O mês de junho é lembrado como o mês de conscientização da violência contra a pessoa idosa, sob a campanha do Junho Violeta. No último dia 15 foi celebrado o dia mundial da luta contra esta prática, que manifesta-se na vida dos idosos de diferentes maneiras, que não apenas pela violência física.
Em entrevista à Rádio Pelotense, a vice-presidente do Conselho Municipal da Pessoa Idosa de Pelotas detalha as ações realizadas pelo órgão para assistência e proteção deste grupo, que representa mais de 20% da população pelotense.
Pelotas pertence à rede mundial “Cidade Amiga do Idoso”, certificada pela Organização Mundial da Saúde. Com isso, será realizada no próximo dia 25, uma ação em parceria entre o Conselho e o Centro de Extensão em Atenção à Terceira Idade (Cetres), da UCPel, em alusão ao Junho Violeta . O encontro, com o tema “Dignidade, proteção e protagonismo da pessoa idosa”, acontecerá no Auditório do Ministério Público de Pelotas, às 13h30min.
Como o Conselho está desenvolvendo suas ações atualmente?
Em setembro do ano passado, nós assumimos o conselho da pessoa idosa e começamos com bastante ações, porque a gente via que tinha muitas demandas que não estavam sendo concluídas como deveriam. Nós já começamos com ações voltadas à garantia de direitos. Porque, enquanto assistente social, trabalhamos na ponta, com violações de um modo geral, e chegam muitas demandas com relação à violência contra a pessoa idosa. Ela aparece de várias formas, desde a física, a psicológica, a negligência e a financeira.
Qual tipo de violência vem sendo mais enfrentada pelos idosos?
A financeira é uma das que mais chega para nós, porque aquele idoso que recebe seu salário, às vezes convive com familiares que se apoderam daquele valor. Normalmente, o idoso tem demandas de saúde bem sérias, precisa comprar suas medicações, e acaba não conseguindo ter acesso, a nutrir suas necessidades.
Como as demandas chegam até vocês?
Muitos chegam para nós pelo Ministério Público, os órgãos têm um fluxo importante, onde as pessoas podem fazer as denúncias ao verem algum tipo de violência acontecendo, mas têm medo de se comprometerem. A gente tem o Disque 100, que a pessoa pode denunciar sem se identificar, dando o endereço, e ele já dispara para os órgãos de proteção, que são o CREAS, as delegacias e, se for necessário, o MP.
No que chega até vocês, o que mais surpreende?
Recebemos muitos casos que envolvem familiares bem próximos, diretos, como filhos ou netos, e que envolvem violência física, maus tratos e negligência. Às vezes fazem que não estão percebendo que aquele idoso necessita. Muitas vezes, quando nós chegamos no caso de ter que institucionalizar um idoso, colocá-lo numa instituição de longa permanência, a gente nota o estado de debilidade em que ele estava. Nós, enquanto conselho, temos trabalhado muito nessas conscientizações. Porque temos mais de 70 ILPIs em Pelotas, que, dentro da prefeitura e da assistência, a gente não daria conta, na Casa do Idoso não cabem nem 20 idosos. Então a gente acaba comprando essas vagas em casos bem graves, o município acaba comprando a vaga para que o idoso esteja protegido e com cuidados.
Quais são os principais pontos que envolvem a vida do idoso e sua vulnerabilidade?
A gente nota que existe uma discriminação e o idoso tem que estar incluso em tudo. Hoje em dia a gente vive numa fase em que as pessoas idosas estão frequentando atividades físicas, porque isso mudou muitos parâmetros. Antes, uma pessoa de 60 anos tinha que ficar só em casa, tricotando, e isso não existe mais. A pessoa idosa quer viver, ela quer ser respeitada, ela quer ter dignidade. Eu acho que, se a população se conscientizar, isso já começa dentro das famílias. Essa consciência, esse respeito, de que o idoso pode frequentar os grupos de serviço de convivência, não é porque ele é idoso que ele tem que só ficar em casa, que isso ajuda muito, porque é mais saudável. Eu já coordenei grupos de serviço de convivência com a pessoa idosa, então eu falo com experiência que muitos melhoraram da depressão. Muitos tinham algum problema de saúde, a gente identificou que não estava bem, fizemos encaminhamento, e aquela pessoa veio a ter uma qualidade de vida. A viuvez também é uma das causas da depressão e ela acarreta outras comorbidades, até pela idade. A gente está com um projeto, enquanto conselho, de ir a todos os territórios e fazer essa fala nos grupos de serviço de convivência. Fazer bastante campanhas nesse sentido, porque acredito que a prevenção ainda é o melhor remédio.