Doceira transformou o legado da mãe em um negócio familiar

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Doceira transformou o legado da mãe em um negócio familiar

Hilda Doces comercializa na Rua do Doce e meta é abrir uma loja da marca no Areal

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Doceira transformou o legado da mãe em um negócio familiar
Hilda destaca o orgulho de ter conseguido criar os filhos trabalhando como doceira. (Foto: Cíntia Piegas)

O cheiro de açúcar caramelizado acompanha Luciana Rosa da Silva desde a infância. Foi entre panelas, tabuleiros e os doces preparados pela mãe, Hilda Jacinta Rosa da Silva, que a empresária de 49 anos aprendeu muito mais do que receitas: herdou a dedicação ao trabalho, o espírito empreendedor e a responsabilidade de preservar uma tradição que atravessa gerações. Hoje, é ela quem está à frente da Hilda Doces, empresa familiar que há mais de quatro décadas produz doces tradicionais pelotenses e mantém vivo um dos sabores mais característicos da cidade.

O caminho se desenhou de forma natural. Dona Hilda passou a produzir doces em casa para atender encomendas de bufês. Ainda criança, Luciana e os irmãos participavam da rotina ajudando nas tarefas mais simples. “A gente sempre estava na volta dos doces. Começamos abrindo os pelotines para guardar e fomos crescendo junto com a produção”, recorda.

Com o aumento das encomendas em datas comemorativas, como Natal, Ano-Novo e Dia das Mães, Luciana percebeu que a estrutura que tinha em casa já não atendia mais à demanda. Foi necessário investir gradualmente em fornos, utensílios e equipamentos, especialmente após começar a vender diariamente na Rua do Doce. Para superar os desafios do crescimento, buscou apoio na troca de experiências com outras doceiras e na capacitação oferecida pelo Sebrae.

Enquanto a mãe mantinha como carro-chefe os caramelados e as tradicionais trouxinhas de amêndoas, Luciana passou a diversificar a produção com quindins, bem-casados, camafeus e bolos. Aos poucos, assumiu também a gestão da empresa. “Minha mãe dizia: ‘Vai lá na reunião, eu preciso ficar aqui fazendo os doces’. Quando percebi, já estava assumindo tudo. Depois ela me disse que eu já sabia fazer mais doces do que ela e que era hora de seguir em frente.”

A formalização da empresa veio com a nova Rua do Doce, no calçadão da rua Sete de Setembro e a entrada na Associação dos Produtores de Doces. Foi nesse momento que Luciana passou a empreender oficialmente, enfrentando os desafios de administrar uma pequena empresa, negociar com fornecedores e aprender sobre gestão financeira. Ela conta que, no início, comprava pequenas quantidades de insumos porque ainda não possuía CNPJ. “Depois da formalização, consegui comprar direto com fornecedores, em maior quantidade e com melhores prazos. Isso fez muita diferença.”

As doces conquistas

Ao falar das maiores conquistas, Luciana surpreende. Ela lembra de um investimento importante para o próprio negócio: a compra de um freezer industrial, adquirido após o aumento das vendas no último ano. O equipamento permite ampliar a produção e organizar melhor os pedidos, uma vez que Hilda Doces abastece a banca da Associação das Doceiras de Pelotas na Fenadoce e está presente na Rua do Doce, onde as vendas crescem expressivamente no período da feira.

Multitarefas

A empresária doceira também é mãe, administra a casa e tudo que surge pela frente. “Muita coisa eu não consigo fazer, porque tudo passa por mim. É tanto a organização aqui da fábrica, as coisas lá da casa. Um está precisando de uma coisa, vai lá ver. Outro precisa ir ao médico, eu tenho que levar. Então, mesmo nessa loucura, vai dando tudo certo”, diz otimista.

Mas quando é questionada sobre realizações pessoais, Luciana se emociona ao dizer que a maior conquista que teve foi formar os dois filhos na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), a partir do trabalho na confeitaria. “Eles cresceram no meio dos doces, ajudando desde pequenos. Os dois se formaram no mesmo ano e fizemos uma única festa de formatura. Essa foi minha maior conquista.”

Embora a rotina seja intensa e misture família e trabalho, ela diz que encontrou na união familiar a força para continuar crescendo. O irmão Ademir da Silva Junior, chef cozinheiro em Novo Hamburgo, ajuda com sugestões preciosas sobre organização, finanças e novidades, outro irmão, Leonardo Rosa da Silva, é o braço direito, além da irmã Lucélia Rosa da Silva que é técnica em vestuário. Tem os filhos Lucas da Silva Firmo e Alessandra da Silva, que colaboram quando possível.

A mãe, dona Hilda, segue sendo a maior inspiração. Ao ver a filha Luciana conduzir o negócio iniciado há mais de 40 anos, ela resume o sentimento em poucas palavras. “Tenho muito orgulho. Criei meus filhos no meio dos doces e ela foi quem mais se interessou. Passei tudo para ela, e hoje ela continua essa história.”

Uma doceria para chamar de sua

Durante a Fenadoce, mesmo sem ter um estande próprio na feira, a produção aumenta significativamente para abastecer pontos de venda e atender encomendas. O quindim continua sendo o doce mais procurado, seguido pelos bombons de morango e mousses. Agora, a família também aposta nas redes sociais para fortalecer a marca e ampliar as vendas.

O próximo passo já está definido. Luciana sonha em abrir uma doceria própria no bairro Areal, em Pelotas, oferecendo doces, salgados e, no verão, sorvetes. “Quero ter um espaço fixo, onde as pessoas conheçam a nossa marca e possam encontrar nossos doces o ano inteiro.” A empresária também faz questão de incentivar outras mulheres que desejam empreender. “Não desistam e não tenham medo. Vai com medo mesmo. A gente aprende errando, acertando e buscando informação. O importante é não deixar o medo impedir de começar.”

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