Soja tem boa produtividade, mas arroz segue sem fechar a conta na Zona Sul

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Soja tem boa produtividade, mas arroz segue sem fechar a conta na Zona Sul

Produtividade supera 50 sacas por hectare e ajuda a reduzir prejuízos do arroz

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Atualizado sexta-feira,
12 de Junho de 2026 às 14:30

Soja tem boa produtividade, mas arroz segue sem fechar a conta na Zona Sul
Com produtividade acima de 50 sacas por hectare e área plantada retomando os patamares históricos da região, a soja deve ajudar muitos arrozeiros a compensar parte das perdas provocadas pelos baixos preços pagos pelo arroz (Foto: Divulgação)

A safra de soja cultivada em áreas de rotação com arroz na Zona Sul do Estado trouxe um alívio para os produtores rurais em um momento de dificuldades econômicas para a orizicultura. Com produtividade acima de 50 sacas por hectare e área plantada retomando os patamares históricos da região, a soja deve ajudar muitos arrozeiros a compensar parte das perdas provocadas pelos baixos preços pagos pelo arroz.

Segundo levantamento do Instituto Rio-Grandense do Arroz (IRGA), a região plantou 136.641 hectares de soja em áreas de várzea na safra 2025/2026, a segunda maior área dos últimos anos. O número representa uma recuperação em relação à safra anterior, quando a área semeada ficou abaixo dos 100 mil hectares.

A colheita está praticamente concluída. Na última atualização do instituto, restavam apenas algumas áreas em Santa Vitória do Palmar, município que enfrentou maiores volumes de chuva e dificuldades de acesso devido às condições das estradas.

De acordo com o coordenador regional do IRGA, Igor Kohls, os resultados da safra são considerados positivos. “Até o momento, a gente está com uma produtividade acima dos 50 sacos por hectare. É uma produtividade muito boa e acima da média da nossa regional.”

Santa Vitória na liderança

Santa Vitória do Palmar lidera a produção regional, com quase 53 mil hectares cultivados, seguida por Arroio Grande, com 29 mil hectares, Pelotas, com quase 22 mil hectares, Rio Grande, com 17,2 mil hectares, e Jaguarão, com 15,6 mil hectares.

Apesar da estiagem registrada em diversas regiões do Rio Grande do Sul, as áreas de várzea sofreram menos impactos. Segundo Igor, a proximidade do lençol freático com as raízes das plantas ajudou a manter o desenvolvimento das lavouras mesmo em períodos de menor precipitação. “Quando ocorre seca, as áreas baixas acabam produzindo relativamente bem porque o lençol superficial está mais próximo das raízes. Diferente das áreas altas, onde há perda significativa de produtividade.”

Soja ameniza crise do arroz

O bom desempenho da soja chega em um momento considerado delicado para os produtores de arroz. Embora a safra do cereal também tenha apresentado produtividade satisfatória, a combinação entre custos elevados e preços baixos continua comprometendo a rentabilidade das propriedades.

Segundo o IRGA, o problema da atual safra não está na produção, mas na comercialização. “Não dá para dizer que foi uma safra ruim de arroz. A questão toda é o custo de produção, que aumentou, e o preço pago ao produtor, que caiu.”

Nesse cenário, a soja se tornou fundamental para equilibrar as finanças de muitas propriedades que trabalham com a rotação de culturas. “A soja, nesse aspecto, dá uma sobrevida para o arrozeiro. Quem teve boas produtividades vai conseguir diminuir o prejuízo do arroz por causa da soja.”

Mesmo assim, a avaliação é de que a maioria dos produtores de arroz deve encerrar a safra com resultado negativo. “Mesmo com boas produções, a conta vai fechar no vermelho para a maioria dos produtores de arroz.”

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