O aumento no preço do gás de cozinha tem reduzido o impacto doAuxílio Gás para famílias de baixa renda em Pelotas e região. Mesmo com o benefício federal cobrindo o valor integral do botijão, a alta recente e os custos adicionais acabam comprometendo o acesso ao item básico.
Um levantamento com dados de fevereiro deste ano mostra que 7.120 famílias são contempladas pelo programa em 23 municípios da Zona Sul do Estado. Pelotas concentra o maior número de beneficiários, com 3.626 lares atendidos, seguida por Capão do Leão (708) e Pinheiro Machado (492).
O Auxílio Gás tem como base o preço médio nacional do botijão de 13 quilos, calculado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). O programa atende famílias inscritas no Cadastro Único, com renda mensal de até meio salário mínimo por pessoa.
Aumento pesa no orçamento
Em abril, o preço do gás voltou a subir em Pelotas, conforme levantamento do Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon). O valor médio do botijão com entrega passou de R$ 125,08 em março para R$ 134,50, o que representa uma alta de cerca de 11%. Sem entrega, o aumento foi ainda maior, chegando a R$ 14,31 de diferença.
Segundo o órgão, o aumento nos valores do gás segue uma tendência nacional. Fatores como custos de produção, logística e oscilações no mercado internacional do petróleo ajudam a explicar o reajuste.
Benefício não cobre toda a demanda
Para a dona de casa Thaís da Silva, de 28 anos, a ajuda não garante o abastecimento integral. Ela mora com três filhos no complexo habitacional Estrada do Engenho e recebe o auxílio há cerca de um ano. Porém, na casa de Thaís, o gás dura bem menos do que o necessário. “Em um mês e meio já acabou e a gente acaba tendo que comprar”, relata.

Segundo ela, as regras do benefício mudaram. Inicialmente, o repasse de um valor em dinheiro acontecia em um intervalo de dois meses. Agora, Thaís relata que a quantidade de botijões ao longo do ano passou a depender do número de pessoas na família. Como mora com três filhos, ela tem direito a três unidades por ano. “Dá um botijão para cada quatro meses, mais ou menos. Só que não dura tudo isso”, afirma.
A mudança no formato do benefício, que deixou de ser pago em dinheiro e passou a funcionar por meio de vale para retirada direta do botijão, foi oficializada em fevereiro deste ano, com a criação do programa Gás do Povo. Em resposta à reportagem, o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS) informou que o novo modelo garante a recarga gratuita do botijão em pontos credenciados, com o custo pago diretamente pelo governo, sem necessidade de complementação pelas famílias.
O ministério também confirmou que a quantidade de recargas ao longo do ano varia conforme o tamanho da família, podendo chegar a até quatro por ano para grupos menores e até seis para famílias maiores. Apesar disso, não detalhou como se dá a distribuição ao longo dos meses nem a periodicidade das liberações.
Na prática, beneficiários relatam dificuldades. Thaís afirma que, além da incerteza sobre quando o benefício será liberado, ainda precisa arcar com custos como a taxa de entrega. “Eu não tenho como ir buscar, por questões de saúde, então tenho que pagar o transporte”, explica.
A reportagem buscou explicação junto ao setor administrativo do Cadastro Único em Pelotas, que informou não ter detalhes sobre as mudanças e orientou o contato com a Secretaria de Comunicação do município. Após contato com a prefeitura, foi informado que “a gestão do programa é exclusiva do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), e não é administrada nos territórios pelas gestões municipais.”
