Frio intenso é alerta para setor agropecuário no Rio Grande do Sul

agronegócio

Frio intenso é alerta para setor agropecuário no Rio Grande do Sul

Previsão de onda forte de frio deverá impactar o gado de corte, além do leite e culturas agrícolas

Por

Frio intenso é alerta para setor agropecuário no Rio Grande do Sul
Previsão é de geada ao longo dos próximos dias (Foto: Embrapa)

A chegada daquela que pode ser a massa de ar frio mais intensa do ano até agora, já nos primeiros dias de inverno, preocupa o setor agropecuário da Zona Sul. São esperadas temperaturas baixas e risco de geadas intensas entre terça e quarta-feira (24), contexto climático que pode danificar pastagem, impactar cultivos e, consequentemente, encarecer o custo da produção.

Para reduzir os danos e perdas, a indicação é que os produtores realizem o manejo preventivo das suas lavouras e a proteção dos rebanhos.

Não são esperadas ondas de frio por grande período de tempo no Rio Grande do Sul, mas a atenção fica para a sua intensidade, que poderá agravar cenários. O frio será menos persistente do que o que foi observado em maio e em junho, mas por conta de chuvas ocasionais mais frequentes.

Segundo o meteorologista do Centro de Pesquisas e Previsões Meteorológicas (CPPMet/UFPel), Lucas Mendes, a tendência é que não sejam somente madrugadas e manhãs geladas, mas também as tardes. “As madrugadas, por exemplo, entre terça e quarta aqui em Pelotas, devemos ter temperaturas em torno de 4ºC e 6ºC, só que com sensação térmica mais baixa, em torno de 2ºC a 4ºC”, projeta.

Pecuária

O frio extremo pode ocasionar o aumento no custo de produção dos produtores de leite, porque é preciso colocar e fazer aquisição de outras alternativas, como, por exemplo, suplementar a alimentação dos animais e até aumentar o próprio uso de rações. Com relação aos ovinos e bovinos, a principal consequência é a menor conversão em produto.

“Com essas temperaturas [baixas], paralisa completamente o crescimento vegetal, então, se as pastagens estão com o seu desenvolvimento e crescimento paralisados, não queimados, prejudica o pastoreio dos animais”, destaca o extensionista rural da Emater/RS-Ascar.

Outros impactos estão relacionados com a queda na engorda, devido ao alto gasto de energia, além de desvalorização e perda de qualidade da carcaça.

Frutas e hortaliças

O extensionista rural da Emater explica que, caso confirmado o frio muito intenso e as geadas também muito fortes, as frutas cítricas também podem sofrer impactos, como a queima total das plantas. No entanto, Evair avalia que a previsão é de geadas um pouco mais brandas, que podem acentuar o sabor mais adocicado das frutas.

“Na parte das hortaliças, frios muito intensos podem paralisar completamente o desenvolvimento dessas plantas”, diz. Assim, o alimento passa a ter um custo de produção mais elevado, o que afeta diretamente o custo para o comprador final.

Culturas de inverno

No período de inverno, a cultura do trigo, que já está semeada, ou que está em desenvolvimento, não sofre impactos e pode ser até beneficiada com a época mais fria. “Não só o trigo, mas também a aveia preta, aveia grão e o próprio cevado e centeio, todos esses cultivos de inverno são beneficiados por essa temperatura mais baixa agora no início do seu ciclo. Tem a ver com a questão do balanço hormonal e proporcionar a esses cultivos um maior perfilhamento”, comenta Evair.

Acompanhe
nossas
redes sociais