O Rio Grande do Sul deverá sentir um impacto menor com o fim da cota de 1,1 milhão de toneladas de carne bovina exportadas para a China. Principal destino das exportações brasileiras, o país asiático passa a cobrar uma tarifa adicional de 55% sobre a carne até novembro, quando a cota será zerada.
Para o mercado nacional, a medida representa uma grande queda nas exportações. A China responde por 49,3% do volume total de carne embarcado pelo Brasil. De janeiro a junho, o país exportou cerca de US$ 9,7 bilhões e 1,6 milhão de toneladas de carne bovina. Desse total, a China foi responsável por US$ 4,8 bilhões e 774 mil toneladas, segundo dados da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul).
No RS, a dependência é menor
Enquanto o mercado chinês representa quase metade das exportações brasileiras de carne bovina, no Rio Grande do Sul essa participação é de 28,7%, devido à maior diversificação dos mercados compradores. De janeiro a junho de 2026, o Estado exportou US$ 234 milhões e 43,7 mil toneladas de carne bovina. Desse volume, cerca de US$ 71 milhões e 11 mil toneladas tiveram como destino a China.
Segundo o assessor de Relações Internacionais da Farsul, Renan Hein, a dependência do mercado chinês é menor que a média nacional justamente pela diversificação das exportações gaúchas, que atendem destinos como Estados Unidos, México, Chile, Rússia, Egito, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Vietnã, Indonésia, Japão, Coreia do Sul e Turquia.
“No caso do Rio Grande do Sul, a exposição direta à China é menor do que a média nacional, mas ainda é relevante. Para o Rio Grande do Sul, o fim da cota chinesa não significa necessariamente que a gente vai interromper o fluxo exportador, porque o Estado é relativamente mais diversificado que o resto do Brasil nesse produto específico”, explica.
Hein ressalta, porém, que a China continua tendo um papel importante para a carne gaúcha. “Não é uma substituição simples e nenhum mercado substitui a China em escala no curto prazo porque esses mercados não são equivalentes. Estados Unidos e México têm uma demanda relevante, mas contam com cotas, tarifas e limitações comerciais. Japão e Coreia do Sul são mercados estratégicos, mas dependem de abertura sanitária e negociação. O Oriente Médio ajuda a diversificar, mas também tem riscos logísticos e geopolíticos.”
Impacto sobre os preços
O maior risco, segundo Hein, é a pressão sobre os preços internos. O mercado chinês influencia a formação do preço da arroba em todo o país. “Mesmo quando o frigorífico gaúcho não exporta diretamente para a China, o preço do boi no Rio Grande do Sul é afetado pelo mercado brasileiro como um todo.”
O impacto mais provável é um cenário de maior volatilidade e pressão de baixa sobre os preços. A tendência é de mudança no comportamento dos frigoríficos, que deverão reduzir a procura por gado para preservar os valores de mercado. Nesse contexto, o maior prejuízo tende a recair sobre o pecuarista.
“Quando a China compra menos ou quando a exportação acima da cota fica inviável pela tarifa elevada, os frigoríficos tendem a ficar mais cautelosos. Então isso pode reduzir o preço pago pelo boi, pode alongar as escalas de abate e diminuir a urgência da indústria em comprar animais. O que melhora é o poder de negociação dos frigoríficos. Para o produtor isso é ruim.”
