande (Furg) retomou seu vestibular próprio, no formato tradicional, que irá operar em paralelo com o SiSU. Não é algo pontual: a instituição rio-grandina foi a vigésima federal brasileira que fez a mudança em busca de mais autonomia no seu processo seletivo, seja para ampliar a representatividade local na sala de aula, seja para garantir o preenchimento de vagas. A Universidade Federal de Pelotas (UFPel), mesmo de maneira mais comedida, também fez movimentos parecidos, ao aumentar o peso do Programa de Avaliação da Vida Escolar (Pave) como forma de ingresso.

Antes de tudo, é preciso exaltar o papel excepcional do Enem nos últimos anos, ao democratizar o acesso ao Ensino Superior e ampliar as possibilidades para estudantes mirarem outros lugares para estudar, sobretudo diante das opções muito pontuais de cada federal. Nós aqui na região nos beneficiamos profundamente disso: aluga-se mais imóveis, agrega-se mais cultura e novos sotaques e visões enriquecem cidades que já são formadas por múltiplas visões. Múltiplas frentes ganham com esse intercâmbio.

Como nem tudo são flores, há um outro lado: por exemplo, em 2024 tanto a UFPel quanto a Furg tinham mais de 50% de taxa de desistência, conforme levantamento que divulgamos em reportagem publicada na edição de 16 de outubro daquele ano. Entre os motivos, a dificuldade de alunos que vêm de fora em se estabelecer diante dos custos de morar, ainda na juventude, longe da família. Também os abandonos para optar por cursos mais perto de seu local de origem. Mesmo programas de assistência estudantil não são completamente eficazes diante desses e outros cenários.

As ações mais recentes buscam, entre outras coisas, tentar atrair mais alunos locais para as universidades. Não em detrimento a quem vem de fora, mas em uma tentativa de ampliar a permanência e os impactos das próprias instituições nas comunidades onde estão inseridas. É preciso, diante disso, encontrar o equilíbrio. A cultura externa é extremamente positiva para nossas comunidades e agrega barbaramente na formação das nossas identidades. Mas é preciso lidar com o desperdício de vagas e com o dilema do afastamento entre instituições e populações onde estão inseridas.

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