“São 90 anos fazendo a diferença”: Casa da Criança celebra aniversário

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“São 90 anos fazendo a diferença”: Casa da Criança celebra aniversário

Instituição fundada em 1936 atende cerca de 170 crianças em turno integral e é referência em educação infantil e assistência social

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“São 90 anos fazendo a diferença”: Casa da Criança celebra aniversário
Além do ensino, os acolhidos recebem alimentação, acompanhamento de saúde e apoio psicossocial (Foto: Jô Folha)

Fundada em 1936 para acolher crianças em situação de vulnerabilidade social, a Casa da Criança São Francisco de Paula completa hoje 90 anos de história. Nove décadas depois de iniciar suas atividades com apenas 12 crianças, a instituição atende atualmente cerca de 170 alunos de dois a seis anos em turno integral e continua como referência em educação e acolhimento infantil em Pelotas.

A história começou quando o então bispo de Pelotas, Dom Joaquim Ferreira de Mello, reuniu os integrantes da Ação Católica para criar uma creche voltada às famílias mais carentes. Com o tempo, a instituição cresceu, ampliou sua estrutura e consolidou uma rede de apoio formada por voluntários, doadores, funcionários e parceiros públicos e privados.

A atual presidente da Casa da Criança, Elena Engers, destaca que a permanência da instituição ao longo dos anos é resultado do trabalho construído por várias gerações. “O alicerce foi fundado lá atrás. Se não tivesse aquela pedra fundamental colocada há 90 anos, hoje nós não seríamos a Casa da Criança. Cada presidente teve sua importância”, afirma.

Atualmente, a entidade conta com 11 professores, 11 monitores, 34 funcionários e equipe técnica formada por diretora, coordenadora pedagógica, psicóloga e assistente social. Além das atividades educacionais, as crianças recebem alimentação, acompanhamento de saúde, espaço para descanso, roupas quando necessário e apoio psicossocial.

A entidade conta com 11 professores, 11 monitores e 34 funcionários (Foto: Jô Folha)

Nos últimos anos, a instituição recebeu melhorias por meio de projetos, emendas parlamentares e doações, incluindo reformas no prédio, nas salas de aula e no pátio. A Casa também prepara uma sala especializada para atendimento de crianças autistas. Atualmente, são atendidos 13 alunos neurodivergentes e há uma parceria com a Faculdade Anhanguera, que disponibiliza 24 estagiários de Psicologia.

A manutenção da instituição também depende de iniciativas próprias de arrecadação. Um dos exemplos é o Salão Padre Carlos Johannes, espaço para até 256 pessoas que pode ser alugado para eventos.

Histórias que atravessam gerações

Ao longo de nove décadas, muitas pessoas passaram pela instituição. Algumas delas retornaram anos depois como profissionais ou seguiram carreira. Elena lembra o caso de uma funcionária que começou nos serviços gerais, tornou-se monitora, professora, coordenadora pedagógica e hoje é professora da rede municipal. A presidente também cita outro ex-aluno que passou pela Casa como aluno e hoje é professor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel).

Para a ex-presidente Marta Coelho, que comandou a instituição entre 2013 e 2015, o aspecto humano sempre foi o que mais marcou sua experiência. “O que mais me emocionava era quando eu chegava cedo e via o olhar das mães e das crianças. Muitas vezes, a última refeição delas tinha sido no dia anterior. Era uma carência de tudo: de amor, de afeto, de alimento”, recorda.

Orgulho de permanecer em pé

A Casa, do jeito como se encontra hoje, é resultado do trabalho feito por muitas mãos. E algumas delas devem se reunir hoje para comemorar a longevidade da instituição. Elena reflete sobre isso e acredita que as fundadoras teriam orgulho de ver a obra iniciada em 1936 ainda cumprindo sua missão. “Elas ficariam felizes em ver que aquilo que começaram continua aqui, firme, fazendo a diferença na vida das pessoas.”

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